quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Tempos difíceis

Raquel Abecasis

RR on-line 28-12-2009 10:10



Na despedida de 2009, resta esperar que o próximo ano traga, pelo menos, mais bom senso e juízo à classe política portuguesa que, bem ou mal, tem por função governar o país.

Espera-se que o Primeiro-ministro pare para pensar e desista de encenar uma crise política que ninguém quer.

Espera-se que o Presidente se assuma como tal, imponha respeito ao Primeiro-ministro e lhe diga que foi para governar que lhe deu posse.

Finalmente, espera-se que o principal partido da oposição acabe com um longo processo de auto-destruição em praça pública e possa, no próximo ano, começar um caminho que lhe permita estar presente de corpo inteiro em próximos actos eleitorais.

O que todos desejamos em 2010 é que os nossos políticos demonstrem o que valem, porque é nas horas difíceis que se distinguem os estadistas dos outros.

E é de estadistas que precisamos agora.

domingo, 20 de dezembro de 2009

"Meu tetravô Valgode", José Valgode

Meu tetravô Valgode

Que era Conde

Eu sei lá de onde,

Visitava a casa de minha avó

Que na época estava só.


Era uma linda viúva

Não apanhava sol nem chuva,

Entre dois goles de chá

Meu tetravô Valgode

Gosta do sumo da uva,

Bebia aquilo que se pode

e perguntou à minha avó

senão achava esquisita

aquela forma de estar só?!


Entre tantos galanteios,

o malandrão tocou-lhe nos seios,

pois para ele não era tema,

depois de beber uns copos

escreveu-lhe um poema,

meu tetravô estava inspirado

pela boa copofonia

disse então à minha avó Maria

que não era santinho nem vidente

E se ela queria

que ele lhe ferrasse o dente?!


Ela toda se derretia,

ninguém estava então presente

na casa de minha avó,

a partir daquele dia,

nenhum deles vivia só.

________________________
http://www.valgode.de

Formatação e arte : Águida Hettwer

Visualização e som : Vera Pessoa
São Paulo, 16 de dezembro de 2009

"A Língua Quem a Pode Domar?" José Valgode

Tu oh! Língua, membro tão pequeno

Que fazes grandes fanfarrices,

E vede quão pouco fogo

É necessário para incendiar um bosque !



Tu que deitas da boca para fora,

Uma língua que se levanta e demora

Língua tão pequena porém venenosa

Quando se agiganta fere e é maiúscula

Língua de fogo e também vernácula.



A língua pode ser bálsamo ou fogo

Pode levantar-se em favor da justiça

E pode constituir um mundo de injustiça

Manchar o corpo e incendiar a roda da vida.



A língua de poeta, escritor ou pedreiro

Pode se aguda, vermelha ou de escarlate

Pode soltar-se, ou andar à mingua

Pode ser benévola, ou dizer disparate!



A língua quem a poderá domar?

Pomos freios nas bocas dos cavalos

Para os dirigir, ou fazer parar

Mas há línguas de vaca que dão estalos.



A língua também se refoga e se come

Porém, outra língua, é porca e indisciplinada,

Prejudicial e cheia de veneno mortífero.

Com a língua bendizemos a Deus,

E amaldiçoamos com ela os homens

Que vieram a existir na semelhança de Deus.



E tantas e tantas vezes da mesma boca

Procedem bencao e também maldição.

A língua é um fogo e por vezes louca,

Difícil de domar neste mundo cão.



Todos nós tropeçámos muitas vezes,

Se alguém de nós não tropeçar em palavra,

Esse homem é quase perfeito, vencendo reveses,

Como um barco grande guiado

Por um leme bem pequeno

Que vai para onde queira o timoneiro!



_____________________


http://www.valgode.de



Formatação : Luiz Fernando Guerra
Visualização e som : Vera Pessoa
São Paulo, 27 de outubro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

"O meu mais belo poema de Natal" - Natal de quem?

NATAL DE QUEM?

O poema do verdadeiro Natal

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!


"O meu mais belo poema de Natal"

de João Coelho dos Santos em "Lágrima do Mar" - 1996

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Frase do dia 2

A nós não nos cabe decidir o que acontece. Tudo o que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.

Gandalf a Frodo em "A irmandade do Anel"
J. R. Tolkien

Frase do dia

Nós sabemos que estamos apaixonados quando não conseguimos adormecer porque finalmente a realidade é melhor que os nossos sonhos.

Dr. Seuss

Natal ideal

17 | 12 | 2009 08.39H

João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Estão criadas as condições ideais para o Natal. Basta olhar à volta e vê-se logo. Reparem como todos andam atarefados com a sua vida, festejos, compras, boas-festas. Tudo se centra em consumo, prazer, dinheiro, azáfama. Não é isto mesmo o ideal para o Natal?

Pelo menos na vida pública, ninguém parece interessado no significado desta festa, no presépio e no nascimento de Cristo. Vemos renas, árvores, sinos, trenós, mas poucas manjedouras. As montras, anúncios, jornais, televisões falam do Pai Natal ou do Obama em Copenhaga, não de Jesus.

Ninguém medita no acontecimento espantoso que é Deus nascer como um menino, o Omnipotente vir viver como um de nós para trazer toda a felicidade do Céu à tristeza deste mundo.

Olhamos à volta e tudo parece alheio a essa espantosa Boa Nova, que mudou e muda o mundo. Basta ver isto e compreende-se: estão criadas as condições ideais para o Natal.

Porque foi precisamente assim na primeira vez que houve Natal. Quando Jesus nasceu também ninguém lhe ligou nenhuma. Toda a gente se atarefava na sua vida, sem sequer saber do estábulo. As atenções estavam centradas nas árvores, no gado, no consumo, prazer.

Falava-se de Herodes, gordo e de barbas brancas como o Pai Natal, e no imperador Augusto, com enormes semelhanças a Obama. Apesar de avisadas pelos profetas, as pessoas não conseguiam sequer imaginar que Deus pudesse visitar o seu povo.

No dia de Natal ninguém achava possível haver Natal. Como hoje. Porque o Natal depende da vontade sublime de Deus, não das condições que nós criamos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espero-vos cá, Pe Jerónimo Nunes - Missionário da Boa Nova

Espero-vos cá

Aos 20 anos decidi aceitar ser missionário.
Pensava na África, mas foi óptimo passar 25 anos no Brasil.
Fiz o que a Igreja pediu e a realidade impôs:
ao formar equipas de celebração Dominical e criar grupos bíblicos;
firmou-se o compromisso com a evangelização dos lavradores,
apoiando os seus direitos e a sua organização.
Horas duras, tempo bonito…
Pensei que seria esse o caminho da minha vida.
Mas a bola é redonda e pequena.

Chamado a Portugal, gastei 15 anos a estimular esta Igreja para a Missão: leigos, religiosas, padres, cada igreja local a abrir-se ao Todo...
A globalização trouxe muita miséria mas ofereceu enormes oportunidades, meios para unir povos e culturas, juntar os melhores para a luta por um mundo mais justo e fraterno.
O futuro nasce dos marginalizados, das veredas por onde Jesus passa.
A interactividade entre pessoas, povos e comunidades é fundamental.
Fora disso não há salvação. Índio isolado é almoço de onça.

Os LBN nasceram em Setembro 1995, com o lema “Partindo para ficar ao lado de quem mais precisa”. Muitos foram e vieram. A caminhada firmou-se. Um núcleo duro de valentes garante o futuro.

Malema foi a nossa primeira “terra de Missão”. É aqui que podereis encontrar-me a partir de agora. Área: 4.000 km2. População: 100.000 habitantes, metade crianças até aos 15 anos. Falam português 36%. Taxa de analfabetismo: 72%.
São dados do censo de 97. Espero que tudo tenha melhorado desde então.

A primeira equipa desejava uma escola. Agora temos duas: Escola Profissional de Malema e Escola Agrícola de Nataleia. Duas estruturas para formar homens para o trabalho e para a vida.
Há anos ouvi a uma autoridade de Malema:
“para mim desenvolvimento é todas as famílias terem cadeiras, uma mesa e um prato de comida em cima.
A Igreja quer contribuir para esse tipo de desenvolvimento que abrange toda a pessoa, todas as pessoas e todos os povos.

Nestes dias partem 4 Missionários da Boa Nova para Moçambique: P. Samuel, Ir. Eduardo, Ronaldo e eu. Mas o desafio é maior do que nós e todos somos poucos para tecer esta rede inter-activa. Leigos são fundamentais para fermentar a massa.
Cá vos esperamos. Até breve.

Santo Natal para todos e cada um(a). Abraços

Maputo, 16 de Dezembro de 2009
P. Jerónimo Nunes

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Católicos penduram Menino Jesus nas varandas e janelas

Mais informação: http://www.estandartesdenatal.org/

por RITA CARVALHO

DN 29 Novembro 2009

Católicos penduram Menino Jesus nas varandas e janelas

Em três semanas, foram colocados mais de seis mil dos novos estandartes em várias cidades. Iniciativa partiu de um grupo de famílias cristãs

A ideia surgiu em Espanha há três anos e agora está a ganhar adeptos em Portugal. Este Natal, milhares de estandartes com a imagem do Menino Jesus estão pendurados nas varandas e janelas dos portugueses para "reavivar" o espírito natalício. A iniciativa é de um grupo de famílias cristãs, que está a dinamizar a venda dos símbolos nalgumas cidades do País.

"Pensamos que o Natal está a perder o seu espírito tradicional. É uma festa cristã mas os sinais públicos dessa festa estão praticamente a desaparecer", afirmou ao DN Nuno Saraiva da Ponte, o responsável pela plataforma Estandartes de Natal 2009, que importou a ideia das cidades espanholas.

"Basta percorrer a baixa da cidade de Lisboa para ver que nas decorações não há nada que lembre o Natal. Vêem-se luzes, estrelas, mas não se vê um presépio, um pastor, nada", lamenta o mentor da ideia.

Pelo contrário, proliferam os Pais Natais, fixados nos edifícios, como se estivessem a trepar pelas janelas e varandas. Ou seja, o objectivo é recuperar a ligação da imagem do Menino Jesus ao Natal, que foi substituída pelo pai natal, inventado pela Coca-Cola nos anos 30. Mas para muitos, "quem traz os presentes" é o Menino Jesus, imagem que estava a desaparecer.

Foi um "sentimento de vazio que tentámos preencher", explica Nuno Saraiva da Ponte, negando, contudo, que esta iniciativa seja uma "resposta directa" à existência de tantos Pais natais nas cidades.

"Há uns anos, surgiu o Pai Natal que é um adereço. O nosso estandarte também é um símbolo. Mas que pretende partilhar com os vizinhos, os amigos e as pessoas que passam na rua o que é para nós a alegria e o verdadeiro espírito do Natal."

A prova de que há muitas pessoas dispostas a demonstrar que "para si, o Natal é uma festa cristã", acrescenta, está na adesão à iniciativa. Em pouco mais de três semanas, foram colocados seis mil estandartes nas ruas, embora o tempo litúrgico só comece hoje (domingo), com o início do Advento. A organização espera vender, pelo menos, mais quatro mil nos próximos dias. Em Lisboa, estandartes encarnados podem ser encontrados nalgumas das avenidas mais importantes, como a Infante Santo ou a Buenos Aires. Mas a adesão é notória em outras cidades, como Porto, Braga, Faro, Évora, Montijo e Setúbal.

A ideia foi tirada de Sevilha, onde Nuno Saraiva da Ponte viu no Natal passado vários estandartes pendurados nas janelas. "Achei que era uma boa ideia. Amadureci-a e falei com outras pessoas que também tinham visto isso em cidades", contou.

Há cerca de um mês, formou-se a plataforma de famílias, um grupo espontâneo e sem qualquer ligação à hierarquia da Igreja Católica. Foi criado um site e a mensagem divulgada na Internet, através de redes sociais como o Facebook. Numa carta aí disponibilizada, o capelão da Universidade Católica convida os cristãos a "levantarem os olhos" para Cristo e lembra a "esperança" associada à mensagem do Natal.

Para a iniciativa chegar às comunidades católicas, foram contactadas algumas paróquias mais dinâmicas da capital, como a da Estrela ou dos Jerónimos. Rapidamente, a venda dos estandartes se alargou. Os estandartes, resistentes à chuva, custam 15 euros são vendidos localmente, sendo que o dinheiro serve para custear a importação do produto de Espanha e para apoiar as paróquias que colaboram na iniciativa.

A ideia original nasceu em Osuna, localidade espanhola, onde há três anos o sacerdote local lançou um desafio aos paroquianos.: recuperar a imagem do Menino Jesus.

Fonte: http://o-povo.blogspot.com/

sábado, 12 de dezembro de 2009

And so this is Christmas

Uma linda versão da música de John Lennon por Celine Dion, Charlotte Church, Gloria Stephan e um coro de crianças

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"White Christmas", Bing Crosby

"A todos um bom Natal", Coro de Santo Amaro de Oeiras

Uma bela música de natal para miúdos e graúdos.
A todos os meus Amigos um Bom Natal!!

Jingle Cats "Silent Night"



He he he

O vencedor deste ano do Prémio Pessoa é D. Manuel Clemente, bispo do Porto




O vencedor deste ano do Prémio Pessoa é D. Manuel Clemente, bispo do Porto. "Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", considerou o juri do prémio Pessoa.

D. Manuel Clemente, que durante vários anos foi bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado pelo Vaticano novo bispo do Porto em Fevereiro de 2007, substituindo Armindo Coelho na chefia da diocese.

Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, Manuel Clemente, 61 anos, é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Manuel Clemente é igualmente professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e director do Centro de Estudos de História Religiosa na mesma universidade.

"A sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja. Ao mesmo tempo que leva a cabo a sua missão pastoral, D. Manuel Clemente desenvolve uma intensa actividade cultural de estudo e debate público. Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", pode ler-se na acta da reunião do júri.

D. Manuel Clemente é o autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como “Portugal e os Portugueses” e “Um só propósito”, publicados este ano, “Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República” e “Nas Origens do Apostolado Contemporâneo em Portugal- A Sociedade Católica (1843-1853)”, refere a organização do Prémio Pessoa em comunicado enviado às redacções.

O vencedor do galardão com maior valor monetário atribuído em Portugal (60 mil euros) foi anunciado hoje, às 12h00, no Palácio de Seteais, em Sintra.

Promovido pelo jornal “Expresso”, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, o prémio pretende “reconhecer a actividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país”, inspirando-se no nome do português com "maior irradiação cultural neste século, Fernando Pessoa".

Entre as personalidades já distinguidas contam-se o historiador José Mattoso - vencedor da primeira edição (1987) -, a pianista Maria João Pires (1989), o escritor José Cardoso Pires (1997), o arquitecto Souto Moura (1998), o investigador Sobrinho Simões (2002) e o constitucionalista Gomes Canotilho (2003). No ano passado, o prémio foi entregue ao arquitecto Carrilho da Graça.

O júri do Prémio Pessoa 2009 é presidido por Francisco Pinto Balsemão, tendo como vice-presidente Fernando Faria de Oliveira. António Barreto, Clara Ferreira Alves, João José Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Rui Vieira Nery compõem igualmente o corpo do júri.

domingo, 15 de novembro de 2009

Missão SORRISO - Continente

Vamos contribuir?!

http://missaosorriso.continente.pt/missao.php

A Missão Sorriso é um projecto inédito em Portugal, que procura contribuir para o bem-estar das crianças no ambiente hospitalar.

Este projecto trabalha com os médicos e os profissionais de saúde, para uma maior humanização dos serviços e para a prestação de um melhor serviço técnico, através da doação de equipamento.

Através da venda de produtos e DVD’s infantis da Leopoldina no Hipermercados Continente, a Missão Sorriso angaria verbas que são directamente canalizadas para a compra de equipamento médico/científico, lúdico/didáctico e entretenimento, posteriormente doado a unidades pediátricas.

A Missão que começou por apoiar uma organização sem fins lucrativos em 2003, já alargou o seu contributo a 31 hospitais.

Nestes 6 anos já contribuiu com mais de 3,5 milhões de euros, representando mais de 1,500 equipamentos.

Este balanço é a verdadeira prova do reconhecimento público e da notoriedade que o projecto Missão Sorriso tem na sociedade civil. As unidades de pediatria dos hospitais e o Continente agradecem a preciosa ajuda de todos, ao contribuírem para que as crianças hospitalizadas tenham motivos para sorrir.

Missão Sorriso 2009

Este ano, para além de poder contribuir,
é você quem decide quem vamos apoiar.

Em 2009 estão a concurso 27 projectos
oriundos de Hospitais Pediátricos,
Maternidades ou Hospitais com serviço
de Pediatria e/ou Obstetrícia.

Ver mais: http://missaosorriso.continente.pt/votar.php

A 'coisificação' da criança

Maria José Nogueira Pinto

DN 2009-11-12 às 01:04



No recente estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, 45,5% dos inquiridos concordam com o casamento homossexual, contra 49,5%, que se opõem. Contudo, à pergunta "E com a adopção por casais homossexuais?", o resultado do "não" (68,4%) mais que triplica o do "sim" (21,8%).
Um número significativo dos inquiridos - embora não maioritário - concorda que a união de duas pessoas do mesmo sexo possa ser integrada na categoria de um casamento civil, porque, julgam eles, o contrário significaria uma discriminação. Não têm tempo, paciência ou liberdade de espírito para pegar na questão e pô-la no seu lugar certo, nem que seja por um mero exercício intelectual: não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente, nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil. A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade contratual das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado. Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo (5, 10, 20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e dois homens). Fazia mais sentido a devolução deste contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união.
Quanto à segunda pergunta, isto é, se concorda ou não que casais homossexuais adoptem crianças, quase metade dos que antes diziam "sim" ao casamento dizem, agora, "não" à adopção. É que enquanto o casamento só envolve os próprios, a adopção implica terceiros, crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente. Ora, sendo ao Estado que compete esta função, e sendo o Estado, ele próprio, o legislador, na prática as crianças ficam sem representante que defenda o seus superiores interesses. Aqui a situação complica-se e, à cautela, quem antes dizia sim passa a dizer não.
A ausência de debate permitiu que uns ocultem, e muitos desconheçam, um inexorável nexo de causalidade: o casamento dos homossexuais acarretará, automaticamente, o direito a adoptarem. Também aqui, basta um mero exercício intelectual. De facto, assentando a iniciativa legislativa no princípio da igualdade, uma vez esta estabelecida por lei, não poderá manter-se uma capitis diminutio em nome da diferença. Porque é ela - a diferença - que cria dúvidas quanto à adopção, dúvidas que terão de ser engolidas após a aprovação da lei sob pena de se estar a consagrar casamentos de primeira e casamentos de segunda, ao arrepio de todo o discurso oficial e, julgo mesmo - agora sim -, da Constituição.
É esta a verdadeira questão. Não estamos perante um mero exercício intelectual, nem no âmbito restrito da contenda política. É mais grave, é mais sério. As crianças adoptáveis são crianças privadas, por diversos motivos, dos seus pais biológicos. Vêm de famílias tão ausentes que se tornaram inexistentes e são entregues à tutela do Estado, a quem compete providenciar um novo projecto de vida que passa pela realização do direito de cada criança a ter um pai e uma mãe adoptivos, na falta dos biológicos. A tarefa é enorme e só quem nunca lidou com estas crianças, os seus percursos, as dúvidas e angústias na construção de um novo destino assente no respeito absoluto pelo melhor interesse de cada uma delas, pensa que uma promessa eleitoral transformada em lei pelo Parlamento, sem um maior escrutínio da sociedade, pode varrer todos os valores e princípios que enformam o sistema de protecção dos menores.
Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguém recebeu mandato.

In http://o-povo.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Concurso “Astronomia Artística”

Mais uma excelente iniciativa da Sociedade Portuguesa de Astronomia

Página oficial: Concurso “Astronomia Artística”

O Concurso “Astronomia Artística” está integrado nas actividades do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009), tendo como entidade organizadora a Sociedade Portuguesa de Astronomia. Tem como finalidades promover o diálogo astronomia/arte e o interesse dos alunos pela astronomia, incentivando a sua criatividade, originalidade e capacidade de inovação.

A história revela-nos que as culturas florescem quando a ciência e a arte evoluem de modo unificado, existindo diversas e variadas evidências de que as artes foram enriquecidas com as mudanças paradigmáticas na ciência e a disponibilização de novas tecnologias. São inúmeros os exemplos de referências astronómicas nas artes (literatura, poesia, música, teatro e artes plásticas), ao longo da história do homem. Apesar de em menor número, é possível identificar exemplos de influências da arte sobre os cientistas e a sua pesquisa (ler, por exemplo a entrevista da coordenadora do concurso).

O Concurso tem como tema geral a Astronomia, sendo admitidas a concurso todas as formas artísticas: Artes Plásticas e Multimédia, Poesia, Conto e Música. Destina-se aos alunos das escolas portuguesas, públicas ou privadas, do Ensino Básico e Ensino Secundário.

Ver o regulamento e a ficha de inscrição na página oficial.

Data limite para entrega de trabalhos: 31 de Janeiro de 2010

1 minuto de Astronomia na RTP

Ainda a propósito do Ano Internacional da Astronomia, aqui está uma excelente iniciativa na RTP.

Introdução: Os episódios da série 1 Minuto de Astronomia apresentam, num minuto, os mais prementes e actuais temas científicos ligados à Astronomia, dos buracos negros aos eclipses, passando pela matéria negra e os anéis de Saturno. Explicações claras, curtas e precisa, apoiadas por grafismos e animações, produzidas por uma equipa de astrónomos e comunicadores de ciência profissionais.

A apresentar cada um dos programas teremos figuras bem conhecidas do público, pessoas que normalmente não esperaríamos ouvir falar de ciência – actores, músicos, jornalistas, etc.

Para completar as explicações televisivas, vamos contar com a colaboração de 13 astrónomos Portugueses que neste site irão partilhar o seu conhecimento sobre os diversos temas abordados. Para aqueles que desejam saber mais.

Venha desvendar os mistérios do Universo. Só demora 1 Minuto!

Uma co-produçao Science Office e Duvideo, com o patrocínio da Ciência Viva- Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e no âmbito do Ano Internacional da Astronomia 2009.

Data: Novembro e Dezembro de 2009, na RTP

Página oficial do projecto: http://www.1minutoastronomia.org/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Portugal de especialistas!

NOVAS QUALIFICAÇÕES (CENTROS NOVAS OPORTUNIDADES)



* Especialista de Fluxos de Distribuição - (paquete)

* Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde - (mulher da limpeza)

* Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas - (porteiro)

* Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna - (segurança)

* Distribuidor de Recursos Humanos - (motorista de autocarro)

* Especialista em Logística de Combustíveis - (empregado da bomba de gasolina)

* Assessor de Engenharia Civil - (trolha)

* Consultor Especialista em Logística Alimentar - (empregado de mesa)

* Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas - (varredor)

* Técnica Conselheira de Assuntos Gerais - (cartomante/taróloga)

* Técnica em Terapia Masculina - (prostituta)

* Técnica Especialista em Terapia Masculina - (prostituta de luxo)

* Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos - (traficante de droga)

* Técnico de Marketing Direccionado - (vigarista)

* Coordenador de Fluxos de Artigos - (receptador de objectos roubados)

* Técnico Superior de Recolha de Artigos Pessoais - (carteirista)

* Técnico de Redistribuição de Rendimentos - (ladrão)

* Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados - (político)

* José Sócrates - (engenheiro)

Recebida por mail

Atendedor de mensagens de uma escola

PARA GRANDES MALES; GRANDES REMÉDIOS!


Esta é a mensagem que o pessoal docente da Escola Secundária de Pacific
Palisades (Califórnia) aprovou unanimemente que deveria ser gravada no
atendedor de chamadas da escola.


Foi o resultado de a escola ter implementado medidas que exigiam aos alunos
e aos pais que fossem responsáveis pelas faltas dos estudantes e pelas
faltas de trabalho de casa.


A escola e os professores estão a ser processados por pais que querem que as
notas que levam ao chumbo dos seus filhos sejam alteradas para notas que os
passem - ainda que esses miúdos tenham faltado 15 a 30 vezes num semestre e
não tenho realizado trabalhos escolares suficientes para poderem ter
positiva.



AQUI VAI A MENSAGEM GRAVADA:



Olá! Foi direccionado para o atendedor automático da escola. De forma a
podermos ajudá-lo a falar com a pessoa certa, por favor ouça todas as opções
antes de fazer a sua selecção:


- Para mentir sobre a justificação das faltas do seu filho, pressione a
tecla 1

- Para inventar uma desculpa sobre porque é que o seu filho não fez o seu
trabalho, tecla 2

- Para se queixar sobre o que nós fazemos, tecla 3

- Para insultar os professores, tecla 4

- Para saber por que razão não recebeu determinada informação que já estava
referida no boletim informativo ou em diversos documentos que lhe enviámos,
tecla 5

- Se quiser que lhe criemos a sua criança, tecla 6

- Se quiser agarrar, tocar, esbofetear ou agredir alguém, tecla 7

- Para pedir um professor novo, pela terceira vez este ano, tecla 8

- Para se queixar dos transportes escolares, tecla 9

- Para se queixar dos almoços fornecidos pela escola, tecla 0

- Se já compreendeu que este é o mundo real e que a sua criança deve ser
responsabilizada e responsável pelo seu comportamento, pelo seu trabalho na
aula, pelos seus tpcs, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é
culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma política educativa a sério

As escolas públicas transformaram-se numa espécie de gigantescos ATLs para adolescentes e os professores em animadores sociais a quem se exige depois, cinicamente, que apresentem resultados nos rankings em que pontificam inevitavelmente as escolas privadas não sujeitas a todo este processo de condicionamento.

O Governo que agora cessa funções caracterizou-se por ter na pasta da Educação uma equipa claramente inadequada às funções e que, em termos políticos, contribuiu fortemente para que o Partido Socialista perdesse as Eleições Europeias e a maioria absoluta nas Legislativas – um quinto dos eleitores e dos deputados (mais de meio milhão de votos e mais de vinte deputados), ao alienar uma parte importante da sua base social de apoio.
Não o afirmo na convicção de que uma força política séria e com responsabilidades governativas deva pautar a sua acção pelo agradável para os seus eleitores tradicionais, nada disso. Mas o que não deve fazer é desbaratar capital político por equívoco e erro estratégico, preferindo uma putativa e, ainda por cima frustre, “alavancagem” táctica a um enunciado transparente de medidas que, por dolorosas que pudessem ser, fossem percebidas pelos seus intervenientes directos como benéficas do ponto de vista sistémico.
Ora nada disso aconteceu – a equipa do Ministério da Educação portou-se como um grupo de aventureiros em constante fuga para a frente, tentando atropelar tudo e todos, revelando uma enorme falta de bom senso, promovendo, com a cobertura evidente do Primeiro-ministro e dos seus Ministros “políticos” com especial destaque para Augusto Santos Silva, bem como um conjunto vasto de opinion makers que fazem obviamente parte do set propagandístico do Governo e organizações dele subsidiárias, mesmo na mais literal das acepções, como a Confap do Sr. Albino, uma política cega de”passa culpas” e perseguição socioprofissional.

A equipa ministerial dando cumprimento a uma tarefa política que lhe foi encomendada pela task force que dirige de facto a política governamental, (cito a propósito, Marcos Perestrello quando em tom crítico e, de algum modo, auto-justificativo na sequência dos resultado das “Europeias”, auto-denunciou o “esquema” dizendo que “era preciso criar pressão sobre certos grupos sociais para que a população aceitasse as reformas”), alegando “boas intenções “ iniciais, fazendo-as acompanhar de diagnósticos tremendistas como o alegado “caos organizacional” das Escolas visto por Lurdes Rodrigues assim que tomou posse, o que, a ser verdade, se pode dizer de certeza vivida, que piorou bastante com o seu consulado.


Claro que os objectivos reais desta política foram diminuir os custos do Ministério da Educação reduzindo a sua massa salarial, mas logo e para o justificar, descambou numa autêntica e inaudita campanha negra de apoucamento e vexame a uma única classe profissional como em toda a história moderna de Portugal, e presumo de qualquer país civilizado, nunca terá sido desencadeada, refiro-me à autêntica guerra social contra os professores, em que estes foram o “bode expiatório” e que serviu de cortina de fumo para o fracasso das políticas sociais prometidas (Onde estão, ou mesmo antes da crise das “costas largas”, alguma vez estiveram, os 150000 empregos? Porque, ao contrário do prometido, subiram os todos impostos, só para quem os já pagava claro e Campos e Cunha foi “despedido” das Finanças? Tal como Sócrates que fez um “brilharete” no debate com Louçã acusando-o de pretender pôr em prática medidas de ataque à classe média assalariada que o próprio governo se está a preparar para tomar – Teixeira dos Santos e o Grupo de Estudos para a Reforma Fiscal – já assumiram o fim ou forte redução, das deduções à colecta em sede de IRS das despesas com Saúde e Educação).

Esta situação e para lá de qualquer questão meramente salarial, foi sentida como uma série de enxovalhos públicos pelo sector que, reagindo aos sucessivos desaforos, viu o seu espírito de corpo potenciado, o que fez com que uma “corporação” realmente mais fraca do que todas as outras, se unisse como nunca fizera antes por obra e graça de um governo que pôs no “ataque às corporações e aos lobbies” (mas não a todas, nem sequer às principais, senão não teríamos sido nós – os que pagamos impostos – a pagar as aventuras financeiras de vigaristas encartados) toda a sanha persecutória e que muito à PS (no poder, pois na oposição costuma ser “revolucionário” e esquerdista) gera sempre e precisamente os efeitos contrários aos alegadamente pretendidos.
Até as medidas positivas e que correspondem sem dúvida a necessidades sociais indiscutíveis – escola a tempo inteiro, aulas de substituição, reparação e conservação física do parque escolar, inglês, informática e educação física generalizados – foram tão mal aplicadas e tão embrulhadas em propaganda e acções de mero “faz de conta” e o seu potencial foi de tal modo desbaratado que corremos o risco de grave retrocesso por alteração da conjuntura política.
O mesmo se diz do nefando modelo de “Avaliação de Professores” que de monstro burocrático incapaz de avaliar fosse o que fosse, passou a mera paródia administrativa destinada a fazer de conta e cumprir cotas para poupar uns trocos. Repare-se que do tão “rigoroso” processo de Avaliação de Desempenho foi dispensada a obrigatoriedade da observação de aulas, centrando-se a dita “avaliação” no inverificável cotejo do realmente feito com a produção em série de mera “papelada” ou seja, lixo a curto prazo.

Do mesmo “lunatismo” procedeu a divisão da Carreira Docente em Titulares e não Titulares com base no mais atrabiliário dos processos de selecção alguma vez registados e que produziu resultados do género “Jogos Santa Casa”, mas sem qualquer prémio pecuniário fosse para quem fosse. Assinale-se que os professores mais graduados foram compelidos a concorrer sob ameaça, nem sequer muito velada, da Ministra Lurdes Rodrigues que, quando inquirida numa estação de TV acerca do que aconteceria aos docentes dos três escalões de topo que não concorressem a titulares, foi peremptória na resposta: “Por enquanto nada!”
Aliás, foi a mesma ministra que chamou “loura” a uma professora profissionalmente prestigiada durante um programa na RTP 1 e foram os Secretários de Estado Lemos e Pedreira que, referindo-se em aos professores em público, os designaram por “professorecos”, o primeiro, tendo-os o segundo comparado a “ratos e bolachas”. Foi também durante este consulado que foram castigados professores em funções em Direcções Regionais por “delito de opinião” – o caso Charrua e forças policiais “visitaram” sedes de Sindicatos em vésperas de manifestações que, apesar de tudo isso, e se calhar, também por isso, foram gigantescas, a maior das quais no dia 8 de Março de 2008 contou com 120000 manifestantes (num total de 150000) e a adesão da totalidade dos sindicatos e organizações representativas existentes.

A alteração por sobrecarga dos horários dos professores também é de “cabo de esquadra” uma vez que as pessoas são concentradas durante horas a fio em espaços exíguos e não equipados, a fazer rigorosamente nada, só para efeitos de demagogia barata, tendo depois que sacrificar o seu tempo privado em casa, à noite e durante os fins-de-semana para fazer aquilo que nas escolas não é possível que seja feito. Para além do óbvio e inusitado subsídio ao Sistema, pois não conheço e duvido que exista grupo profissional que mais desembolse para custear as insuficiências funcionais do Sistema Educativo desde a simples esferográfica, até aos computadores, à ligação à Internet, às folhas, aos tinteiros do líquido mais caro do mundo (a tinta de impressão) e a todos os periféricos – tudo é suportado pelo próprio docente.
Sejamos claros e honestos – as Escolas em Portugal não têm espaço, nem equipamento para albergar toda a sua população docente em simultâneo, não foram sequer concebidas para isso. Numa Repartição ou em qualquer empresa há instalações, secretárias, computadores para todos os funcionários; nas escolas, pura e simplesmente não há, e fazer de conta que o que é, não é, é pura ficção.
Também é pura ficção o mito do sucesso nos resultados desta “política educativa” – as pressões sobre os professores são tão grandes e as “vias de certificação “ são tantas e tão variadas que o enfoque mera e pesadamente estatístico se afasta imenso de toda e qualquer qualificação real das populações e aproxima-se perigosamente de uma mega-fraude.
As escolas públicas transformaram-se numa espécie de gigantescos ATLs para adolescentes e os professores em animadores sociais a quem se exige depois, cinicamente, que apresentem resultados nos rankings em que pontificam inevitavelmente as escolas privadas não sujeitas a todo este processo de condicionamento.
Por tudo isto e por muito mais que fica por dizer, se exige uma Política Educativa a Sério em que demagogia e a propaganda não sobrelevem do real interesse público e que devolva ao sistema educativo a paz dinâmica necessária ao seu próprio aperfeiçoamento e à melhoria real e objectiva das reais qualificações e necessidades funcionais do país e da sua população.

António José Ferreira (Professor Titular ansioso por devolver o “Título”)

Os Pequenos, João César das Neves

João César das Neves

DN20091019

Terminado o longo período eleitoral, salta à vista a má qualidade do discurso político. Perante a gravidade da situação e desânimo reinante, o tom geral das intervenções foi claramente incapaz. Não houve rasgo, chama. O povo está tão desiludido como estava.

Qual o motivo? Que esteve ausente do esforço tribunício dos últimos meses? Não faltaram planos, propostas, projectos. Nos milhares de páginas de programas e centenas de horas de oratória é forçoso achar ideias, algumas até boas. Também não faltou sonho. Há muita emoção, paixão, fervor na vida pública nacional. Alguns são frustrados e até pesadelos, mas existem sonhos na nossa política partidária.

O que desapareceu da intervenção dos nossos responsáveis é algo mais denso e determinante: visão estratégica, orientação de fundo, linha de rumo. Não se ouviu um propósito inspirador e empolgante que motivasse os portugueses. Ninguém diz o que quer e para onde vamos. O que tinham Sá Carneiro, Mário Soares e Cavaco Silva, e até Spínola, Vasco Gonçalves e Melo Antunes, desapareceu desde Guterres. Temos meios e vontade mas está omisso o destino.

Em 1852, Victor Hugo escreveu um livrinho, Napoléon le Petit, comparando o imperador da época ao grande antecessor. Hoje também temos políticos pequeninos. Há 15 anos que não existe um verdadeiro objectivo nacional, uma finalidade grande que arrebate e mobilize o País. Vivemos de fins intermédios, interesses particulares, promessas próximas. Os sucessos e debates recentes centram-se em oferecer portáteis ou brincar aos comboios rápidos. A vida política não sobe acima das adições orçamentais.

Como se caiu nesta triste apatia? A resposta é simples porque existe um ingrediente indispensável ao destino, a fé. Os nossos responsáveis perderam a fé que tinham nos primeiros anos da democracia. Claro que há muita fé na vida privada, mas há década e meia que anda quase ausente da vida pública.

Isto não se aplica à fé religiosa. Essa há muito que não tem presença na nossa política. Por acordo tácito geral, a vida democrática é formalmente alheia aos temas espirituais. Em sistemas como o americano, italiano e tantos outros o assunto é comum. Até em França a cartada é jogada. Mas Portugal, por feridas antigas, não se atreve a falar disso.

O que estiolou com os tempos foi a fé ideológica, patriótica. Os anos revolucionários incendiaram-se de fervor. Acabado o tumulto, o ideal de um Portugal europeu e progressivo guiou-nos nos tempos difíceis da adesão à Comunidade. Normalizada a situação, na estabilidade do euro e fragor da globalização, abandonaram--se os grandes propósitos. A vida pública centrou-se em finalidades imediatas, grupos instalados, razões operacionais abandonando os grandes desígnios dos tempos heróicos. O que nos ocupa e preocupa é emprego, conforto, segurança. Até temas globais, como regionalização e aborto, são conduzidos por preocupações tácticas.

Os dois grandes partidos são pragmáticos, abrangentes. Gerindo conveniências, não se podem dar ao luxo de ideologias ou destinos ambiciosos. O CDS já teve várias fés e não se sabe bem a que tem hoje. O BE esconde a falta de fé criticando a infidelidade dos outros. Apenas o PCP e os pequenos ainda acreditam em algo, que mais ninguém leva a sério. O resultado é a pasmaceira agnóstica e interesseira. Não admira o pessimismo dominante.

A solução disto é fácil, porque o sentido da vida está na vida, não na política. O erro foi pedirmos aos partidos que nos fornecessem a fé. O destino não está em programas, instituições, sistemas, mas na família, trabalho, comunidade. O País salva-se se deixar de procurar nos líderes aquilo que só encontra em si mesmo.

Não é Portugal que se condena com a desorientação, apenas os dirigentes. Como em situações antigas de desnorte, cabe à sociedade e à economia encontrar na sua actividade quotidiana a força e as razões que faltam às elites. A fé privada tem de superar a vacuidade pública. Se acreditarmos num destino maior, Portugal avança. Depois os pequenos políticos correm atrás.

Fonte: http://o-povo.blogspot.com/

Falar em procriação

Pedro Vaz Patto

Público, 20090930


As declarações de Manuela Ferreira Leite ao associar a família e o casamento à procriação têm suscitado muitas reacções negativas, que vão da crítica impiedosa, como se fossem sinal do mais bolorento conservadorismo, até à chacota de mau gosto. Reacções tão negativas a declarações que muitos considerarão inspiradas pelo simples bom senso merecem alguma reflexão.


Falar em procriação parece escandaloso ou herético, como se a procriação fosse algo de fundamentalmente negativo, a evitar a todo o custo, um empecilho ao gozo e realização pessoais que a união sexual e o casamento podem proporcionar.


A doutrina católica não limita (não o faz hoje, nem o fez nunca) as finalidades do casamento e da família à procriação. A comunhão entre os cônjuges e a realização pessoal de cada um deles também são finalidades do casamento e da família. Mas a abertura à vida, que não se limita à geração biológica e se prolonga durante todo o percurso educativo das crianças e jovens, também o é. Não é algo de acidental ou secundário. A doação recíproca entre os cônjuges deixa de ser um "egoísmo a dois" quando se abre generosamente à geração e educação de novas vidas. Porque o amor é difusivo por natureza.


É, fundamentalmente, esta abertura que faz com que o casamento mereça um reconhecimento social particular, pois é ela que garante a renovação das gerações, cria o melhor ambiente para o acolhimento da geração seguinte e faz, assim, da família a célula básica da sociedade.


Como já foi salientado, retirar a heterossexualidade e a tendencial abertura à vida da definição de casamento descaracteriza-o como instituição que transcende os interesses individuais dos cônjuges e adquire um papel social da máxima relevância.


A mentalidade antiprocriativa que vemos, deste modo, tão difundida é o maior obstáculo à superação da crise demográfica, por muitos considerada o mais grave dos problemas sociais da Europa de hoje e para o qual, finalmente, os governos parecem despertar.


É, sobretudo, no plano cultural, da mentalidade, que se joga esse desafio. Não são, essencialmente, abonos de família ou subsídios (nem "contas-poupança") que permitirão vencê-lo. Nem mesmo os países com mais generosos apoios desse tipo conseguiram vencê-lo.


Só com outra valorização da vida e da procriação, vistas sempre como um dom e uma oportunidade, nunca como um limite ou um empecilho, é que a crise demográfica pode ser superada. Nisto deviam pensar os políticos que criticam a associação entre casamento, família e procriação.


Juiz

Fonte: http://o-povo.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Concurso: "Faz Portugal melhor!"

Aos alunos


Portugal é...
Um país da Europa
Portugal é a tua cidade, a tua vila, a tua aldeia
Portugal é a tua junta de freguesia, a tua câmara municipal
A tua rua e a tua escola
Portugal é a tua família, os teus colegas, os teus professores
Portugal é imaginação, investigação, produção
Portugal és tu!

E tu podes fazer PORTUGAL MELHOR!


Todo o acto educativo implica uma atitude optimista. Por isso, numa época em que dominam o cepticismo e a descrença é urgente que os professores, pais e encarregados de educação transmitam aos jovens a ideia de que é possível mudar o que não está bem, compreendendo o seu papel activo e interventivo.

Assim, lançamos um desafio aos nossos jovens: o desenvolvimento de projectos sobre a realidade que os rodeia, identificando problemas, propondo soluções, promovendo mudanças.

Para além dos professores que orientarão os seus alunos, espera-se a colaboração no desenvolvimento dos projectos, das famílias, das instituições do ensino superior, das autarquias, empresas e associações.

O site do concurso reflectirá o trabalho produzido pelos alunos e a colaboração de toda uma rede de cooperação que por certo se constituirá:

http://www.cienciahoje.pt/30150

O tema do concurso – FAZ PORTUGAL MELHOR! – favorece o desenvolvimento de projectos de âmbito muito alargado. Sugere-se no Regulamento que os alunos partam de um aspecto da realidade em que se encontram inseridos o estudem com rigor e, a partir do diagnóstico feito, apresentem propostas criativas de intervenção.

Uma questão ambiental, um problema de carácter social, uma situação específica da escola que pode ser melhorada, mas também, por exemplo, a produção de um medicamento, a construção de um robot, a pesquisa sobre uma manifestação cultural da comunidade … são apenas alguns dos possíveis temas dos projectos a concurso. Pode-se fazer Portugal melhor de muitas formas! (...)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Manifesto do Presidente B. Obama para os alunos americanos

Leia e guarde esta lição

Publicado em 09 de Setembro de 2009

O presidente falou ontem aos alunos da América


Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

Gripe H1N1 - Vídeo "Operação Pandemia"



Para ver e pensar...

Eleição e causas, João César das Neves

Muita gente ficou triste com as eleições. É normal, pois sem maioria, a maioria dos votantes perdeu. Os mais desanimados ou mais felizes são, porém, os que vêem a eleição centrada num único interesse, que pensam que só conta a causa que os apaixona.

Muitos professores, por exemplo, queriam derrotar o PS por razões de classe e tomaram o resultado exclusivamente desse lado.

Também alguns católicos consideram que as percentagens mostram a posição do povo sobre a defesa da vida e família. É igual para os defensores do TGV, homossexualidade ou agricultura.

Isso é um erro. A eleição foi do Parlamento e os cidadãos votaram pensando na totalidade dos aspectos. Escolhem os que se pensam mais capazes (ou menos maus) para lidar com salários, emprego, casa e outras coisas genéricas. O resultado dos votos nada nos diz sobre questões particulares, por sérias que sejam.

Isto é também um aviso para o futuro Governo. Ele deve actuar para o bem nacional, sem se sentir legitimado a impor caprichos ideológicos laterais ao sufrágio. Acabada a euforia eleitoral, é tempo de esquecer chavões e abraçar o bom senso.

Por exemplo, a Juventude Socialista fez um cartaz insólito com uma frase do adversário. Citando Ferreira Leite dizia "A família (...) tem como objectivo a procriação", rematando com o slogan: «Dia 28 acorda no século XXI». Depois dos ataques do anterior Governo PS contra a família, a ironia é amarga. Se o próximo Governo também desprezar a procriação, Portugal ainda acorda no século XXI, mas já não chega ao XXII.

DESTAK |01 | 10 | 2009 08.23H

João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Pergunta do Dr. Tito de Morais ao Primeiro Ministro José Sócrates

O Dr. Tito de Morais esteve presente numa conferência de bloggers que decorreu recentemente.

A sua questão esteve relacionada com o seu trabalho dos últimos anos, ao serviço da segurança de crianças e jovens, e que pode ser consultada em

http://miudossegurosnanet.blogs.sapo.pt/19634.html

"Anteontem, 27 de Julho de 2009, entre as 17:30h e as 21h e pouco, decorreu em Lisboa a 1ª BlogConf, uma blogo-conferência, ou conferência de bloggers, aberta aos média sociais. O evento contou com a participação de José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, e cerca de 20 bloggers nacionais. Durante cerca de 4 horas, José Sócrates esteve à disposição dos bloggers para uma conversa livre e sem restrições e estes dispunham da oportunidade de fazer uma pergunta ao secretário-geral do Partido Socialista."

Veja o vídeo:

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bruna Teresa - SINDROME DE MORSIER

Enviaram-me por mail um pedido de ajuda para a Bruna, uma menina de 4 anos, a idade da minha filha.


Mais informações no blogue: http://www.bruninha.org/


Aqui está a sua história.

A DOENÇA DA BRUNA (resumida ao máximo):

Óla a todos,
sou uma menina de 4 anos de idade, e chamo-me Bruna Teresa.
Nasci com as 40 semanas da gestação, de cesariana e pesava 3.500gr.
Corria tudo muito bem, até que na consulta de Pediatria dos 2 meses foi visto que eu tinha um problema nos olhos.
Fui então encaminhada para um Oftalmologista Pediátrico onde esse mesmo disse aos meus papás que eu era cega e que sofria de Displasia septo-óptica (situação clínica grave caracterizada por nistagmo congénito , ausência de septo-pelúcido, hipoplasia dos nervos ópticos), foi aí que o mundo desabou em cima dos meus papás...Voltamos ao Pediatra, onde ele disse que me iria internar para estudo de possível suspeita de Displasia septo-óptica.
Internou-me no Hospital S. João de Deus V.N Famalicão,e lá disse-me que eu sofria de uma DISPLASIA SEPTO-ÓPTICA ( SINDROME DE MORSIER), é uma desordem rara que provoca cegueira, problemas hormonais,problemas na mastigação, estes são os que actualmente eu tenho (sofro), mas ao longo da minha vida podem aparecer muito mais...

Os meus papás têm tido uma luta imparável para comigo, pois querem que eu dentro das minhas limitações possa ter uma vida normal como a de qualquer outra criança. Há 15 dias atrás encontrou a Ana Catarina de Lisboa com o mesmo Síndrome. A minha mamã conseguiu falar com a mãe da Catarina e foi quando soube da cura que existe para este Síndrome na China, já fizeram 15 tratamentos com crianças entre os 10 meses, 4 anos, e 16 anos de idade e todos os tratamentos foram efectuados com sucesso.

Este tratamento é efectuado com células estaminais, as quais são injectadas na espinal medula, e tem a duração de aproximadamente 6 a 8 semanas. Os meus papás querem muito me levar lá para esse mesmo tratamento, mas como sabem o nosso governo não ajuda nada o tratamento, as viagens são muito caras. São necessários aproximadamente 50 mil euros. Eu apelo-vos que ajudem os meus papás a poderem-me levar à China para este tratamento, nem que seja com muito pouco, os meus papás e eu agradecemos do fundo do coração a ajuda..


OBRIGADO !!



Aqui fica a informação toda necessária que poderá necessitar:

Banco: Caixa Geral de Depósitos
Titular: Bruna Teresa Pinho Tavares
NR: 0831 033555000
Balcão: Vale de Cambra

Nib: 003508310003355500028
IBAN: PT50003508310003355500028 BIC: CGDIPTPL

Alguma dúvida, por favor contacte-nos, agradecemos...

Jorge Tavares: 916463868
Márcia Tavares: 914654292



quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sinto vergonha de mim

NUNCA ESTEVE TÃO ACTUAL!


A poesia de Rui Barbosa (poeta brasileiro), apresentada a seguir,
poderia ter sido escrita hoje, sem mudar uma palavra.




SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.

Rui Barbosa

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Amor

Chegamos ao amor, não porque encontramos a pessoa perfeita, mas aprendendo a ver perfeitamente a pessoa imperfeita

Sam Keen

Filósofo, teólogo, escritor americano contemporâneo

sábado, 4 de abril de 2009

João Paulo II (1920-2005)

João Paulo II percorreu o mundo vivendo e espalhando a palavra de Cristo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".
Fez mais de 100 viagens pastorais e visitou 129 países!



Mapa que representa os países que o Papa João Paulo II visitou ao longo do seu pontificado.

Mais em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Jo%C3%A3o_Paulo_II

João Paulo II



Fez no passado dia 2 de Abril quatro anos que faleceu o nosso querido papa (papá) polaco João Paulo II.
Deixou muitas saudades nos católicos de todo o mundo.

Aqui fica uma pequena oração para pedir graças a João Paulo II:

Ó Trindade Santa,
nós vos agradecemos por terdes dado à Igreja
o Papa João Paulo II
e por terdes feito resplandecer nele
a ternura do vosso amor paterno,
a glória da cruz de Cristo
e o esplendor do Espírito Santo.
Confiado totalmente na vossa infinita misericórdia
e na materna intercessão de Maria,
ele foi para nós uma imagem viva
de Jesus, Bom Pastor,
indicando-nos a santidade
como a mais alta medida da vida cristã
de todos os dias,
caminho para alcançar
e eterna comunhão convosco.
Concedei-nos, por sua intercessão,
e segundo a vossa vontade,
a graça que imploramos,
na esperança de que ele seja, em breve, inscrito
no número dos vossos Santos. Amen.

Entrevista com Eduardo Verastegui, actor e co-produtor de Bella

Bella

Uma empregada de restaurante, solteira, vê-se confrontada com uma gravidez inesperada e um despedimento. A extrema solidão com que vive esta situação parece conduzi-la ao aborto como saída inevitável. Um seu colega de trabalho, movido por um amor desinteressado, pretende apoiá-la e demove-la dessa opção. Neste está ainda vivo o remorso pela morte de uma outra criança, por ele involuntariamente provocada num acidente de viação. A sua vivência familiar, calorosa e acolhedora, típica da cultura mexicana, proporcionam-lhe aquela força e esperança que a ela faltam. Será ele mesmo a dar aquele passo decisivo para que não se perca a vida de uma criança que ainda há-de dar grande alegria à sua mãe.

O drama do aborto, tão frequente e discutido, tem estado (porquê?) quase ausente dos guiões cinematográficos. Neste filme, porém, é o tema central. Nele se retrata a experiência dilacerante de muitas mulheres que enfrentam sozinhas esse drama, mostrando, também, que o amor permite sempre abrir a porta a alternativas.

«Deus ri-se dos nossos projectos» - com este pensamento se inicia o enredo do filme. Dito de outra maneira: «Deus escreve direito por linhas tortas»; não imaginamos as felizes surpresas que a vida nos reserva por detrás das contrariedades.

Venho tendo alguma dificuldade em recomendar filmes. Neste caso, faço-o sem quaisquer reservas: pela autenticidade dos actores, pela intensidade dramática, pela ausência de cedências à vulgaridade e pela limpidez da mensagem.

Bella, direcção de Alejandro Monteverde, com Eduardo Verastégui e Tammy Blanchard.

Pedro Vaz Patto

Fonte: http://o-povo.blogspot.com

domingo, 22 de março de 2009

24 de Março - Dia do Estudante



Um pouco de história:

http://www.manuelgrilo.com/rui/artigos/crise.html

António Gedeão



António Gedeão (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), 1906-1997

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão

António Gedeão - poeta (1906-1997)

Professor de Química e Física, poeta, investigador, historiador, escritor, fotógrafo, pintor e ilustrador, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, filho de um funcionário dos correios e telégrafos, José Avelino da Gama de Carvalho e de uma dona de casa, Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, que tinha como grande paixão a literatura apesar de contar somente com a instrução primária, nasceu a 24 de Novembro de 1906 na Rua do Arco do Limoeiro (hoje Rua Augusto Rosa) na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta e num ambiente familiar tranquilo.

A sua mãe tendo uma grande paixão pela literatura transmitiu esse sentimento ao seu filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Físico-químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.

Começando por estagiar no liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusive, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

Laboratório de Física do Liceu Pedro NunesA dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou
conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento
Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.

O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho .E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto, após 40 anos de ensino, em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.
Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.
Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.

Fonte: http://www.romulodecarvalho.net/biografia.html

Dia Mundial da Poesia - 21 Março

“Peguem num poema e leiam-no. Não é preciso mais nada.”

Eugénio de Andrade, in Público, 21 de Junho de 2001

14 de Março - Dia Nacional da Poesia
21 de Março - Dia Mundial da Poesia

sábado, 14 de março de 2009

Batalha de Almofadas, Porto

Batalha de Almofadas, Porto

Antes de mais, fala desta batalha de almofadas a todas as pessoas que conheces. Isso inclui amigos e amigas, família e até mesmo o cão do vizinho. A diversão será proporcional ao tamanho da multidão, e para aumentar o tamanho da multidão é preciso espalhar a palavra! Percebes? Por isso, toca a berrar que nem uma senhora do Bolhão!

Para começar, os básicos:
-batalha de almofadas dia 4 de Abril de 2009, às 18h00 em ponto, nos Aliados
-tragam almofadas macias dentro de sacos ou mochilas, apenas as tirando cá para fora a poucos minutos das 18h00. Pontos extra se forem de penas.
-é proibido lutar com outros objetos pesados, assim como armadilhar as almofadas.
-só podes atacar quem tiver almofada, e caso peçam para parar, tu paras.
-a luta não tem hora marcada para acabar, apenas dependendo de nós.
-não deixem as almofadas para trás; temos que deixar o local minimamente limpo

Ok, agora os detalhes: Local, Data e Hora
A luta de almofadas será nos Aliados, no espaço abaixo da “piscina”, às 18h00 do Sábado de 4 de Abril de 2009.
A batalha começará às 18h00 em ponto (podem acertar o relógio pelo do blog), com um sinal sonoro, mas apareçam um pouco antes na zona, e atravessem a rua para o local indicado uns 5 minutos antes.
Quem for atropelado por atravessar a rua à pressa só nos irá estragar a diversão, por isso tenham juízo que se não... levam porrada!

Armamento
Cada soldado levará uma ou mais almofadas macias, escondidas em sacos ou mochilas, só as tirando quando faltarem 5 minutos para as 18h00 (para tornar a coisa mais inesperada a quem estiver de fora).
É estritamente proibido o uso de outras armas e objectos, assim como encher as almofadas de pedras e outras coisas pesadas.
Ganham pontos extra se trouxerem almofadas de penas (imaginem só a atmosfera de uma luta com milhares de penas a voar sobre as nossas cabeças...)

Regras de Combate
Só atacarás quem tiver almofadas, e pararás imediatamente se essa pessoa o assim pedir.
Também é pedido cuidado com quem estiver a fotografar ou a filmar o combate, ou seja, nada de almofadadas no braço que segura a máquina.
As pessoas vão sofrer ataques contínuos e simultâneos, logo não usem força excessiva.
Para quem usa óculos, tragam as lentes de contacto ou esforcem a vista. Caso isso não seja possível, tenham muito mas mesmo muito cuidado.
A batalha não tem hora final. Ela acabará quando acabar. Enquanto houver vontade, haverá guerra!
Mas quando esta acabar, o chão deverá ficar minimamente limpo. Cada um ficará responsável por trazer a sua almofada de volta, ou de deixar os seus restos mortais no contentor mais próximo, com as devidas honras, como é claro. Cada um ficará também responsável por assegurar que as almofadas “orfãs” não ficam no chão.
E que fique claro que não há nenhum significado nesta luta para além de expressarmos o nosso direito de usar os espaços públicos e dar vida a esta cidade. Por isso deixem as políticas e ideologias em casa. Haverá outras ocasiões para as manifestar. Divirtam-se simplesmente, de maneira estúpida e sem sentido :)

Documentação da Batalha
Sintam-se livres de fotografar ou filmar a luta de almofadas, mas tenham cuidado, porque vai haver muita gente com adrenalina a mais nas veias. Como já leram em cima, terão “protecção especial”, mas é impossível assegurar que tudo vá correr bem, por isso protejam as máquinas como se não houvesse amanhã.
Mas não deixem que isto vos desencoraje, porque, acreditem, fotos e vídeos desta luta serão perfeitos para deixar os amigos que não vieram com inveja, além de que vos trarão boas recordações nos anos vindouros.
Ah, e se não for pedir muito, partilhem as fotos e vídeos com o pessoal.
Usem o Flickr e o Youtube, por exemplo, e mandem os links para este blog, para que toda a gente os possa ver!

Encontros com os Media
Caso sejam apanhados por um jornalista, vocês não sabem de nada. Digam que acabaram de comprar uma almofada para a casa e que ao passar pelos aliados decidram-se juntar aos outros. Digam que estavam dormir num dos bancos quando tudo começou. Digam o que disserem, inventem e tenham piada.
Também deverão-se comportar assim com as pessoas “normais”.
E caso alguém diga que não se pode fazer aquilo, saibam que temos direito a juntar-nos em espaços públicos, eles são nossos, afinal de contas. Os tempos de Salazar há muito que ficaram para trás, e é bom que as pessoas saibam isso.

E...
Apareçam, que isto é para ser memorável :)

Fonte: http://invictados.blogspot.com/

domingo, 8 de março de 2009

Uma Grande Mulher

Dia Internacional da Mulher - 8 de Março de 2009

Se os direitos de todos fossem respeitados, principalmente os das crianças e das mulheres, não era preciso haver dias nacionais ou internacionais.

Um caso de amor e coragem no México:

video

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Miguel Loureiro contesta o silêncio dos pediatras e pedopsicólogos sobre os malefícios do prolongamento dos horários lectivos das crianças

Miguel Loureiro contesta o silêncio dos pediatras e pedopsicólogos sobre os malefícios do prolongamento dos horários lectivos das crianças e redução dos "recreios" e actividades livres
Uma coisa que me deixou espantado, desde que vieram as "aulas de substituição", é o silêncio dos psiquiatras, psicólogos, pediatras, sociólogos e teóricos da educação face a tudo o que são verdades vivenciadas por cada um de nós e indesmentíveis por qualquer estudo ou medida administrativa.

1. Em criança, eu, e todos os colegas, do que mais gostávamos da escola era dos intervalos e dos "feriados";
2. ainda hoje, como professor, quando ouço colegas dizerem que gostam muito de dar aulas, eu contrario sempre, dizendo que gosto ainda mais dos intervalos;
3. sempre guardei a esperança de que os alunos acabariam por recusarem as substituições, mas inexplicavelmente, aguentaram-se;
4. claro que, com a compressão de horas a fio das aprendizagens formais, a descompressão tem que surgir de qualquer forma, e sai como indisciplina;
5. não é preciso recorrer a estudos (que são bem-vindos) para se saber o que é mais saudável e nem sequer falo nas vantagens para a aprendizagem, mas para se ser feliz;
6. o nosso Agostinho da Silva dizia que o homem não nasceu para trabalhar, mas para viver! Se os horários do Pré-escolar e do 1º Ciclo estão adaptados à idade da criança, que venha o primeiro mestre comprová-lo! Se a ausência dos pais a tempo inteiro é a melhor forma de educar, que venha o primeiro mestre comprová-lo! Se a redução ou eliminação dos recreios e dos "feriados" faz bem a alguma criança, que venha o primeiro mestre comprová-lo!
Mas a vida continua a andar ao contrário por causa do silêncio dos doutos especialistas.

Miguel Loureiro

In http://www.profblog.org/