terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal



Um Santo Natal e um excelente Ano Novo para todos!

Conto de Natal

Lá vai ser Natal outra vez! Este ano onde é que vocês celebram as festas? - Vai ser em casa da tia Maria, como de costume. - Como sabes? Já falaste com ela?

- Não, mas é sempre assim. Nem é preciso dizer.

- Pobre tia Maria! Como é tão boa, como está sempre disponível e pronta para todos, já nem se dão ao trabalho de lhe perguntar, de lhe pedir, de a envolver na decisão. Ela, precisamente porque é tão boa, é tomada como garantida, automática, com quem não é preciso perder tempo. Tu vais gastar mais esforços a convencer o primo Augusto a ir à Consoada, porque ele é um resmungão e gosta de se fazer caro, do que com a tia Maria, de quem realmente tudo depende, mas a quem ninguém liga, só porque é excelente.

- Tens razão. Mas é natural, não?

- Natural? Talvez. Mas é uma vergonha.

- Sabes, estava aqui a pensar que isso é exactamente o que nós fazemos com Deus. Nós contamos com o Natal todos os anos. Faz parte do calendário. Nem sequer nos damos ao trabalho de Lhe perguntar se este ano vai haver Natal. Nunca nos damos ao trabalho de inquirir se o Deus todo-poderoso, Senhor do Céu e da Terra, quer este ano voltar a nascer na nossa vida. Como Deus é tão bom, as pessoas tendem a dá-lO como garantido. Nem se lembram de Lhe perguntar, de Lhe pedir, de O envolver na decisão. Isso, tens razão, é uma coisa horrível.

- É verdade! A nossa falta de atenção nasce precisamente de o amor atento e disponível se tornar invisível. Invisível porque sempre presente. Está lá sempre e já não o vemos. Mas a nossa falta de atenção magoa imenso a tia Maria, que se esfalfa a trabalhar para nos ser agradável, e vê os seus esforços considerados como normais, banais, exigíveis. É um grande pecado esquecer--se de agradecer aquilo que é um dom tão indispensável que nem sequer damos por ele.

- Sim. Não há nada pior do que tratar Deus como se trata o sol ou a chuva. Deus faz "nascer o sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos" (cf. Mt 5, 45). Mas Ele não é como o sol ou a chuva. Tratar Deus como se fosse um relógio sempre certo, como o sol, ou uma força caprichosa e incontrolável, como a chuva, é o pior dos pecados. Deus, que é amor, supremo amor, não quer ser tomado, não pode ser tomado como o sol ou a chuva.

- Deus, porque nos ama infinitamente, dá-nos sempre o Natal, como nos dá o sol e a chuva. Mas não quer ser tratado como se fosse uma força da natureza ou um mecanismo cego e automático. Deus não pode ser tratado como um engenho que se repete sucessivamente. Porque tudo o que faz é por amor. Ele é amor perfeito, e por isso podemos contar sempre com Ele. Mas, por isso mesmo, nunca o devemos dar por adquirido, nunca o podemos assumir como garantido. Não o podemos desprezar precisamente porque é perfeito.

- Se ao menos nós O víssemos! Com Deus é ainda pior do que com a tia Maria, porque a ela a gente vê. Mas no caso de Deus só vemos o sol e a chuva. Por isso tantos O esquecem.

- Mas não é isso o Natal? Deus, o Deus sublime e transcendente acima da nossa capacidade de compreensão, faz-se um de nós. Desce ao nosso nível para se fazer visível. Tinha anunciado pacientemente, através de uma longa linha de profetas e preparado o momento. Depois, quando veio, fez milagres espantosos, curou, ressuscitou, multiplicou os pães, andou nas águas. Que mais poderia Ele fazer para ser visto?

- E que resposta terrível lhe deram aqueles que tinham sido preparados para a vinda d'Ele!

- Vês que afinal o problema não é que não O possamos ver, porque quando O vimos ainda fizemos pior. Mas, depois de condenado, crucificado, morto, Ele continua visível. Visível na Igreja, na caridade com os pobres, na oração, na Eucaristia. A dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza não querem ser mais visíveis do que são.

- Tens razão. O problema não é que não O vemos. O problema, como com a tia Maria, é que não O queremos ver.

- No entanto, como a tia Maria, Deus nunca é tão visível como no Natal. Porque é aí que se vê plenamente a dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza.

O espanto do Natal

Nós que todos os anos vivemos o Natal perdemos o espanto perante o Natal. Essa é uma das piores coisas que pode acontecer a quem vive todos os anos o Natal. De facto, aqueles que participam com fervor na celebração anual do Natal sentem muitas emoções acerca dele, desde a elevação espiritual à indignação perante o consumismo e o desinteresse da sociedade. Mas raramente sentem aquilo que é o mais adequado perante o mistério natalício: o espanto.
O espanto principal vem, naturalmente, do próprio acontecimento que se celebra: que Deus omnipotente, que não cabe nos Céus, tenha decidido descer até nós e nascer como um menino, é algo de inaudito, inconcebível, quase inacreditável. Este é o mistério central da nossa fé cristã, mas dificilmente o conseguimos entender, quanto mais descrever, de tal forma ele ultrapassa tudo o que podemos imaginar. Vivemos todos os dias com ele, mas não somos capazes de compreender aquilo em que baseamos a nossa própria vida. O nosso Deus é, sem dúvida, espantoso!
Mas, mesmo se olharmos o Natal de fora, ele é uma festa absolutamente assombrosa. Se virmos o Natal como alguém que nada sabe sobre ele, se o considerarmos sem referência ao seu significado espiritual, temos de admitir que se trata de um fenómeno impressionante.
Ele é a única festa verdadeiramente global que o mundo alguma vez viu. O Natal atravessa todas as fronteiras e culturas. Existem, sem dúvida, muitas pessoas a quem o Natal nada diz, mas é difícil encontrar alguém que não saiba que ele existe.
Por outro lado, todos falam do "espírito natalício" mesmo quando ignoram o tal significado espiritual. De múltiplas maneiras e formas, os meios agnósticos, pagãos e até ateus se sentem tocados por uma mística que não sabem de onde vem. "Festa da família", "tradição popular", "quadra da solidariedade", "reino do Pai Natal" são maneiras comuns de descrever aquilo que ninguém consegue explicar, mas que todos sentem palpavelmente nesta quadra.
Os fenómenos espantosos que rodeiam o Natal são muitos mais. Por exemplo, trata-se da única celebração de aniversário que se verifica há mais de 2000 anos. Mas vale a pena pensar um pouco de onde vem esta surpreendente realidade. Se aquele que nada sabe sobre o Natal quiser entender a origem daquilo que tanto o surpreende, onde deve ele procurar a resposta? Que lhe podemos dizer nós, aqueles que todos os anos vivemos o Natal e participamos com fervor na sua celebração?
Bem, esta questão levar-nos-ia muito longe. Alguns refeririam dados sociológicos, históricos e etnográficos. Falariam da influência planetária da civilização ocidental, do gosto das culturas pelos presentes e pelas festas e de muitas outras coisas. Mas não existem muitas dúvidas que a razão última do fenómeno vem, simplesmente, do facto indiscutível que o nosso Deus é espantoso. O Deus que fez as girafas e os cometas, que concebeu a aurora e as trovoadas, que imaginou as galáxias e os seres humanos, só Ele poderia inventar uma coisa como o Natal.

João César das Neves
Agência Ecclesia, 081223

domingo, 14 de dezembro de 2008

Querem-nos roubar o Natal...

«Bom dia»

9 de Dezembro de 2008



Querem roubar-Te o Natal, Senhor.

Querem ficar com a festa,

mas não querem convidar o festejado.



Querem a árvore de Natal, mas esquecem a sua origem;

querem dar e receber presentes,

mas esquecem os que os Magos Te levaram a Belém;

querem cantos de Natal,

mas esquecem os que os Anjos Te cantaram naquela noite abençoada.

Até a São Nicolau o disfarçaram de "pai Natal".



Querem as luzes e o feriado, o peru e as rabanadas;

Querem a Ceia de Natal

mas já não vão à Missa do Galo,

nem Te adoram feito Menino nas palhinhas do Presépio.



Quando se lembram estas coisas e o facto que lhes deu origem

diz-se que "o Natal é todos os dias",

mas não se dispensa esta quadra de consumo e folguedos.



No meio de toda esta confusão deseja-se a paz e a fraternidade,

mas esquecem que só Tu lhes podes dar.



E a culpa de tudo isto ser assim… é também minha

que alinho nesta maneira pouco cristã de celebrar o teu nascimento.



Se desta vez eu der mais a quem tem menos

e comprar menos para quem já tem quase tudo…

se em vez de me cansar a correr de loja em loja

guardar esse tempo para parar diante de Ti…



Se neste Natal fores mesmo Tu a razão da minha festa…

as luzes e os cantos, o peru e as rabanadas, os presentes e a até o Pai Natal

me falarão de Ti e desse gesto infinito do Teu Amor

de teres viindo ao meu encontro nessa noite santa do teu Natal.



Rui Corrêa d'Oliveira – "Bom dia" – Canal Sim RR –08.12.2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cara Mãe e Caro Pai...

EM CONSCIÊNCIA E COM AMOR PELOS SEUS FILHOS DECIDA O QUE DEVE EXIGIR AOS NOSSOS GOVERNANTES:

• UMA ESCOLA ONDE OS PAIS DEPOSITEM OS SEUS FILHOS ÀS 08H00 E OS RECOLHAM ÀS 18H30
• UMA ESCOLA QUE TEM COMO FUNÇÃO ALIVIAR OS PAIS DO FARDO DE EDUCAREM OS SEUS FILHOS PORQUE ESTE GOVERNO OS OBRIGA A TRABALHAR DAS 08H00 ÀS 18H00
• UMA ESCOLA ONDE OS ALUNOS QUE NÃO QUEREM APRENDER NÃO DEIXEM OS QUE QUEREM APRENDER
• UMA ESCOLA EM QUE O FACILITISMO E IMPUNIDADE AUMENTEM A CADA DIA
• UMA ESCOLA QUE TENHA COMO FUNÇÃO FORMAR CIDADÃOS COM DIPLOMAS QUE MAIS NÃO SERVEM DO QUE MOSTRAR ESTATISTICAMENTE QUE SOMOS UM PAÍS DE “CHICOS” ESPERTOS

OU

• UMA ESCOLA DE EXCELÊNCIA ONDE OS ALUNOS QUE QUEIRAM APRENDER POSSAM APRENDER SEM SEREM PREJUDICADOS PELOS QUE NÃO QUEREM APRENDER
• UMA ESCOLA QUE TENHA COMO FUNÇÃO FORMAR CIDADÃOS SÉRIOS, RESPONSÁVEIS E COMPETENTES
• UMA ESCOLA QUE NÃO SUBSTITUA A FUNÇÃO EDUCATIVA DOS PAIS E QUE, COMO NA FINLÂNDIA, PERMITA OS PAIS ASSUMIREM O SEU PAPEL E AS CRIANÇAS/JOVENS TEREM TEMPO PARA A FAMÍLIA E SOCIEDADE.

EU SOU PAI, E TAMBÉM PROFESSOR, E EXIJO AOS GOVERNANTES DO MEU PAÍS:

• TEMPO PARA SER PAI
• TEMPO PARA BRINCAR E ESTUDAR COM AS MINHAS 4 FILHAS
• TEMPO PARA PASSEAR COM A MINHA FAMÍLIA
• TEMPO PARA QUANDO CHEGAR A CASA AINDA PODER VER AS MINHAS FILHAS ACORDADAS
• TEMPO PARA AOS FINS-DE-SEMANA NÃO TER QUE FICAR EM CASA A CORRIGIR TESTES E PREPARAR AULAS, PORQUE AS MINHAS FILHAS TÊM DIREITO A TER PAIS COMO AS OUTRAS CRIANÇAS

POR ISTO TUDO, CARA MÃE E CARO PAI, PRECISO DA VOSSA AJUDA PARA JUNTOS EXIGIRMOS UMA SOCIEDADE JUSTA, EQUILIBRADA, SEM MENTIRA POLÍTICAS E COM VERDADEIRO DIREITO A VIVER EM FAMÍLIA.

PORQUE A FAMÍLIA É A BASE (DEVERIA SER) DE UMA SOCIEDADE PRÓSPERA E DESENVOLVIDA!!!

MUITO OBRIGADO.
EDUARDO CUNHA
PROFESSOR DE MATEMÁTICA DA ES BARCELOS

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

80º aniversário da fundação do Opus Dei - 2 de Outubro de 2008

O Opus Dei é uma instituição da Igreja Católica, fundada por São Josemaria Escrivá de Balaguer.

A sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade. O Opus Dei colabora com as igrejas locais, organizando encontros de formação cristã (aulas, retiros, atendimento sacerdotal) destinados a quem tenha o desejo de renovar a sua vida espiritual e o seu apostolado.

Algumas Actividades:

Direcção espiritual, retiros, palestras doutrinais e aulas de catecismo são algumas das actividades que o Opus Dei organiza para ajudar as pessoas que desejam melhorar a vida espiritual e o compromisso evangelizador. Realizam-se em centros do Opus Dei, em igrejas e paróquias, no domicílio de algum dos participantes, e estão abertas a qualquer pessoa.

São postos à disposição dos cooperadores meios de formação análogos, bem como dos jovens que participam no trabalho apostólico, e de qualquer pessoa que desejar recebê-los.

«A actividade principal do Opus Dei consiste em dar aos seus membros e a quem o desejar os meios espirituais necessários para viverem como bons cristãos no meio do mundo», explicava o fundador.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A Evolução da Educação

Pedro Ribeiro fala da situação dos professores, da educação, da evolução, da Ministra e dos psicólogos infantis.



Fonte: Os Incorrigíveis

O valor de uma dona de casa

Um homem chegou em casa, após o trabalho, e encontrou seus três filhos

brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.

Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida

entregue em casa.

A porta do carro da sua esposa estava aberta.

A porta da frente da casa também.

O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.

Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça.

A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e

encostado na parede.

Na sala de estar, a televisão ligada berros num desenho animado

qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.

Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da

manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no

chão e até um copo quebrado em cima do balcão.

Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.

Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos

espalhados e de peças de roupa suja.

'Será que a minha mulher passou mal?' ele pensou.

'Será que alguma coisa grave aconteceu?'

Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro.

Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas,sabonete

líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia.

A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira

transbordando água e espuma.

Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher

ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista.

Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou: - Que diabos

aconteceu aqui em casa?

- Por que toda essa bagunça?

Ela sorriu e disse:

- Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta:

- Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?
- Bem... Hoje eu não fiz nada, FOFO !!!!

Educadores vs professores - Duas histórias...

Duas histórias:

1ª.

Num liceu no Porto estava a acontecer uma coisa muito fora do comum. Um 'bando' de miúdas de 12 anos andava a pôr baton nos lábios, todos os dias, e para remover o excesso beijavam o espelho da casa de banho. O Cons.Exec. andava bastante preocupado, porque a funcionária da limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao fim do dia e no dia seguinte lá estavam outra vez as marcas de baton.

Um dia, um professor juntou as miúdas e a funcionária na casa de banho e explicou que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam e, para demonstrar a dificuldade, pediu à empregada para mostrar como é que ela fazia para limpar o espelho.

A empregada pegou numa 'esfregona', molhou-a na sanita e passou-a repetidamente no espelho até as marcas desaparecerem.

Nunca mais houve marcas no espelho...

Há professores educadores...


2ª.

Numa dada noite, três estudantes universitários beberam até altas horas e não estudaram para o teste do dia seguinte.

Na manhã seguinte, desenharam um plano para se safarem. Sujaram-se da pior maneira possível, com cinza, areia e lixo. Então, foram ter com o professor da cadeira e disseram que tinham ido a um casamento na noite anterior e no seu regresso um pneu do carro que conduziam rebentou.
Tiveram que empurrar o carro todo o caminho e portanto não estavam em condições de fazer aquele teste.
O professor, que era uma pessoa justa ,disse-lhes que fariam um teste-substituição dentro de três dias, e que para esse não havia desculpas. Eles afirmaram que isso não seria problema e que estariam preparados.
No terceiro dia , apresentaram-se para o teste e o professor disse -lhes com ar compenetrado que, como aquele era um teste sob condições especiais , os três teriam que o fazer em salas diferentes.
Os três, dado que tinham estudado bem e estavam preparados, concordaram de imediato.
O teste tinha 5 perguntas e a cotação de 20 valores.

Q.1. Escreva o seu nome ------- ( 0.5 valores)
Q.2. Escreva o nome da noiva e do noivo do casamento a que foste há quatro dias atrás ------------(5 valores )
Q.3. Que tipo de carro conduziam cujo pneu rebentou.----( 5 valores)
Q.4 . Qual das 4 rodas rebentou ----------- ( 5 valores )
Q.5. Qual era a marca da roda que rebentou ------ (2 valores)
Q.6. Quem ia a conduzir? --------- (2.5 valores)

Há professores educadores...

Sobre a Vírgula

1. Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

2. Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

3. Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

4. Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

5. E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

6. Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

7. A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

- Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
- Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Composição de um aluno de 9º ano - Curso CEF...

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.*

*Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?

E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.

Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e merdas dexicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé! tarei a inzajerar?

Isto é que são novas oportunidades...
Estes alunos nem costumam ter esferográfica, quanto mais cadernos e livros (meterial básico)
E estudar? Dá muito trabalho!
É sempre melhor viver de subsídios, há sempre portugueses que pagam impostos, não há? Burros...

sábado, 13 de setembro de 2008

Moral de uma história imoral

A disparatada ideia de um matrimónio indissolúvel esteve em voga nos últimos dois mil anos. Modernamente, achou-se que era muito monótono um casamento para sempre e, por isso, inventou-se o casamento a prazo, ou seja, precário.

Ao princípio, a lei entendia dever proteger os interesses dos filhos e do cônjuge contra os quais era pedido o divórcio. Mas como um tal conceito de culpa ou de responsabilidade parecia contrário à moralidade laica, entenderam agora os deputados que o matrimónio deve ser revogável em qualquer caso, mesmo a pedido do cônjuge faltoso. Esta moderna liberdade democrática mais não é, portanto, do que uma nova versão do antigo repúdio.

A possibilidade do despedimento do cônjuge, sem necessidade de nenhuma razão, não tem contudo paralelo na legislação laboral, onde se exige que a entidade patronal seja mais respeitosa dos direitos dos seus assalariados. Quer isto dizer, em poucas palavras, que o patrão pode agora mandar bugiar a sua patroa sem necessidade de se justificar e até mesmo depois de a ter sovado, mas já não pode despedir com a mesma liberalidade a sua secretária pois, para um tal desatino, a lei exige-lhe uma justa causa.

A incongruência entre os dois regimes legais é de feição a concluir que o Estado prefere as empresas às famílias; ama mais o lucro do que a moral. Mas também ensina que quem quiser uma duradoira relação pessoal deve optar pelo contrato de trabalho e nunca pelo matrimónio, do mesmo modo como, quem pretenda um vínculo contratual facilmente rescindível, deve casar-se e nunca enveredar por um contrato laboral.

Quer estabelecer uma relação estável, com uma pessoa do outro sexo, contando para o efeito com todas as garantias legais? Pois bem, estabeleça com essa pessoa um contrato de trabalho e fique descansado, porque o Estado vai assegurar o fiel cumprimento desse pacto, ao contrário do que aconteceria se com ela casasse, porque o matrimónio é um vínculo tão precário que nem sequer se necessita nenhuma razão para proceder à sua extinção.

Se o problema é, pelo contrário, conseguir uma pessoa que assegure o serviço doméstico, sem perder a possibilidade legal de a despedir se a sua prestação não for satisfatória, mesmo que a lei não contemple esse caso para a rescisão do respectivo contrato laboral, a solução é simples: recorra a uma pessoa do outro sexo e case-se com ela, pois mesmo que não tenha qualquer razão que justifique legalmente o seu despedimento, o Estado garantirá a possibilidade de dela se divorciar quando e como quiser.

Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! Quer uma relação precária, de que se possa desembaraçar quando quiser e sem necessidade de nenhuma causa justa? Case, pois não há vínculo jurídico mais instável no sistema jurídico português!

Moral desta história imoral: empregue a pessoa que escolheu para parceiro de toda a sua vida e case com a sua mulher-a-dias!

Gonçalo Portocarrero de Almada*

*Sacerdote, licenciado em Direito e doutorado em Filosofia.

Madonna - o presente

Madonna - passado recente

Madonna

Inteligente e polémica, a rainha da pop está de volta a portugal, mantendo-se em plena forma aos 50 anos.
Que pena não ter vindo actuar ao Porto.

Madonna Louise Veronica Ciccone Ritchie (Bay City, Michigan, 16 de Agosto de 1958), conhecida simplesmente como Madonna, é cantora, compositora, dançarina, produtora musical e cinematográfica, actriz e escritora. Vencedora de nove Prémios Grammy, e de um Globo de Ouro e dois Oscar. Em 11 de Março de 2008, Madonna entrou para Hall da Fama do Rock and Roll título americano cedido aos artistas que fazem história e têm grande importância e influência no mundo da música por no mínimo 25 anos. Madonna adquiriu muitos prémios ao longo de sua carreira e estes somam um pouco mais de 120, sendo uma das cantoras mais premiadas no mundo da música, segundo a Agência FamaPress. Madonna é mais conhecida pelas polémicas que causa ao misturar temas políticos, sexuais e religiosos à sua obra.

Desde o início de sua carreira em 1982, Madonna tem lançado vários discos e singles e vendeu mais de 280 milhões de álbuns e 160 milhões de singles no mundo inteiro, tornando-se a cantora que mais vendeu na história da música mundial: são mais de 440 milhões de cópias vendidas no total. Em 2006, a Billboard divulgou que a sua turnê de 2006, Confessions Tour, é a turnê feminina que mais arrecadou na história. De acordo com o Guinness Book of Records e com a Revista Forbes, ela é a cantora mais rica do mundo com uma fortuna estimada em 850 milhões de dólares americanos e o Guinness Book of Records, listou Madonna como a Artista Feminina mais Bem Sucedida de Todos os Tempos.

Madonna é chamada constantemente por "Material Girl" e "Rainha do Pop", devido às suas vendas notórias e sua influência inigualável na história da música.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Alvin Toffler comenta o Sistema de Educação actual

PROJECTO MiudosSegurosNa.Net LANÇA WORKSHOP "Hi5 PARA PAIS"

Aprender a Usar as Redes Sociais em Segurança
Promover a Segurança dos Jovens Nas Redes Sociais


Tito de Morais, Fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net
( http://www.miudossegurosna.net/ ), anunciou hoje o lançamento dos
Workshops "hi5ParaPais", uma iniciativa que visa ajudar os
adultos a promover, junto de jovens pré-adolescentes e
adolescentes, a utilização em segurança de redes sociais como o
Hi5. Uma edição desta série de workshops terá lugar já no
próximo dia 27 de Setembro, na cidade do Porto, percorrendo
depois os restantes Distritos do Continente e Regiões Autónomas.

Estes eventos são workshops práticos de um dia (manhã e tarde),
têm lugar ao Sábado e segundo Tito de Morais, "visam
familiarizar os adultos - pais, encarregados de educação,
professores e outros profissionais que lidam habitualmente com pré-
-adolescentes e adolescentes - com a segunda expressão mais
pesquisada pelos internautas nacionais, com nome do site a que
os portugueses dedicam mais tempo quando navegam na Internet a
partir de casa e aquele que lidera o ranking nacional em termos
de páginas visitadas - o hi5".

Estes workshops podem ainda ser frequentados por jovens pré-
-adolescentes ou adolescentes, desde que acompanhados pelos
respectivos pais ou encarregados de educação. No entanto, para
este público, a partir de Setembro, o Projecto
MiudosSegurosNa.Net oferecerá acções de sensibilização
especificamente pensadas para alunos das Escolas dos 2º e 3º
ciclo de ensino e Escolas Secundárias, versando a temática da
segurança nas redes sociais.

Através de uma abordagem prática, do tipo "mãos na massa", e
colocando uma tónica nos aspectos relacionados com a segurança,
os workshops "hi5ParaPais" visam ajudar os adultos a
descodificar o hi5. Transformando os participantes em
utilizadores minimamente experientes e conhecedores de todas as
funcionalidades deste rede social, estes workshops visam ajudar
os adultos a ajudar jovens pré-adolescentes e adolescentes a
maximizar os benefícios e minimizar os aspectos negativos que
podem resultar da utilização desta e doutras redes sociais.

De uma forma genérica, nestes workhops os participantes
aprenderão:
- O que é o hi5, a quem se destina e como funciona
- Quais os principais benefícios da utilização do hi5
- Quais os principais riscos associados à utilização do hi5
- Como minimizar esses riscos e usar o hi5 em segurança
- E muito, muito, muito mais!!

A primeira edição dos Workshops "hi5ParaPais" realizar-se-á na
cidade do Porto, já no próximo dia 27 de Setembro de 2008. Os
potenciais interessados em participar nesta edição e em futuras
edições a ter lugar neste Distrito, podem obter mais informações
e registar-se em http://snipurl.com/32iac.

Os Workshops "hi5ParaPais" percorrerão depois as restantes
capitais de Distrito do país. Nesse sentido estão já previstas
edições para Lisboa e Aveiro, em Setembro e Outubro,
respectivamente. Registam-se também já pré-inscrições Beja,
Braga, Bragança, Castelo-Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda,
Leiria, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e
Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Todos os potenciais
interessados podem manifestar o seu interesse em participar na
iniciativa no seu Distrito, a partir de http://snipurl.com/26fb8

Lançado em 2003, MiudosSegurosNa.Net é um projecto familiar que
ajuda Famílias, Escolas e Comunidades a promover a utilização
ética, responsável e segura das tecnologias de informação e
comunicação por crianças e jovens. O Projecto MiudosSegurosNa.Net
guia-se pela visão de uma sociedade onde as famílias, as escolas
e a comunidade em geral trabalham em conjunto para minimizar os
riscos de segurança a que as crianças e os jovens estão expostos
através da utilização das tecnologias de informação e
comunicação, no sentido de lhes permitir maximizar os benefícios
que estas têm para oferecer, de uma forma ética, responsável e
segura e no respeito pelos direitos, liberdades e garantias
consagrados na lei. Mais informações sobre o Projecto
MiudosSegurosNa.Net podem ser obtidas visitando o respectivo
website em http://www.MiudosSegurosNa.Net.

Fonte:

terça-feira, 9 de setembro de 2008

SOS - Professores colocados

Vejam só como se faz humor com a sorte dos Professores...



Obrigada Maria Rosa!

Um testemunho de coragem, de perseverança e de esperança!

Profª Fátima André, desculpe mas não resisti.

O fim das férias

O início do tormento... papeis, papeis, reuniões e mais reuniões. E tempo para preparar aulas, avaliação de alunos, documentos, avaliação de Profs e... a família?!

O fim das férias!

Convém lembrar que não existe nada gratuito. A escolaridade em si mesma custa muitíssimo dinheiro aos portugueses

Da relevância política da portaria da bolacha Maria!
PÚBLICO

09.09.2008, Helena Matos, Jornalista

Se alguma vez tivéssemos de escolher um símbolo para a incontinência legislativa com que os sucessivos governos têm procurado melhorar a vida daqueles que definem como mais desfavorecidos creio que nada suplantaria a portaria da Bolacha Maria.
Dada à luz a 30 de Setembro de 1974, a dita portaria procurava aplicar os conceitos da luta de classe ao reino das bolachas e biscoitos, que é como quem diz criar um regime de preços máximos de venda para a bolacha Maria dado que esta, explicava o legislador, ao contrário de outros tipos de biscoitos, era consumida "em especial pelas classes de menores rendimentos". E assim, a 30 de Setembro de 1974, no preciso dia em que Spínola resignava e Costa Gomes era nomeado Presidente da República, um membro do Governo legislava impassível sobre os preços máximos da bolacha Maria e, em abono da verdade, diga-se também que da bolacha de água-e-sal e das tostas. Como o Governo caiu nesse mesmo dia, o legislador já não teve tempo para regulamentar sobre outros assuntos cruciais para a vida dos portugueses, tais como o universo burguês do sortido húngaro e quiçá estabelecer quotas de acesso ao bolo de arroz. Mas pode essa preclara alma dar-se por satisfeita: o argumento da defesa dos mais desfavorecidos, sobretudo se engalanado dumas vestes de progresso, justifica toda a legislação em Portugal, incida ela sobre as bandeiradas dos táxis, a data do início dos saldos ou a distância mínima a que, na pesca amadora, os pescadores devem deixar as respectivas canas umas das outras.
Tal como aconteceu no dia 30 de Setembro de 1974, muita desta legislação que se apresenta como uma correcção das injustiças - e admitindo que trincar bolacha Maria faz parte do rol dos direitos que cada um traz à nascença - nasce em momentos de grande crise, logo torna-se anedótico, quando não grotesco, cruzar essa legislação com os acontecimentos que a História regista desses mesmos dias: a 30 de Setembro de 1974, Portugal viveu uma das situações mais graves da sua História recente, mas tabelar a bolacha Maria surgiu como essencial a um membro do Governo de então. Infelizmente, esta esquizofrenia está longe de se restringir às dinâmicas revolucionárias - como aconteceu em 1974, em Portugal - sendo mesmo estrutural na elaboração das estratégias políticas dos partidos que fazem as democracias. O exemplo mais próximo desta linha de actuação é o actual Governo espanhol que, perante a ameaça duma grave crise económica, se entretém a anunciar como medidas fundamentais para os próximos meses a alteração à legislação sobre o aborto e o suicídio assistido, vulgo eutanásia. Um guião de humor negro não faria melhor, mas até agora esta agenda de fatalismo progressista tem conseguido preencher o vazio ideológico e proporcionar bons resultados eleitorais. Em Portugal também lá chegaremos, sendo que aos assuntos do costume ainda temos para adicionar a temática da regionalização, assunto mediaticamente precioso num país que, na prática, não consegue sequer actualizar o mapa das suas freguesias.
Por agora, e embora já em contagem decrescente para entrarmos nessas polémicas, o que ocupa as medidas sucessoras da portaria da bolacha Maria são os apoios escolares. Para este ano lectivo anunciam-se mais refeições gratuitas, mais livros gratuitos e um maior número de alunos abrangidos pelo princípio da gratuitidade. Em primeiro lugar conviria lembrar que não existe nada gratuito. E os primeiros a quem tal deve ser recordado são precisamente o Governo que se compraz, qual aristocrata caritativo, a anunciar tanta gratuitidade como àquelas organizações como o Fórum Não Governamental para Inclusão Social que nunca se sabe quem representam e muito menos o que fazem, mas que, imbuídas duma espécie de superioridade moral, exigem ciclicamente uma escolaridade obrigatória "realmente gratuita". Todos aqueles livros e demais material, além da própria escolaridade em si mesma, custam muitíssimo dinheiro aos portugueses.
Também às famílias o valor deste apoio deve ser recordado. Como aliás devia ser dado aos utentes o valor real de cada consulta num centro de saúde, dos tratamentos nos hospitais públicos, das refeições nas cantinas escolares, etc. Porque não só o gratuito não existe como muito provavelmente, ao transformá-lo numa espécie de prémio de presença para aqueles que agora se chamam carenciados, se está a contribuir para que estes não valorizem a escola. Seria, por exemplo, interessante avaliar, a meio do ano escolar, o estado de conservação e utilização de muitos destes livros e material supostamente gratuitos. Como também seria importantíssimo cruzar os dados destes apoios com os dos resultados escolares. Talvez então se percebesse que, na escolaridade obrigatória, a maior parte dos alunos não tem maus resultados por não ter material escolar ou os manuais. (No caso destes últimos, a sua ausência em algumas disciplinas, como o Português, seria até uma bênção!).
O melhor apoio escolar é uma escola que funcione bem, seja exigente com todos os seus alunos e não trate aqueles que rotula como mais pobres - e que nem sempre o são na realidade - como crianças de quem há menos a esperar, tanto no comportamento como na avaliação. E naturalmente uma escola que seja respeitada para o que é essencial que os seus alunos saibam que custa muito dinheiro. Logo é um privilégio poder frequentá-la sem pagar.
É fácil, à distância de três décadas e meia, concluir que, em Setembro de 1974, tabelar a bolacha Maria era absolutamente irrelevante perante os reais problemas que os portugueses enfrentavam então. Provavelmente o mesmo se vai dizer dentro de alguns anos de toda a parafernália que, ano a ano, se anuncia para combater o insucesso escolar, particularmente o insucesso dos filhos dos mais pobres. Mas até lá temos ainda muita bolacha Maria para trincar e muita legislação de apoio às "classes de menores rendimentos" para digerir.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Matrimónio a sério

Na mensagem que enviou à Assembleia quando vetou a lei do divórcio, o Presidente da República afirmou que o decreto «introduz uma alteração muito profunda no regime jurídico do divórcio actualmente vigente em Portugal e contém um conjunto de disposições que poderão ter, no plano prático, consequências que, pela sua gravidade, justificam uma nova ponderação». O Presidente tem razão, mas só ele parece preocupado com isso.

A lei do divórcio foi aprovada no Parlamento num ápice, sem grande interesse ou debate, perante apatia generalizada nos jornais, políticos e sociedade. Ninguém se preocupou com ela, nem dentro nem fora da Assembleia, nem então nem agora que a lei está vetada. Haveria muito mais comoção se as mudanças tivessem sido nos contratos de trabalho, arrendamento ou até no trânsito. Será que a família hoje não interessa a ninguém?

Não. O interesse pela família é o mesmo de sempre. O que acontece é algo muito diferente. Durante séculos o matrimónio era uma questão religiosa e o único casamento que existia era católico. Diante de Deus e da Igreja os esposos prometiam verdadeira fidelidade. Aí era a sério.
O casamento civil foi criado por Mouzinho da Silveira em 1834, mas só funcionou após 1911 com Afonso Costa.

Hoje, passado menos de um século, é o próprio Estado a desqualificar essa sua instituição. Se esta lei passar ficará mais fácil trocar de esposo que de contador da água. Afinal, o casamento civil é descartável. Estamos a voltar à situação normal de sempre: apenas o matrimónio religioso tem algum significado.

João César das Neves

Fonte:

Beata Teresa de Calcutá - 5 de Setembro

Madre Teresa de Calcutá, cujo nome verdadeiro é Agnes Gonxha Bojaxhiu, (Skopje, 27 de Agosto de 1910 — Calcutá, 5 de Setembro de 1997) foi uma missionária católica albanesa, nascida na República da Macedónia e naturalizada indiana beatificada pela Igreja Católica.
Considerada a missionária do século XX, concretizou o projecto de apoiar e recuperar os desprotegidos na Índia. Através da sua congregação "Missionárias da Caridade", partiu em direcção à conquista de um mundo, que acabou rendido ao seu apelo de ajudar o mais pobre dos pobres.

Aqui fica a minha homenagem a uma grande santa. Rezemos a oração:

Beata Teresa de Calcutá,

no teu desejo fervoroso de amar Jesus como ele nunca foi amado antes, tu te doaste totalmente a Ele, sem jamais negar-lhe nada.

Em união com o coração Imaculado de Maria, tu aceitaste a chamada para saciar a sua infinita sede de amor e de almas e te tornaste portadora do Seu amor aos mais pobres entre os pobres. Com amorosa confiança e total abandono tu cumpriste a Sua vontade, testemunhando a alegria de pertencer totalmente a Ele.

Tu te tornaste tão intimamente unida a Jesus, o teu Esposo crucificado, que Ele, levantado sobre a cruz, se dignou em codividir contigo a agonia do Seu Coração.


Beata Teresa, tu que prometeste de levar continuamente a luz do amor àqueles que estão sobre a Terra, roga a Deus afim que também nós desejemos saciar a sede ardente de Jesus com um amor apaixonado, codividindo com alegria os Seus sofrimentos, e servindo-O com todo o coração nos nossos irmãos e irmãs, especialmente naqueles que, mais do que todos, são « não amados » e « não queridos ».

Amem.



Fonte:

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A quem vai servir o TGV? Por que razão não há TGV na Noruega?

Este é o pensamento político que temos , está em todas:

i. Estádios de futebol, hoje às moscas,
ii. TGV,
iii. novo aeroporto.
A quem na verdade serve tudo isto? Aos construtores de material ferroviário, às grandes empresas de construção civil e aos bancos.

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.

Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas,
· na qualidade do seu Ensino Superior,
· nos seus museus e escolas de arte,
· nas creches e jardins-de-infância em cada esquina,
· nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não
· construíram estádios de futebol desnecessários,
· constroem aeroportos em cima de pântanos,
· nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.


O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).

É por razões de sensatez que não o encontramos
· na Noruega,
· na Suécia,
· na Holanda
· e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País.

Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:


- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências
como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Nota: Recebido por email com pedido de divulgação.

Mensagem de D. Manuel Clemente por ocasião do inicio do novo ano escolar


Um ano para educar, uma escola a redescobrir


O tema da educação, especialmente a escolar, é sem dúvida do maior interesse e substância. No entanto, culturalmente falando, esta mesma caracterização é já o problema: “interesse” conjuga-se hoje no plural e na variedade; e a “substância”, se persiste, é muito mais rarefeita, menos densa na consistência do objecto e na convicção do sujeito.
Não é demais verificá-lo, mas seria demais criticá-lo de modo apenas negativo. A pluralidade dos interesses vem da complexificação dos motivos e motivações que sucessivamente nos tocam e interpelam. A catadupa de informações e descobertas, o cruzamento de dados em redes múltiplas, tudo questiona amanhã as certezas de hoje e muito mais as de ontem ou anteontem… Estamos já muito longe do “livro único” e é muito difícil fazer compêndios. Igualmente difícil, senão impossível, é manter um pensamento linear e uma coerência simples, feita de cortes apriorísticos e metas prefixadas.
Daí que a substância educativa se ressinta e dilua. Onde são tantos os motivos, são difíceis as súmulas e as sínteses; os enciclopedistas cederam o lugar aos especialistas e estes, em termos clássicos, estão mais do lado dos acidentes do que da substância. Claramente mais do lado da perspectiva individual do que da visão global, mais da “contribuição” ou da “abordagem” particulares do que do discurso universal. Ressente-se disso a filosofia, mais retraída nas condições do conhecimento, como gnoseologia, do que no seu objecto primeiro e último, como metafísica.
Repito que não entendo isto como algo de absolutamente negativo, antes como exigência, ou crise, de crescimento. Nem sequer é totalmente inédito, mas tem hoje intensidade maior, sobretudo em termos quantitativos.

Digo-o por ser recorrente pensar que os tempos mudam e mudam para pior, no que à educação geral respeita. E também para adiantar o que retomarei depois, ou seja, que o futuro da educação, dentro e fora de Portugal, estará mais do lado dos educadores e dos educandos do que das “matérias” em si mesmas.
Atendamos às seguintes apreciações: “Como me envergonho dos rapazes deste século. […] Um rapazinho de treze anos comete hoje mais embustes e mais acções reprováveis que dez homens feitos do tempo dos nossos pais. […] Uma menina de hoje é mais pretensiosa que uma mulher núbil de outros tempos. Qual é a causa disto? Só Deus sabe. Actualmente, as crianças são precoces”.
Talvez nos pareçam muito actuais e agora ouvidas... Na verdade, “permanecem” actuais sendo já muito antigas, recolhidas no século XVI! E poderíamos remontar mais atrás, muito antes dos progressos modernos, da aceleração do tempo e da generalização dos relógios. Cada geração define-se em relação a certo entendimento geral das coisas, nas primeiras fases da vida. Algo sobrevém de seguida, quantitativa e qualitativamente, que, quando questiona o anterior, desperta reservas.
Hoje em dia é tal a precipitação das novidades e tão variada a sua qualidade que a referida apreciação reticente facilmente se transforma em aceitação desistente. Outrora, as reservas advinham de se porem em causa valorizações objectivas. Hoje, as desistências referem-se à “insustentável leveza do ser”, segundo um título pós-moderno (Kundera): se tudo parece ser e não ser, acontecer como desacontecer, a tendência é para resumir a sociabilidade à segurança física, a liberdade à disponibilidade para fazer isto ou aquilo, a verdade ao equilíbrio instável dos consensos ocasionais.
Os reflexos na educação são obviamente grandes e graves. - Partindo de quem está para quem vem, como ainda é costume, que proposta se fará, que base de valorização e vida?
Não admira que este seja um sector de particular ensaio e melindre na nossa sócio-cultura, tanto nas propostas teóricas como nas tentativas práticas. Educação significava acção formal e formativa, escola era instituição adequada a tal, família e docentes iam no mesmo sentido, sobre valores comuns e desejados. Actualmente, família e docência parecem menos consistentes, escola e educação são (in)definições mais trabalhosas.

Estas questões têm um âmbito bem mais largo, que é precisamente o da sociedade e da cultura. - Concretamente quanto à escola e à educação, em especial as públicas, o que é que queremos todos para transmitir a todos, mesmo que só essencialmente falando? Creio que nenhum de nós saberá responder sem hesitar a esta questão, aliás a mais básica e directa…
Chegámos portanto a uma aporia ou hesitação irremediável. E, quando isto acontece, qual beco sem saída, só nos resta uma solução, caso não queiramos desistir: voltar atrás e procurar outro caminho.
Devemos constatar com algum optimismo que a humanidade tem progredido exactamente assim, mais por patamares ou saltos do que nas actuais “escadas rolantes”. No próprio caso de cada um é frequente verificá-lo, em legítimas crises de crescimento, mesmo sem serem imediatamente bem-vindas.
A tendência é, de facto, para alongar lemas e modos muito além da sua funcionalidade, repetir actualmente respostas dadas a perguntas de ontem, perpetuar representações que a realidade conhecida e vivida já ultrapassou.
Até que esta mesma se torne irremediável ou “incontornável”. Só nos restará então voltar à rotunda e sair por outra via. Assim estaremos, parece, sem perder nada dum passado que só no fim se mostrou insuficiente, dando-nos, precisamente nisso, o melhor contributo para o futuro. Mesmo para o futuro da educação em Portugal.
A nova via, não a escolheremos às cegas. Desse mesmo passado sobra alguma coisa, algum indício. Precisamente o que nos centra nas pessoas, nos vários agentes do mundo educativo.
Também é neles que a referida aporia se manifesta primeiro. Por experiência pessoal e certamente compartilhada por muitíssimos, sei que a maior parte das observações e queixas provêm desse mesmo campo pessoal e interpessoal: questões de disciplina, de interesse pelas matérias, de objectivos globais e parciais… - Que fazer, que ensinar e para quê, em suma, no sentido da realização de todos e cada um (alunos e professores, auxiliares e famílias, comunidade local ou global)? – Que fazer fazendo-nos realmente, satisfatoriamente?
Mantêm cabimento as seguintes observações sobre a “crise de identidade e formação dos professores na actualidade”: “ … os professores parecem sofrer – e não conduzir, embora de maneira modesta – a evolução da sociedade. A bem dizer, as atitudes dos professores perante a acção política ou a construção do futuro são contraditórias, na medida em que ‘o ofício de professor se enraíza numa certa ética e na aguda consciência da superioridade do letrado. O professor tem por vezes vontade de defender os valores que justificam o seu magistério. Conserva-se facilmente fiel à imagem de uma sociedade tradicional, hierarquizada e respeitadora do saber e da cultura’ [P. Gerbod]. […] Seria também necessário recordar, para explicar o actual mal-estar, por um lado o peso das estruturas hierárquicas e, por outro, o lugar real que, tanto sob o ângulo material como sob o ângulo moral, é concedido na sociedade aos professores. […] Hoje, os progressos realizados nas ciências humanas e nas ciências da educação, juntamente com a evolução da reflexão política sobre as relações entre a escola e a sociedade, contribuem para modificar sensivelmente as concepções e as perspectivas da formação dos professores” .
Em quatro pontos se detêm as observações escutadas: sobre a identidade do professor; sobre a tradição “conservadora” do seu ofício; sobre o seu lugar na sociedade; e tudo isto no novo quadro de relações entre escola e sociedade.
- Conduzir ou sofrer a evolução da sociedade? É sabido como a figura do professor, sobretudo na viragem do século XIX para o XX, era tida como determinante para a formação de novas gerações laboriosas e progressivas. Quase substituía o sacerdócio antigo da divindade pelo “sacerdócio” novo da humanidade e do futuro. Depois, em termos menos românticos mas ainda iluministas, “abria” inteligências e adestrava engenhos, em saberes mais clássicos ou mais tecnológicos. O mundo estava aí como campo largo e a história projectava-se como caminho certo. O problema, magno problema, surgiu com a desilusão de guerras e pós-guerras, as suspeitas generalizadas sobre os reais intuitos de grandes e pequenos, as retracções consumistas dos antigos ideais e a dificuldade em mantê-los como horizonte, tudo isto junto e a fragilizar a figura e a convicção do professor remanescente.
Numa escola que transmitia o saber adquirido, era deste lado que normalmente se situava o professor, como seu expositor e guardião. Numa escola onde se repercutam mais as dúvidas teóricas, ainda que metódicas, e as incertezas, ainda que de operação e ensaio, a natureza docente mudará também.
Aliás, a sociedade actual manifesta uma relação ambígua com a escola. Compreende-se e advoga-se o seu papel de transmissão e inovação no campo dos saberes teóricos e práticos. Mas não se lhe dá o lugar central que pretenderia ter nesse sentido, quer porque a escola perdeu a reverencial proeminência anterior, quer porque a transmissão dos conhecimentos a extravasa, numa rede muito mais larga e omnipresente, informática sobretudo.
Por tudo isto e além do mais, procura-se um outro enquadramento escola-sociedade e estamos longe da nova plataforma a alcançar. Entretanto, a transformação do sistema educativo traz ao professor custos e riscos. Tão inevitáveis como promissores, acrescente-se.
A perplexidade mantém-se, porque incide sobre os próprios objectivos da sociedade. Indefinidos estes, fragilizam-se os elos pessoais duma tradição dinâmica, como o são particularmente os professores, e mais difícil se torna a motivação dos alunos. Já há duas décadas se escrevia assim: “ … o sector da educação, em Portugal, vem-se debatendo com muitas lacunas e dificuldades que condicionam o seu desejável desenvolvimento. Delas se destacam umas de carácter hexógeno e outras de carácter endógeno. Do primeiro conjunto salientam-se as seguintes: ausência de um modelo de desenvolvimento global, sectorial e regional para a sociedade portuguesa […]; falta de articulação entre a educação/formação, o emprego e a actividade económica […]. Quanto às questões endógenas são de referir as seguintes: […] falta de relacionamento do sistema educativo com o mundo do trabalho e com o meio; […] indefinição do perfil dos docentes necessários para o ensino não superior”. Devemos constatar que, apesar dos inegáveis esforços posteriores, ainda há muito a repensar e a fazer para que a escola e a sociedade se reencontrem, com as necessárias consequências na relação cultural professor – aluno. Como igualmente constataremos que, dada a radicalidade da mutação contemporânea, o “problema” não se resolverá a partir do Estado, hoje menos consistente, mas duma sociedade que não desista de continuar.

Como se apontava atrás, é como sociedade aberta e dinâmica, do passado para o futuro, que nos devemos redefinir. Então também nos reencontraremos na escola, e muito especialmente aí. Longe de se desactualizar, ela obterá a máxima pertinência, mas como local onde de algum modo estejamos todos. Todos, porque a formação será obra da vida inteira, do pré-escolar ao “sénior”, aprendendo-se sempre, segundo a respectiva idade. Todos, porque em cada patamar de ensino se conjugarão as diversas instâncias da sociabilidade e da cultura: professores e alunos, auxiliares e famílias, instituições e ambientes, o meio próximo e o mais alargado. Que a escola e os que a fazem não se sintam postergados, mas valorizados pelo seu lugar central no conhecimento.
Conhecimento que, por ser partilhado e convivido, se torna reconhecimento mútuo, de pessoas e saberes, convicções e pesquisas, em secularidade preenchida e só assim verdadeira.
Secularidade refere-se ao mundo de todos, neste tempo comum. Não “independentemente” das convicções de cada um, mas exactamente na sua partilha. As pessoas sustentam convicções e sustentam-se por elas, mesmo quando não pareça. Abstrair deste aspecto é abstrair da vida real e geometrizar “no espaço” e não no século, no mundo concreto das pessoas vivas. Importa é que a escola se torne lugar de aproximação e convivência, sobretudo local, onde o conhecimento mútuo impeça o confronto de fantasmas ideológicos e crenças reprimidas.
Já o devíamos ter aprendido, com inúmeras “lições da história”, neste campo das convicções. Foram primeiro os unanimismos próprios e forçosos – também forçados - de tempos menos complexos: perigavam as minorias étnicas, religiosas e outras. Foram depois os assomos laicistas da modernidade, para que outro unanimismo se conseguisse por exclusão de partes, calando a transmissão pública das crenças e remetendo-as para o âmbito particular: perigava a verdade humana das convicções partilhadas e animadoras da vida em geral, sem as quais a pessoa concreta é sacrificada à abstracção individualista ou massificada, sem rosto nem nome autênticos.
De iniciativa pública ou particular, a escola não pode restringir arbitrariamente a proposta cultural, também no que à religião respeita. E insistindo sempre no carácter pessoal e personalista do processo educativo.
Para os professores, seja qual for a matéria, trata-se de partilhar o saber que activamente “professam”. Há muito que sabemos como eles são tão importantes como o ensino que ministram, exactamente pela intensidade existencial com que o façam. Com tais professores, os alunos são mais facilmente envolvidos num processo geral de conhecimento em que já começam a ser protagonistas.
Para realizar o bem comum, cabe ao Estado viabilizar uma escola assim, de iniciativa pública ou particular, distribuindo recursos e motivando sempre: segundo a vontade de todos e em benefício da coexistência e partilha de ideários e métodos legítimos. Legítimos pelo critério humanista (em prol da dignidade de cada pessoa humana), legítimos pela bondade realmente demonstrada (activando a solidariedade), legítimos pela real capacidade criativa (da ciência ao espírito).
Aí temos mais o novo ano lectivo, para avançarmos juntos. Partindo do encontro inter-pessoal, numa sociedade de todos que conte com cada um.

Porto, 28 de Agosto de 2008, Memória de Santo Agostinho
+ Manuel Clemente, Bispo do Porto

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Porto e Douro

Olá Amigos!

As férias estão a acabar. Que chatice. Andava eu a pensar: nas férias vou arrumar todos os dossiês, actualizar apresentações em power point, actualizar o meu blogue, colocar fotos novas, visitar alguns familiares e amigos que não vejo há tempos,... Bem, fiz algumas coisas mas não tantas como gostaria. É sempre assim antes das férias: muitos planos. E durante as férias não me apetece fazer nada, mas não descanso o suficiente nem passeio tudo o que gostaria. Enfim.

Deixo algumas fotografias da minha terra, o Porto, e de passeios que fiz recentemente, nomeadamente de barco pelo rio Douro. Gosto muito de passear, conhecer novas terras e povos, mas não há rio como o nosso Douro nem terra como o Porto. O Passeio Alegre, a Foz, a Ribeira e a Baixa, estão no meu Top 10 Portugal. Isto apesar do lixo e cocó de cão nas ruas, das paredes riscadas (há quem chame arte aos desenhos nas paredes das casas dos outros), dos constantes assaltos à noite na Baixa e da falta de apoios a sério aos proprietários que querem conservar as suas velhas casas. Muito se tem feito para melhorar o Porto. Muito há a fazer por quem de direito. Haja vontade política.

Até breve.

Tortura na Escola (há muuuitaaaas décadas atrás...)



He he he

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Velhos, dependentes e ignorados pelas famílias

José Manuel Oliveira

In DN - 11. 06. 2008

Há "mais de meio milhar" de idosos em lares do Algarve abandonados pelas famílias, muitas das quais da classe média. A este quadro, que é dramático, juntam-se os que vivem "isolados e em situações degradantes, com pensões de reforma miseráveis e rejeitando qualquer tipo de apoio, apesar de já não terem capacidade física e psicológica para cuidar de si próprios".

Helena Serra, provedora há 30 anos da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, recorda que o último idoso recolhido este ano pela instituição, na zona das Ferreiras, naquele concelho, "vivia pior do que um animal, mesmo abaixo de cão, como se costuma dizer". "Outros, na casa dos 80 anos, ficam ao estilo de sem-abrigo e rejeitam ser acolhidos", refere, recordando um caso que a impressionou particularmente: "Só através do tribunal é que conseguimos que ele deixasse o espaço onde vivia. Há pocilgas muitas mais limpas e cuidadas do que o local de onde o retirámos. As pessoas nem fazem ideia do que muitas vezes se passa no Algarve a este nível", conta.

Apesar de a grande maioria dos familiares preferir ignorar o problema, não visitando nos lares os seus idosos, alguns deles ainda saem em defesa dos filhos, alegando que eles "não têm disponibilidade de tempo para ir vê-los", refere a provedora, para quem, no entanto, tal situação "não é um facto". Por outro lado, afirma, outros idosos há que "sofrem com o abandono por parte das famílias" e muitos "já nem sequer reagem, estando numa situação de alheamento quase total".

Um dos casos mais chocantes ocorreu há cerca de dez anos no centro de Albufeira, junto a um mercado, onde um idoso foi abandonado pelo filho num passeio, numa noite chuvosa. "Ele já não estava muito lúcido e só dizia que tinha sido um filho que abriu a porta do carro e o pôs na rua. Mas sem nome, nem local de onde vinha, tornou-se muito complicado saber quem eram os familiares", recorda Helena Serra, que demorou três semanas até os conseguir localizar, embora tal "de nada tivesse valido". O idoso faleceu três meses depois e no funeral apenas o acompanharam a provedora, a governanta da Misericórdia e o padre.

No lar de Vila do Bispo, mais de 20 por cento dos 64 idosos que ali se encontram alojados não sabem há muito tempo o que é ser visitado por um familiar.

"Nota-se que encaram com muito sofrimento essa situação difícil. Tentamos resolver o problema quando, nomeadamente no Natal e nos dias dos aniversários, convidamos as famílias para uma festa. Às vezes até vêm. Mas deslocam-se ao lar sobretudo para a festa e acabam por ter contacto com os idosos numa situação forçada", contou ao DN Vítor Lourenço, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo.

"Infelizmente, a situação de abandono dos idosos pelos seus familiares passa-se ao nível de todo o País. O que interessa a muitos deles é entregar os pais aos lares, esquecendo-se que por muitos serviços de qualidade que estes tenham, a melhor terapia ainda é a relação humana com a família", concluiu Vítor Lourenço.

É triste a realidade actual...

Católicos voltem a casa...



In http://o-povo.blogspot.com/

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Mentos e Coca-Cola II (o vídeo original, acho eu)

Mentos e Coca-Cola... opinião do Prof. Carlos Corrêa

2007-03-12 Por Carlos Corrêa




Circulam na Internet várias referências (incluido imagens de vídeo) à divertida e espectacular "reacção" de libertação de dióxido de carbono de uma garrafa de Coca Cola quando se despeja dentro dela uma embalagem completa de Mentos (pastilhas de chupar, de frutas variadas, com a forma de um elipsóide achatado, tipo tremoço, mas com maior tamanho).

Os jóvens pensam tratar-se de uma reacção química entre os componentes dos Mentos e da Coca Cola e circulam mesmo boatos alarmistas na Internet referindo a morte de crianças devido à formação de um composto-bomba inventado por alguns pândegos, o Ta9V4, após a ingestão destes produtos. Este Ta9V4 resultaria da reacção do Acesulfame K existente na Coca Cola Light com os componentes dos Mentos.

Quando um químico observa o fenómeno, percebe imediatamrente que a "reacção" não é química pois é demasiado rápida, muito mais rápida do que seria a passagem dos componentes dos Mentos para a solução.

Para desmistificar o boato, aconselho os jovens a efectuarem a mesma experiência que os meus netos realizaram:



1-Devagarinho, para não perder muito gás, colocque 50 mL de Coca Cola Light num copo e introduza uma pastilha de Mentos na solução. Notará a abundante libertação de gás, que não é mais violenta do que a que se verifica se agitarmos a Coca Cola ou se lhe introduzirmos alguns grãos de arroz.
Repita a experiência com Coca Cola normal (que não contém Acesulfam K) e com água gaseificada Carvalhelhos e verifique que a libertação de gás é análoga, embora com a água gaseificada as bolhas sejam maiores.

2-Para confirmar que não há qualquer reacção química, coloque 3 pastilhas de Mentos em Coca-Cola normal, agite bem para dissolver o mais possível durante 2-3 minutos e decante a solução para um copo com 50 mL de Coca Cola Light (a que tem acesulfame K). Quase não há libertação de gás. Dado que as reacções químicas são tanto mais rápidas quanto maior for o contacto entre os reagentes, aqui não ocorre nenhuma reacção química pois, como os possíveis reagentes se encontram na mesma fase (líquida), a reacção deveria ser ainda mais rápida.

Que se passa então? Como os alunos sabem, as bebidas gaseificadas, como a Coca-Cola e outros refrigerantes, contém dióxido de carbono dissolvido, em equilíbrio, sob pressão, pronto a escapar-se quando a pressão sobre a superfície livre da solução diminui. É necessário retirar a cápsula da garrafa devagarinho, sem agitação, tombando-a um pouco para que algum gás que se liberta não arrastar o líquido pela boca da garrafa (lembremo-nos dos vencedores das competições Fórmula 1 no pódio ...).

Se introduzirmos na solução um palito ou se a agitarmos com uma colher, a libertação de gás é muito mais abundante pois estes objectos constituem núcleos de libertação das bolhas gasosas da solução sobressaturada de CO2.

Se examinarmos um Mento à lupa verificamos que a sua superfície é particularmente rugosa ... e é nestas irregularidades que se liberta o gás.

Se usarmos um Mento retirado da mistura 2, parcialmente dissolvido, sem a superfície rugosa inicial, quase não há libertação de gás.

Moral da história: não papem tudo que vem na Internet.

Fonte:

Mentos e Coca-Cola I

Para os meus curiosos alunos... he he

domingo, 13 de abril de 2008

Escola a tempo inteiro!

Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais.

Leia aqui a carta de de uma Mãe à Ministra da Educação a "agradecer" o conceito de escola tempo inteiro. É um documento de uma ironia fina: um documento que retrata a triste e arrepiante realidade das crianças que são obrigadas a passar 10 horas por dia na escola.

Obrigada Prof. Ramiro Marques pelos seus blogues e perdoe a minha ousadia em copiar...

Quanto trabalha um Professor?

CURIOSIDADE:

O QUE EM MÉDIA UM PROFESSOR DO 2.º OU 3.º CICLO FAZ DURANTE UM ANO LECTIVO?

Nem preciso fazer contas... alguém já as fez


Com base no meu 'estudo' pessoal alaborado por Lurdes Paraíso

Lecciono 6 turmas em Educação Visual, no total de 117 alunos

Lecciono 1 turma em Formação Cívica, de 19 alunos

Lecciono 1 turma em Área Projecto, de 23 alunos

Lecciono Aulas de Complemento Curricular no 1.º ciclo, no Clube de Artes, do 1.º ao 4.º ano, no total de 21 alunos

Lecciono o Clube de Jornalismo, no total de 13 alunos

Logo trabalho em contextos específicos com 193 alunos

A

Documentação/papeis criados, preenchidos e tratados:

1- Início do ano: Planificações (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Critérios de Avaliação/correcção (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Descriminação de competências a atingir (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); articulações interdisciplinares (1 pág. por turma = total de 6 págs.); (...)

são fotocopiadas (1 exemplar para o dossier de Directores de Turma, no Plano Curricular de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo, anexo à acta, 1 ex. para os nossos registos pessoais, 1 ex. para o dossier de Departamento ...)

Logo, num total de 36 páginas (120 fotocópias)

Se temos alunos com 'NEE', serão mais 4 páginas de documentação, fotocopiadas em triplicado, logo 12 págs.)

Ficam de fora, testes diagnósticos (117 fotocópias e 6 relatórios = 6 págs.)

2- a meio de cada período (Avaliações Intercalares):registo de avaliações intercalares (1 pág. por turma/disciplina = total de 8 págs.) (...)

Logo 3 períodos, num ano lectivo, no total de 24 págs.)


3- Final de período: fichas de avaliação(1 pág. por aluno = total de 193 págs. Fotocopiadas em duplicado); ficha de avaliação de Formação Cívica, Área Projecto, Clube de Jornalismo, Educação para a saúde, Clube de Artes (1.º ciclo) (1 pág. por disciplina/área = total de 5 págs.)
Logo, num total de 198 págs. (394 fotocópias)
Logo, tendo 3 períodos lectivos, dá um total de 594 págs. (1182 fotocópias)

4- Sou Directora de Turma:início do ano: Plano Curricular de Turma (25 págs., fotocopias: 1 ex. para dossier de Direcção de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo); Planos de Recuperação (este ano tive 6 alunos com) (cada plano 4 págs., logo 24 págs., fotocopiadas duplicado); registo de faltas (10 disciplinas, registadas em fichas e depois no sistema informático); preenchimento das fichas de avaliação (total de 19 páginas); (...)
Logo, num total de 78 págs. (98 fotocópias)

5- No último período, ainda relatórios de avaliação: para Formação Cívica (1 pág.); para Área Projecto (1 pág.); para Clube de jornalismo (1 pág.); como Directora de turma: para avaliação da turma (2 págs.); para Planos de Acompanhamento (1 pág.); para Retenção (1 pág. por aluno, depende das retenções); para Retenção Repetida (3 pág. por aluno, depende das retenções repetidas); para Planos de Recuperação (1 pág. por aluno, vou fazer 6, porque tenho 6 alunos em Planos = 6 págs.); para Director de Turma, sobre o meu trabalho desenvolvido (média 3 págs.); para o Clube (1 pág.); para o 1.º Ciclo (1 pág.); (...)
Logo, num total no mínimo de 22 págs. (44 fotocopias)

Como compreenderá, deve estar a escapar-me alguma coisa, ou haver aqui alguma margem de erro,
Em resumo (ao longo dum ano lectivo):

a)Trabalho com... 193 alunos

b)Posso criar, analisar, preencher, ('passam-me pelas mãos') ... 758 páginas (papel)

c)Estão envolvidos aproximadamente... 1 456 fotocópias/PB

d) Faço em média... 17 367 registos (mão livre/informatizados)em documentos oficiais
(explico a seguir)Nas fichas de avaliação dos alunos (1 por aluno = 193 alunos) são registados dados (cruzes, abreviaturas de menções qualitativas, etc.):
Educação Visual_7 dados/aluno x 117 alunos x 6 turmas x 3 períodos = 14742 registos;
Formação Cívica_7 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 399 registos;
Área Projecto _5 dados/aluno x 23 alunos x 3 períodos = 345 registos;
Como Directora de Turma (preencher dados como: nome, números, faltas, cruzes de avaliação global, cruzes de recomendações ao encarregado de educação) = aproximadamente: 33 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 1881 registos

e) Somando os registos oficiais com os pessoais (alínea a + e), dá... 30 003 registos totais
(explico a seguir) Se considerar os dados que manipulo antes de os introduzir nos documentos oficiais, então será só na disciplina de Educação Visual, o seguinte:
3 Trabalhos (média) por período x 12 registos (12 critérios de avaliação/correcção em Excel) x 3 períodos x 117 alunos (em Educação Visual) = 12636 registos pessoais

B

Reuniões ao longo do ano lectivo: 91 reuniões

a) Conselhos de Turma:

1 Setembro + 1 início ano lectivo (após as aulas começarem) + 1 fins de Setembro

+ 1 Intercalar do 1.º período + 1 final do 1.º período (avaliação) + 1 intercalar do 2.º período + 1 final do 2.º período (avaliação) + 1 intercalar do 3.º período + 1 final do 3.º período (avaliação) x 6 turmas = total de 54 reuniões



b) Encarregados de Educação, porque sou também Directora de Turma:

1 Início aulas + fim 1.º período + fim 2.º período + fim do 3.º período x 1 turma = total de 4 reuniões

(fora as reuniões que vou tendo com Encarregados de Educação nas horas de atendimento e a título individual)

c) Outras reuniões:

Reunião Geral (2 reuniões/ano) + Conselho de Directores de Turma (10 reuniões/ano) + Áreas Curriculares não Disciplinares (3 reuniões/ano) + Clubes e Projectos (3 reuniões/ano) + Departamento (11 reuniões/ano) + reuniões diversas, tipo preparar actividades extra-curriculares (média 4 reuniões/ano) = total de 33 reuniões

C

Outros indicadores, que 'não têm papel', nem convocatórias:

- Ensino Educação Visual, sou 'psicóloga', 'mãe/pai', procuro resolver problemas de indisciplina, de zangas, de 'guerras e guerrinhas', ouço desabafos, confidências, avalio e envio relatórios para Segurança Social, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, quando é necessário; _nota: trabalho com adolescentes

- Atendo Pais e Encarregados de Educação, articulo com eles, mas não recebo outros Pais ou Encarregados de Educação de que tanto preciso, porque não querem, ou, não podem vir à escola;

- Participo na organização, colaboração de actividades extra-curriculares, tipo: Festa de Natal, Carnaval, Páscoa, 'Feira de Maio', Encerramento Ano Lectivo, (...);

- Faço a paginação do jornal da escola (28 págs. /jornal x 3 períodos = 84 págs.)

- (Fazendo uma média de dois trabalhos por período na minha disciplina), observo e acompanho: 117 alunos x 2 trabalhos/média/período x 3 períodos =702 trabalhos práticos.

- (...)

FIM


Mandei estes dados para um deputado da Assembleia da República que nos pedia o número de alunos que em média um professor tem, porque por lá consta que é uma média de 7 ou 8 alunos/professor.

Respondi ao e-mail, mas resolvi acrescentar toda esta informação...

Falaram em muita Burocracia? Que os Professores que não trabalham e têm muito tempo livre, muitas férias? Que os Professores dão as suas 'aulitas' e estão na sala de professores aos 'montes' sem fazer nada?

ENTÃO PERGUNTO QUEM FAZ TUDO ISTO? O GATO DA VIZINHA?

Não falei das aulas de substituição...

Também me esqueci, de lembrar que um professor é um ser, com direito a uma vida pessoal, a constituir família e a ter horas e momentos felizes e livres....

ATÉ HOJE, NÃO ME QUEIXAVA DO TRABALHO...

MAS AGORA, DIGO 'BASTA'

BASTA DE MAIS BUROCRACIA, DEIXEM-ME DAR AULAS...

E SOBRETUDO, NÃO ADMITO QUE ME AO FIM DE TUDO ISTO...

ME DESRESPEITEM...

QUE ME CHAMEM DE 'PROFESSORZECA'

QUE NÃO FAÇO NADA...

E DIGAM QUE NÃO ENTENDO A LEGISLAÇÃO...

AGORA PENSEM, QUANDO O ESTATUTO DO ALUNO ENTRAR... E A SUPOSTA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO?

TU ACHAS QUE VAIS AGUENTAR?