quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
domingo, 21 de dezembro de 2014
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Midway Film Project, vale a pena ver, partilhar,...
O que estamos a fazer aos restantes seres vivos na nossa Terra?!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Análise da proposta de Reorganização curricular 2012
Exmo. Senhor
Presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República
Dr. José Ribeiro e Castro
Exmos(as). Senhores(as) Deputados(as)
Ainda bem que temos oportunidade de refletir sobre a proposta de reorganização curricular, aliás sobre a proposta de gestão de horas letivas pois nesta altura não estamos a discutir o currículo.
Sou do Porto e sou professora de Ciências Físico-Químicas (FQ) na Escola Básica 2,3 da Maia (Agrupamento de Escolas Gonçalo Mendes da Maia).
Sou também sócia fundadora do SIPE - Sindicato Independente de Professores e Educadores.
Congratulo-me com a aposta no conhecimento científico através do reforço de um tempo letivo nos 7º, 8º e 9º anos de escolaridade na disciplina de FQ.
Para quem tem de fazer uma planificação da disciplina, a gestão dos tempos letivos é uma dor de cabeça. Neste momento não há aulas suficientes para dar todas as matérias ao longo do 3º ciclo.
Por exemplo, no 7º ou 8º anos temos no inicio do ano letivo um nº de aulas previstas de 66. A esse nº vamos retirar 2 aulas para apresentação e ficha diagnóstica, 3 aulas para autoavaliação, 12 aulas para fichas de avaliação e respetiva correção. Assim, o nº total de aulas disponível para o ano letivo fica em 49. Ou seja, cerca de 49 aulas para dar toda a matéria numa disciplina essencialmente experimental e com alunos adolescentes, turmas heterogéneas, com bons alunos e maus alunos, com alunos com necessidades educativas especiais e alunos com algumas dificuldades de aprendizagem, alunos educados que gostam de aprender e alunos delinquentes, que já roubam e consomem/traficam droga, tudo na mesma turma de vinte e tal.
É importante que se mantenha o desdobramento das aulas de Ciências Físico-Químicas (FQ) e Ciências Naturais (CN) no 3º ciclo, tal como está previsto na lei.
Os conteúdos lecionados na disciplina de FQ requererem um elevado grau de abstracção (principalmente os que são lecionados no 9º ano); aplicação e relacionamento de conceitos matemáticos (os alunos têm dificuldade em contextualizar a Matemática em situações concretas presentes na resolução de exercícios de F.Q.) e ainda com a dificuldade no uso de vocabulário específico da disciplina por parte dos alunos.
O facto do desdobramento existir permite especializar o ensino das ciências, torná-lo mais experimental e melhorar a eficácia do ensino mais individualizado. É também tempo para consolidar os conceitos, que nem sempre são acessíveis ao nível do desenvolvimento cognitivo desta faixa etária. É importante também para mostrar que a Física e a Química estão presentes no nosso dia a dia. É preciso também fazer, praticar e não só ver.
O meu grupo disciplinar, após a análise dos resultados dos alunos no final do ano letivo anterior, pôde concluir que houve uma melhoria global em todos os anos, desde que o desdobramento de 90 min foi adoptado na escola. E deste desdobramento também beneficia o Grupo Disciplinar de Ciências Naturais.
Será importante que o desdobramento comece na disciplina de Ciências da Natureza do 2º ciclo.
A área curricular não disciplinar de Formação Cívica é importante, talvez mesmo os 90 min e não apenas os 45 min. Neste espaço o diretor de turma trata com os alunos assuntos importantes para o bom funcionamento da turma: desde a justificação de faltas à (tentativa de) resolução de conflitos. E há também uma data de assuntos, de carácter mais burocrático, que não devem ocupar as nossas aulas e devem ser tratados nesta área. Também sugiro que seja possível, com o acordo do Conselho de Turma, reforçar algumas matérias em que os alunos têm mais dificuldades, como se fazia na área de Estudo Acompanhado, dar alguma matéria porque o professor teve de faltar, tratar a Orientação Vocacional no 9º ano (como é habitual), etc.
Esta área de Formação Cívica pode também ser utilizada para tratar o tema da Sexualidade Responsável. Atualmente é dada Educação Sexual ao logo dos vários anos de escolaridade nos vários ciclos, no 3º ciclo, são cerca de 12 aulas por ano de escolaridade, tal como está previsto na lei. Alguns alunos da minha direção de turma (8º ano) já estão fartos de ouvir todos os anos os mesmos assuntos. Quando chegarem ao 9º ano e o tema da Sexualidade Humana for dado na disciplina de Ciências Naturais já não vai ter muito interesse... Talvez seja melhor repensar este assunto da Educação sexual e ser dado no 6º ou 7º ano de forma séria, por exemplo, na Formação Cívica com a colaboração dos professores de CN e/ou estabelecendo protocolos de cooperação com o centro de saude local ou outras instituições, tal como é o caso da minha escola. Mas considero que é importante que seja tratado antes do 9º ano (quando os alunos têm 12, 13 anos), pois ainda há pais que não falam destes assuntos em casa e deixam que os filhos aprendam com os outros... Então que aprendam na escola, com as pessoas certas e não com o que ouvem na TV ou no grupo de amigos.
A crise económica atual não pode justificar tudo... pois o que estamos a fazer agora vai ter um preço na formação dos jovens no futuro.
O ME tem de estar preocupado com os alunos e com a qualidade do ensino nas escolas públicas. E isto tem consequências para o futuro de todos nós.
Quando foi anunciado o nome do Senhor Ministro da Educação e Ciência, fiquei com esperança numa mudança radical da qualidade do ensino, mais exigência e responsabilização aos alunos e seus Encarregados de Educação, melhoria das condições de trabalho dos professores, tão maltratados desde 2005. Trabalhar numa escola, dar aulas a crianças, jovens e adolescentes não é a mesma coisa que trabalhar num escritório. Cada vez estamos mais tempo na escola e temos mais turmas, quando o nosso trabalho de preparação de aulas e de avaliação de alunos é feito em casa, com o mínimo de condições e silêncio. Na escola onde trabalho nem dinheiro há para aquecimento. Tem sido muito complicado para todos, pois tem estado muito frio e a escola tem mais de 30 anos, logo não tem as condições de conforto e isolamento dos edifícios escolares novos. Cada vez trabalhamos mais horas e, há uns anos, inventaram uma coisa chamada tempos não letivos, que é uma fraude e falta de respeito pela classe, pois continuamos a dar aulas nesses tempos não letivos (aulas de apoio, que têm de ser preparadas, sala de estudo, aulas de substituição,...).
Outra questão importante a discutir devia ser os cursos CEF. É inaceitável que o dinheiro dos nossos impostos vá para financiar alunos que não querem aprender, que não respeitam a escola nem os professores, funcionários ou colegas. E apesar de lhes ser facultado todas as condições e todo o material (os cadernos são guardados na escola para não desaparecerem logo), ainda têm o descaramento de dizer que não têm esferográfica ou lápis porque a escola não lhes dá. Seja com professores mais jovens, cheios de "ideias mais modernas", seja com professores mais velhos, com "mais experiência", todos os meus colegas se queixam que não se consegue dar uma aula, que só ouvem palavrões e insultos, e apesar das medidas disciplinares impostas, nada faz mudar as atitudes destes alunos. A maioria diz que não quer saber da escola, que vão roubar (alguns já roubam), vão conduzir de forma ilegal,... e quase todos dizem também que não vão trabalhar. São os exemplos que têm em casa: vivem de rendimentos, abonos, subsídios...
E se fosse cortado/retirado o abono de família e o rendimento social de inserção a estas famílias em que os filhos não estudam, perturbam as aulas e os colegas, que querem trabalhar, e não respeitam a escola nem quem lá trabalha?
Os jovens que estudam e querem trabalhar estão a emigrar. Quem vai manter este país à tona da água nos próximos anos? A geração dos CEF e das Novas Oportunidades?
Então é melhor pensarmos em ir embora com as nossas famílias também... porque a Segurança Social vai ser uma recordação do passado porque não vai haver sustentabilidade.
Os meus melhores cumprimentos.
Fátima Vieira
Presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República
Dr. José Ribeiro e Castro
Exmos(as). Senhores(as) Deputados(as)
Ainda bem que temos oportunidade de refletir sobre a proposta de reorganização curricular, aliás sobre a proposta de gestão de horas letivas pois nesta altura não estamos a discutir o currículo.
Sou do Porto e sou professora de Ciências Físico-Químicas (FQ) na Escola Básica 2,3 da Maia (Agrupamento de Escolas Gonçalo Mendes da Maia).
Sou também sócia fundadora do SIPE - Sindicato Independente de Professores e Educadores.
Congratulo-me com a aposta no conhecimento científico através do reforço de um tempo letivo nos 7º, 8º e 9º anos de escolaridade na disciplina de FQ.
Para quem tem de fazer uma planificação da disciplina, a gestão dos tempos letivos é uma dor de cabeça. Neste momento não há aulas suficientes para dar todas as matérias ao longo do 3º ciclo.
Por exemplo, no 7º ou 8º anos temos no inicio do ano letivo um nº de aulas previstas de 66. A esse nº vamos retirar 2 aulas para apresentação e ficha diagnóstica, 3 aulas para autoavaliação, 12 aulas para fichas de avaliação e respetiva correção. Assim, o nº total de aulas disponível para o ano letivo fica em 49. Ou seja, cerca de 49 aulas para dar toda a matéria numa disciplina essencialmente experimental e com alunos adolescentes, turmas heterogéneas, com bons alunos e maus alunos, com alunos com necessidades educativas especiais e alunos com algumas dificuldades de aprendizagem, alunos educados que gostam de aprender e alunos delinquentes, que já roubam e consomem/traficam droga, tudo na mesma turma de vinte e tal.
É importante que se mantenha o desdobramento das aulas de Ciências Físico-Químicas (FQ) e Ciências Naturais (CN) no 3º ciclo, tal como está previsto na lei.
Os conteúdos lecionados na disciplina de FQ requererem um elevado grau de abstracção (principalmente os que são lecionados no 9º ano); aplicação e relacionamento de conceitos matemáticos (os alunos têm dificuldade em contextualizar a Matemática em situações concretas presentes na resolução de exercícios de F.Q.) e ainda com a dificuldade no uso de vocabulário específico da disciplina por parte dos alunos.
O facto do desdobramento existir permite especializar o ensino das ciências, torná-lo mais experimental e melhorar a eficácia do ensino mais individualizado. É também tempo para consolidar os conceitos, que nem sempre são acessíveis ao nível do desenvolvimento cognitivo desta faixa etária. É importante também para mostrar que a Física e a Química estão presentes no nosso dia a dia. É preciso também fazer, praticar e não só ver.
O meu grupo disciplinar, após a análise dos resultados dos alunos no final do ano letivo anterior, pôde concluir que houve uma melhoria global em todos os anos, desde que o desdobramento de 90 min foi adoptado na escola. E deste desdobramento também beneficia o Grupo Disciplinar de Ciências Naturais.
Será importante que o desdobramento comece na disciplina de Ciências da Natureza do 2º ciclo.
A área curricular não disciplinar de Formação Cívica é importante, talvez mesmo os 90 min e não apenas os 45 min. Neste espaço o diretor de turma trata com os alunos assuntos importantes para o bom funcionamento da turma: desde a justificação de faltas à (tentativa de) resolução de conflitos. E há também uma data de assuntos, de carácter mais burocrático, que não devem ocupar as nossas aulas e devem ser tratados nesta área. Também sugiro que seja possível, com o acordo do Conselho de Turma, reforçar algumas matérias em que os alunos têm mais dificuldades, como se fazia na área de Estudo Acompanhado, dar alguma matéria porque o professor teve de faltar, tratar a Orientação Vocacional no 9º ano (como é habitual), etc.
Esta área de Formação Cívica pode também ser utilizada para tratar o tema da Sexualidade Responsável. Atualmente é dada Educação Sexual ao logo dos vários anos de escolaridade nos vários ciclos, no 3º ciclo, são cerca de 12 aulas por ano de escolaridade, tal como está previsto na lei. Alguns alunos da minha direção de turma (8º ano) já estão fartos de ouvir todos os anos os mesmos assuntos. Quando chegarem ao 9º ano e o tema da Sexualidade Humana for dado na disciplina de Ciências Naturais já não vai ter muito interesse... Talvez seja melhor repensar este assunto da Educação sexual e ser dado no 6º ou 7º ano de forma séria, por exemplo, na Formação Cívica com a colaboração dos professores de CN e/ou estabelecendo protocolos de cooperação com o centro de saude local ou outras instituições, tal como é o caso da minha escola. Mas considero que é importante que seja tratado antes do 9º ano (quando os alunos têm 12, 13 anos), pois ainda há pais que não falam destes assuntos em casa e deixam que os filhos aprendam com os outros... Então que aprendam na escola, com as pessoas certas e não com o que ouvem na TV ou no grupo de amigos.
A crise económica atual não pode justificar tudo... pois o que estamos a fazer agora vai ter um preço na formação dos jovens no futuro.
O ME tem de estar preocupado com os alunos e com a qualidade do ensino nas escolas públicas. E isto tem consequências para o futuro de todos nós.
Quando foi anunciado o nome do Senhor Ministro da Educação e Ciência, fiquei com esperança numa mudança radical da qualidade do ensino, mais exigência e responsabilização aos alunos e seus Encarregados de Educação, melhoria das condições de trabalho dos professores, tão maltratados desde 2005. Trabalhar numa escola, dar aulas a crianças, jovens e adolescentes não é a mesma coisa que trabalhar num escritório. Cada vez estamos mais tempo na escola e temos mais turmas, quando o nosso trabalho de preparação de aulas e de avaliação de alunos é feito em casa, com o mínimo de condições e silêncio. Na escola onde trabalho nem dinheiro há para aquecimento. Tem sido muito complicado para todos, pois tem estado muito frio e a escola tem mais de 30 anos, logo não tem as condições de conforto e isolamento dos edifícios escolares novos. Cada vez trabalhamos mais horas e, há uns anos, inventaram uma coisa chamada tempos não letivos, que é uma fraude e falta de respeito pela classe, pois continuamos a dar aulas nesses tempos não letivos (aulas de apoio, que têm de ser preparadas, sala de estudo, aulas de substituição,...).
Outra questão importante a discutir devia ser os cursos CEF. É inaceitável que o dinheiro dos nossos impostos vá para financiar alunos que não querem aprender, que não respeitam a escola nem os professores, funcionários ou colegas. E apesar de lhes ser facultado todas as condições e todo o material (os cadernos são guardados na escola para não desaparecerem logo), ainda têm o descaramento de dizer que não têm esferográfica ou lápis porque a escola não lhes dá. Seja com professores mais jovens, cheios de "ideias mais modernas", seja com professores mais velhos, com "mais experiência", todos os meus colegas se queixam que não se consegue dar uma aula, que só ouvem palavrões e insultos, e apesar das medidas disciplinares impostas, nada faz mudar as atitudes destes alunos. A maioria diz que não quer saber da escola, que vão roubar (alguns já roubam), vão conduzir de forma ilegal,... e quase todos dizem também que não vão trabalhar. São os exemplos que têm em casa: vivem de rendimentos, abonos, subsídios...
E se fosse cortado/retirado o abono de família e o rendimento social de inserção a estas famílias em que os filhos não estudam, perturbam as aulas e os colegas, que querem trabalhar, e não respeitam a escola nem quem lá trabalha?
Os jovens que estudam e querem trabalhar estão a emigrar. Quem vai manter este país à tona da água nos próximos anos? A geração dos CEF e das Novas Oportunidades?
Então é melhor pensarmos em ir embora com as nossas famílias também... porque a Segurança Social vai ser uma recordação do passado porque não vai haver sustentabilidade.
Os meus melhores cumprimentos.
Fátima Vieira
E falam de revisão da estrutura curricular?... Um dia cinzento... professor
Antes da revisão da estrutura curricular... acabem com a indisciplina nas Escolas por favor
Hoje o dia amanheceu cinzento e chuvoso…Para muitos mais um dia de
inverno! Para mim um dia triste, coberto de indignação, revolta, medo,
impotência e desolação.
Ontem, em frente à Escola EB 2/3 Padre António Luís Moreira, nos
Carvalhos – Vila Nova de Gaia, um Professor de Matemática, de 63 anos,
foi violentamente agredido por três indivíduos de etnia cigana. Não.
Não agrediu nenhum aluno. Não foi incorreto com ninguém, nem tão pouco
falou mais alto. O exemplo de civismo, educação, correcção e
profissionalismo é a descrição deste nosso colega. Apenas mandou que
uma aluna de etnia cigana se retirasse da sala onde entrou sem
autorização e sem educação. Motivo este bastante para que a aluna
comunicasse com os familiares que de forma selvagem se encarregaram do
“ajuste de contas”.
Sou professora e tenho também alunos de etnia cigana. Terei
provavelmente princípios de educação e civismo semelhantes aos da
maior parte dos professores, como este colega. Corrijo todos os dias
os comportamentos e atitudes que considero despropositados. Trato
todos os alunos de igual forma tendo como principio a igualdade de que
todos falam com a “boca cheia”. Igualdade essa de direitos, mas também
de deveres. Sim, porque não pensem que a igualdade só serve para ter
direitos! O cumprimento das regras de civismo e respeito também fazem
parte. E se um dos meus alunos achar que “cuspir em cima das
secretárias” é um direito que ele tem? Isso vai contra o meu
entendimento de respeito e educação e, como tal terei de informá-lo da
necessidade de limpar a secretária que é de todos. Se a moda pega,
terei com toda a certeza de pedir proteção policial para sair da
escola.
Cada vez que tento visualizar a situação de agressão a que foi sujeito
este professor, fico completamente de rastos, desmoralizada e sem
motivação alguma para continuar a fazer aquilo que escolhi há muitos
anos.
E FALAM-ME EM REVISãO CURRICULAR??
Podem fazê-las todas e todos os anos! Não é aí que se encontra o
“cancro” da Escola/Educação. Podem aumentar as cargas horárias todas
que quiserem! Os alunos não vão saber mais por isso. É o mesmo que
tentar tratar o doente com a medicação errada.
A indisciplina grassa em grande escala e em percurso crescente na
maior parte dos estabelecimentos de ensino do nosso país. É mais ou
menos camuflada, numas ou noutras escolas, por interesses vários,
desde directores a ministros.
Mas está instaurada e cada vez com maior número de aderentes. A nós
pouco nos resta fazer. Tentamos de todas as formas, nunca infringindo
a lei ou ferindo os tão apregoados direitos do aluno, proteger os
poucos que sabem para que serve a Escola, o Professor e a Educação.
Mesmo correndo algum risco de, segundo os entendidos, traumatizar as
crianças, ainda elevamos o tom de voz ou castigamos um ou outro aluno,
na tentativa, quase inglória, de “salvar” mais um.
Sabendo que a missão primeira de educar compete aos pais e sabendo que
poderemos ser verbalmente e fisicamente agredidos, arriscamos e
transmitimos sempre que achamos premente, os valores e princípios que
os nossos alunos não trazem de casa, corrigimos atitudes, somos pai e
mãe sempre que necessário. Recebemos mensagens escritas dos
encarregados de educação, revelando uma falta de respeito, educação e
desconhecimento atroz, porque cansamos o seu educando com os trabalhos
de casa. Somos ameaçados pelos pais e familiares dos alunos a quem
dizemos que é necessário um caderno e uma caneta para escrever e que
esse material é muito mais importante numa sala de aula, do que um
telemóvel…
E FALAM-ME EM REVISãO CURRICULAR??…
Não aguento mais medidas sem sentido e de nenhum efeito. Um médico não
receita sem saber qual é o mal de um doente, ou não deveria fazê-lo.
Então como se quer tratar a Escola/Educação sem antes perceber,
analisar, verificar onde está realmente o grande, imenso problema?
É urgente e inadiável impor a disciplina nas escolas portuguesas.
É urgente e inadiável que se percebam as diferenças de direitos e
deveres entre um adulto e uma criança.
É urgente e inadiável que um professor possa ensinar quem quer
realmente aprender.
É urgente e inadiável que o medo deixe de ser uma sombra permanente
sobre as cabeças dos docentes do nosso país.
É urgente e inadiável que possamos intervir assertivamente e no
imediato em situações que estão no limiar do humanamente suportável.
É urgente e inadiável que o respeito e educação que exijo aos meus
filhos, possa exigir da mesma forma aos meus alunos.
E FALAM-ME DE REVISãO CURRICULAR??
É inadmissível que o professor seja obrigado a engolir os insultos de
um aluno que tem mais ou menos a idade dos seus filhos quando em sua
casa isso não é minimamente tolerável.
Não pensem que quero “a menina dos cinco olhinhos”. Não. Apenas penso
que fomos exactamente para o outro extremo. Quase que me apetece dizer
que se vive uma anarquia nas escolas. Gritar fere a sensibilidade das
crianças, mas falar baixo não resulta pois estas não sabem estar
caladas. Uma bofetada ou puxão de orelhas? Completamente desadequado.
Isso só com os nossos filhos surte efeito. Aos nossos alunos
traumatiza e marca para toda a vida. Talvez seja por isso, por tantos
traumas destes, que a nossa geração cresceu, formou-se, trabalha e não
espera que nenhum subsídio seja criado e nenhuma casa lhe seja
oferecida.
Os meus vinte e cinco anos de serviço não me ensinaram a viver uma
escola em que importa apenas que as crianças sejam muito felizes e
acreditem que a vida é super fácil; que o trabalhar é apenas para os
“totós”, pois a preguiça compensa e de uma forma ou de outra todos
conseguirão fazer a escola; que independentemente de cumprirmos as
regras teremos sempre direitos; que pudemos ofender de todas as formas
possíveis e agredir sempre, pois o pior que poderá acontecer são uns
dias de “férias” em casa; que de uma forma ou de outra, a culpa é
sempre do professor.
O nosso colega está em casa, depois de uma tarde nas urgências do
hospital, com cortes no rosto e muitos hematomas. Tenho o estômago
embrulhado e um nó na garganta. Uma vida inteira dedicada a ensinar e
a formar um futuro melhor para o nosso país é desta forma agraciada
quase no fim da sua carreira. E quem está a ler e a sentir-se da mesma
forma que eu perguntará: “ E a escola não age?” E eu digo-vos qual é a
resposta: “Foi fora do recinto escolar.” Gostaram? Conseguem imaginar
como será o estado de espírito deste professor de matemática? Já não
falo das marcas físicas e das dores que deve ter, pois foram muitos
pontapés e murros covardemente dados por três homens na casa dos vinte
anos. Covardemente por serem três a agredirem um senhor de sessenta e
três anos. Falo na dor psicológica, uma dor que não passa com
analgésicos, que vai lá ficar muito tempo. Será a recordação mais viva
que terá da sua longa carreira que está quase no final. Aqui fica a
medalha de “cortiça” que recebe pela sua dedicação e entrega à escola
e aos alunos.
No final apenas fica o amargo de boca de quem tem consciência de que
fez o melhor trabalho que pode, que entregou a melhor parte da sua
vida e juventude aos seus alunos, que exerceu com toda a dignidade a
sua profissão, respeitando sempre todos, engrandecendo o conhecimento
de muitos.
Resta-me dizer que este dia cinzento tem toda a razão de ser e todos
os professores se sentirão exactamente neste cinzento que porventura
será a cor que melhor define os sentimentos de quem neste momento
consegue imaginar-se no lugar deste professor.
MARIA DO ROSáRIO MEIRELES CUNHA
Professora na Escola EB 2/3 de Olival
Um dia
Nos 5 anos da lei do aborto um belo poema sobre o maior crime: a mãe que manda matar o próprio filho com o aval da sociedade e do estado.
Do blogue do Prof. Pedro Pinto: O Povo
Um dia, hei-de saber,
alguém me vai dizer.
Um dia.
Porque é que não nasci.
Porque não fui de alguém.
Porque é que fui ninguém.
Um dia.
Era feio?
Fui diferente?
Não dei jeito?
Um dia.
Amargo seio,
Um peito rente.
Não sei quem foi.
Não sei quem viu.
Mas sou inocente.
Talvez me contem tudo.
Talvez me salvem ainda,
Um dia.
Do nada, que é tudo o que me resta.
Talvez haja uma festa.
Não houve nenhuma,
Quando não me quiseram,
nem me amaram.
E não sei porquê.
Um dia.
Miguel Alvim
Do blogue do Prof. Pedro Pinto: O Povo
Um dia, hei-de saber,
alguém me vai dizer.
Um dia.
Porque é que não nasci.
Porque não fui de alguém.
Porque é que fui ninguém.
Um dia.
Era feio?
Fui diferente?
Não dei jeito?
Um dia.
Amargo seio,
Um peito rente.
Não sei quem foi.
Não sei quem viu.
Mas sou inocente.
Talvez me contem tudo.
Talvez me salvem ainda,
Um dia.
Do nada, que é tudo o que me resta.
Talvez haja uma festa.
Não houve nenhuma,
Quando não me quiseram,
nem me amaram.
E não sei porquê.
Um dia.
Miguel Alvim
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
The Christmas Story
Tão queridos e fofos...
Um Natal contado de forma simples por crianças.
Feliz Aniversário Jesus!
domingo, 13 de novembro de 2011
Dia de S. Martinho, Aura Miguel
Aura Miguel
RR on-line 11-11-2011 8:16
Hoje em dia, todos associam o Dia de S. Martinho a feiras e festas, castanhas e vinho novo. Afinal, acontece também o mesmo no mês de Junho, com os chamados santos populares.
Com tantos excessos praticados nestas ocasiões, não me parece que António de Lisboa, João Baptista, o próprio apóstolo Pedro e, no dia de hoje, Martinho fiquem satisfeitos que o seu nome surja apenas associado aos comes e bebes.
Por isso, é de justiça recordar que S. Martinho morreu no ano de 397. Foi militar, mas renunciou à sua carreira para se tornar monge. Mais tarde, veio a ser bispo de Tours, cidade francesa onde está sepultado. A sua generosidade e humildade fizeram dele um dos santos mais populares e famosos de toda a Europa Ocidental.
Frequentemente representado em cima de um cavalo a entregar metade do seu manto a um pobre que tiritava de frio, a sua fama levou mesmo o Conselho da Europa a declará-lo em 2005 “modelo europeu da partilha”.
Nem de propósito: nestes tempos tão necessitados de entre ajuda, que São Martinho nos inspire a todos!
RR on-line 11-11-2011 8:16
Hoje em dia, todos associam o Dia de S. Martinho a feiras e festas, castanhas e vinho novo. Afinal, acontece também o mesmo no mês de Junho, com os chamados santos populares.
Com tantos excessos praticados nestas ocasiões, não me parece que António de Lisboa, João Baptista, o próprio apóstolo Pedro e, no dia de hoje, Martinho fiquem satisfeitos que o seu nome surja apenas associado aos comes e bebes.
Por isso, é de justiça recordar que S. Martinho morreu no ano de 397. Foi militar, mas renunciou à sua carreira para se tornar monge. Mais tarde, veio a ser bispo de Tours, cidade francesa onde está sepultado. A sua generosidade e humildade fizeram dele um dos santos mais populares e famosos de toda a Europa Ocidental.
Frequentemente representado em cima de um cavalo a entregar metade do seu manto a um pobre que tiritava de frio, a sua fama levou mesmo o Conselho da Europa a declará-lo em 2005 “modelo europeu da partilha”.
Nem de propósito: nestes tempos tão necessitados de entre ajuda, que São Martinho nos inspire a todos!
As razões da dignidade da vida humana
No Blogue: http://o-povo.blogspot.com/
Público, 2011-11-10, Fátima Pinheiro
Debate Do embrião ao testamento vital
O Tribunal Europeu de Justiça decidiu recentemente que não podem ser patenteadas investigações científicas com células estaminais que envolvam a destruição de embriões humanos. Perguntamos nós: mas porquê? Responde o tribunal: qualquer óvulo humano deve, desde a fase da sua fecundação, ser considerado um "embrião humano" quando essa fecundação for susceptível de desencadear o processo de desenvolvimento de um ser humano. Mas, perguntamos nós: o que nos leva a respeitar esse "embrião", quando hoje tanto se fala de eventuais possibilidades terapêuticas das células estaminais embrionárias? Quais são afinal as razões da dignidade assim, mais uma vez, reconhecida?
Entre nós o Parlamento discute agora quatro projetos de lei sobre o testamento vital (PS, PSD, CDS, BE). Os temas estão de certo modo conexos, porque uma investigação séria não olha integralmente o fim da vida sem olhar, também de forma inteira, para o seu começo. A Bioética cai sempre na praça pública como roleta. Ora sai o aborto, ora a eutanásia, ora a investigação em embriões excedentários, ora o estatuto do embrião, ora a arquitetura genética. Porque na realidade tudo se interliga.
As leis, nacionais e internacionais, não cessam de afirmar, como princípio, que a dignidade da vida humana deve ser respeitada. Nem as discussões sobre estes temas a põem em causa. É - também por isso - necessário encontrar as razões que estão na base de tal reconhecimento. A vida humana não é digna "porque sim". A Filosofia tem a competência para contribuir para este esclarecimento.
É simples. Espermatozóide e óvulo encontram-se. Tudo o que de mais criativo se faça parte desta base vital "dada". Ninguém inventa do nada; o coelho sai da cartola porque estava por perto, o resto é ilusão.
A Ciência trata do que é mensurável. E os avanços têm sido fantásticos. No entanto, ela não sabe dizer todos os fatores deste fenómeno "vida". Einstein, o cientista, admite a dimensão misteriosa da realidade, e, por muito que avance, embate nesse "algo" que será sempre espanto e interrogação. Na sua origem e no seu fim.
Quem não está, portanto, na posse de todos os dados, com que legitimidade pode "mexer", isto é, interferir num processo vital, do qual, em última análise, desconhece os contornos? A dignidade desse "algo" que é "grão de areia" - e um dia uma pessoa, e um dia, se for o caso, pessoa em estado vegetativo - vem desse excesso de ser, desse caráter misterioso que o torna intocável, sagrado. O ontológico precede, como sempre, o ético. Não se deve tocar porque não nos pertence, é um dado.
No que diz respeito ao testamento vital, em nome do princípio da autonomia não se estará nalguns casos a ignorar a dignidade da vida como a entendemos, de "algo" que, em última análise, não nos pertence? Em relação ao momento em que se faz o testamento muito pode acontecer: a pessoa estava informada? E se a ciência avançou? E se a pessoa mudou de vontade?
A dignidade da pessoa humana vem da autonomia ou é o contrário? Que se argumente. Pois para uma boa lei há que ter em conta todos os fatores e todas as consequências do que está em jogo. Como lembrou em relação ao Direito o saudoso Luís Archer: "Aprovar antes de se saber todas as consequências que as coisas vão ter, não é bom." Argumentar não se reduz a "falar" melhor e/ou mais alto. É esgrimir razões, ou, como alguém já o disse, alargar o uso da razão. Foi o que fez o Tribunal Europeu de Justiça. (100mim.wordpress.com)
A pedido da autora, este texto respeita as regras do Acordo Ortográfico
Público, 2011-11-10, Fátima Pinheiro
Debate Do embrião ao testamento vital
O Tribunal Europeu de Justiça decidiu recentemente que não podem ser patenteadas investigações científicas com células estaminais que envolvam a destruição de embriões humanos. Perguntamos nós: mas porquê? Responde o tribunal: qualquer óvulo humano deve, desde a fase da sua fecundação, ser considerado um "embrião humano" quando essa fecundação for susceptível de desencadear o processo de desenvolvimento de um ser humano. Mas, perguntamos nós: o que nos leva a respeitar esse "embrião", quando hoje tanto se fala de eventuais possibilidades terapêuticas das células estaminais embrionárias? Quais são afinal as razões da dignidade assim, mais uma vez, reconhecida?
Entre nós o Parlamento discute agora quatro projetos de lei sobre o testamento vital (PS, PSD, CDS, BE). Os temas estão de certo modo conexos, porque uma investigação séria não olha integralmente o fim da vida sem olhar, também de forma inteira, para o seu começo. A Bioética cai sempre na praça pública como roleta. Ora sai o aborto, ora a eutanásia, ora a investigação em embriões excedentários, ora o estatuto do embrião, ora a arquitetura genética. Porque na realidade tudo se interliga.
As leis, nacionais e internacionais, não cessam de afirmar, como princípio, que a dignidade da vida humana deve ser respeitada. Nem as discussões sobre estes temas a põem em causa. É - também por isso - necessário encontrar as razões que estão na base de tal reconhecimento. A vida humana não é digna "porque sim". A Filosofia tem a competência para contribuir para este esclarecimento.
É simples. Espermatozóide e óvulo encontram-se. Tudo o que de mais criativo se faça parte desta base vital "dada". Ninguém inventa do nada; o coelho sai da cartola porque estava por perto, o resto é ilusão.
A Ciência trata do que é mensurável. E os avanços têm sido fantásticos. No entanto, ela não sabe dizer todos os fatores deste fenómeno "vida". Einstein, o cientista, admite a dimensão misteriosa da realidade, e, por muito que avance, embate nesse "algo" que será sempre espanto e interrogação. Na sua origem e no seu fim.
Quem não está, portanto, na posse de todos os dados, com que legitimidade pode "mexer", isto é, interferir num processo vital, do qual, em última análise, desconhece os contornos? A dignidade desse "algo" que é "grão de areia" - e um dia uma pessoa, e um dia, se for o caso, pessoa em estado vegetativo - vem desse excesso de ser, desse caráter misterioso que o torna intocável, sagrado. O ontológico precede, como sempre, o ético. Não se deve tocar porque não nos pertence, é um dado.
No que diz respeito ao testamento vital, em nome do princípio da autonomia não se estará nalguns casos a ignorar a dignidade da vida como a entendemos, de "algo" que, em última análise, não nos pertence? Em relação ao momento em que se faz o testamento muito pode acontecer: a pessoa estava informada? E se a ciência avançou? E se a pessoa mudou de vontade?
A dignidade da pessoa humana vem da autonomia ou é o contrário? Que se argumente. Pois para uma boa lei há que ter em conta todos os fatores e todas as consequências do que está em jogo. Como lembrou em relação ao Direito o saudoso Luís Archer: "Aprovar antes de se saber todas as consequências que as coisas vão ter, não é bom." Argumentar não se reduz a "falar" melhor e/ou mais alto. É esgrimir razões, ou, como alguém já o disse, alargar o uso da razão. Foi o que fez o Tribunal Europeu de Justiça. (100mim.wordpress.com)
A pedido da autora, este texto respeita as regras do Acordo Ortográfico
Pensamento do dia
Não podemos procurar na gravitação a razão pela qual duas pessoas se apaixonam. Como é que se pode explicar no domínio da física ou da química este tão importante fenómeno do primeiro amor? Ponham a mão num fogão durante um minuto e parecerá uma hora. Sentem-se ao lado daquela rapariga especial uma hora e parecerá um minuto. Isto é relatividade.
Albert Einstein
Albert Einstein
domingo, 16 de outubro de 2011
Os professores querem concursos nacionais, anuais e com critérios universais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade
FENPROF exige concursos nacionais, anuais e com critérios universais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade
A FENPROF voltou a exigir a realização de "concursos nacionais, anuais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade nos quadros, que tenham em conta as reais necessidades das escolas", com “critérios universais: graduação profissional; classificação profissional, tempo de serviço.”
O Secretário Geral da FENPROF falava aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada ao fundo das escadarias de São Bento, após a reunião que a delegação sindical manteve com a Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, a quem apresentou "as suas preocupações e os indícios que levam a crer que, na designada Bolsa de Recrutamento 2, para contratação de docentes, terá havido manipulação prévia de dados, daí resultando injustiças e ilegalidades diversas."
A FENPROF exige também a abertura de lugar de quadro nas escolas sempre que um lugar vago assim se mantenha por um período de 3 anos. Ao quarto ano dará origem a um lugar para ingresso de docente ou mobilidade;e o ingresso em quadro (vinculação) dos docentes profissionalizados quando completam três anos de serviço. Transitoriamente, a FENPROF admite negociar um regime transitório que, partindo de um patamar mais elevado, num determinado número de anos a definir, chegue aos três anos antes referidos.
A garantia de profissionalização dos docentes com habilitação própria com três anos ou mais anos de serviço, é outra reivindicação destacada pela Federação Nacional dos Professores, que exige a abertura, em 2012, de concurso nacional para ingresso e mobilidade nos quadros.
O problema de fundo
Numa tomada de posição divulgada aos profissionais da comunicaçâo social, a FENPROF sublinha que o problema de fundo é o desemprego e a instabilidade que, "deliberadamente, foi provocado para 2011/2012, estando a ser tomadas medidas, pelo Governo, que agravarão muito a situação no próximo ano."
A FENPROF chama também a atenção para a falta de competência técnica, a falta de rigor e isenção e a falta de vontade política para solucionar problemas.
A propósito da bolsa de recrutamento 2, recorde-se, já foram realizadas. por iniciativa da FENPROF, reuniões na Procuradoria Geral da República, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da AR, na Provedoria de Justiça e agora na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Aguarda-se para breve a reunião com Inspeção Geral de Educação (IGE).
Das diligências, até agora, resulta:
Da PGR: remetido processo para Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).
Da CECC da AR: iniciativas de grupos parlamentares para esclarecimento da situação.
Da Provedoria de Justiça: reforço de processo já aberto na sequência de 44 queixas entretanto apresentadas individualmente.
Com estas iniciativas, a FENPROF pretende "o apuramento da verdade, a reparação de danos causados aos professores, a responsabilização (disciplinar ou penal, dependendo do que for apurado, caso se confirmem os indícios existentes) de quem provocou problema e a assunção política do problema, se vier a fazer-se prova."
Ilegalidades na celebração de contratos
Esclarece a FENPROF que contratos correspondentes a horários anuais, incluindo os que foram identificados como tal (por exemplo, da BR01, que só tinha horários anuais), estão a ser propostos (e alguns já celebrados) como temporários de 30 dias, ou, desde logo, como a termo incerto.
Relativamente aos celebrados a termo certo por 30 dias, desconhece-se o que acontecerá ao fim desse tempo. A renovação sucessiva por períodos iguais é ilegal, a renovação ou transformação em contrato a termo incerto também é ilegal. Será ainda ilegal que estes contratos sejam considerados a termo incerto, pois sabe-se qual o seu termo: o final do ano escolar. "Estamos a alertar os professores para esta situação", como sublinhou Mário Nogueira nesta conferência de imprensa de 13 de Outubro.
A FENPROF recorda e esclarece também quais são os tipos de contrato possíveis:
- Termo certo: pelo período de ausência (substituição) ou até 31 de agosto (aposentações, novas turmas, mobilidade…)
- Termo incerto: quando não se conhece tempo da ausência, mas se presume que haverá regresso do titular do docente substituído.
Ofertas de escola:
vale (quase) tudo...
Como referiu o Secretáruo Geral da FENPROF, nas ofertas de escola surgem muitas situações em que vale (quase) tudo... Vejamos algumas das mais frequentes:
a) Horário cuja origem leva a que se prolongue até final do ano, dá origem a contrato mensal. Mas, ainda assim, há incoerências, com a mesma escola a fazer opções diferentes;
b) Falta de rigor nas habilitações exigidas (habilitação própria em igualdade com habilitação profissional).
c) Critérios orientados para candidato (alguns assemelham-se a uma fotografia de alta resolução).
d) Anulação, na prática, de critérios com a introdução de parecer favorável do diretor ou o recurso a entrevista. Nesses casos, a escolha, na verdade, será do diretor.
"Todas estas situações serão facultados à Provedoria de Justiça e à Inspeção Geral de Educação com pedido de intervenção. Será também exigido ao MEC que intervenha neste processo corrigindo situações",garantiu Mário Nogueira, acompanhado por dirigentes dos vários Sindicatos da FENPROF.
"Entre outras dimensões do problema, importa lembrar que estamos a falar de acesso a emprego público, neste caso, emprego docente. É imperioso que haja regras, imparcialidade, transparência, ainda para mais numa altura em que o desemprego atingiu enormes proporções", concluiu.
Reivindicações da FENPROF
Além da exigência de concurso, com regras de transparência e competência e com as características já sublinhadas no início dersta peça, a FENPROF exige, para efeitos de contratação, a constituição de uma “bolsa” nacional de candidatos que, depois de uma primeira fase de colocação, no final de agosto, funcionará ciclicamente, tendo em conta as necessidades transitórias, a graduação dos candidatos e as suas preferências, devendo ser retomadas regras que a atual legislação revogou.
Ou seja, não são os horários que “escolhem” os candidatos, mas estes que são colocados de acordo com as suas preferências, tendo em conta o conjunto de horários disponíveis em cada momento de colocação. De cada “ciclo” de colocações é publicamente divulgada uma lista. Os docentes com habilitação própria que, como se sabe, continuam a ser imprescindíveis em muitas áreas, poderão candidatar-se ao concurso nacional, sendo ordenados em prioridade após os que apresentam habilitação profissional.
O recurso a “oferta de escola” tem um carácter verdadeiramente excecional: ter esgotado a lista nacional, seja em que momento do ano for. Nesse caso, os critérios deverão ser estabelecidos em termos nacionais, respeitando os que foram adotados nessa fase.
Está provado que os concursos efetuados localmente apresentaram sempre mais problemas e nunca foram mais céleres as colocações daí resultantes. Já os concurso nacionais só correram mal quando neles se refletiu incompetência técnica ou outros fatores que interferiram no seu normal desenvolvimento, conclui a Federação. / JPO
A FENPROF voltou a exigir a realização de "concursos nacionais, anuais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade nos quadros, que tenham em conta as reais necessidades das escolas", com “critérios universais: graduação profissional; classificação profissional, tempo de serviço.”
O Secretário Geral da FENPROF falava aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada ao fundo das escadarias de São Bento, após a reunião que a delegação sindical manteve com a Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, a quem apresentou "as suas preocupações e os indícios que levam a crer que, na designada Bolsa de Recrutamento 2, para contratação de docentes, terá havido manipulação prévia de dados, daí resultando injustiças e ilegalidades diversas."
A FENPROF exige também a abertura de lugar de quadro nas escolas sempre que um lugar vago assim se mantenha por um período de 3 anos. Ao quarto ano dará origem a um lugar para ingresso de docente ou mobilidade;e o ingresso em quadro (vinculação) dos docentes profissionalizados quando completam três anos de serviço. Transitoriamente, a FENPROF admite negociar um regime transitório que, partindo de um patamar mais elevado, num determinado número de anos a definir, chegue aos três anos antes referidos.
A garantia de profissionalização dos docentes com habilitação própria com três anos ou mais anos de serviço, é outra reivindicação destacada pela Federação Nacional dos Professores, que exige a abertura, em 2012, de concurso nacional para ingresso e mobilidade nos quadros.
O problema de fundo
Numa tomada de posição divulgada aos profissionais da comunicaçâo social, a FENPROF sublinha que o problema de fundo é o desemprego e a instabilidade que, "deliberadamente, foi provocado para 2011/2012, estando a ser tomadas medidas, pelo Governo, que agravarão muito a situação no próximo ano."
A FENPROF chama também a atenção para a falta de competência técnica, a falta de rigor e isenção e a falta de vontade política para solucionar problemas.
A propósito da bolsa de recrutamento 2, recorde-se, já foram realizadas. por iniciativa da FENPROF, reuniões na Procuradoria Geral da República, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da AR, na Provedoria de Justiça e agora na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Aguarda-se para breve a reunião com Inspeção Geral de Educação (IGE).
Das diligências, até agora, resulta:
Da PGR: remetido processo para Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).
Da CECC da AR: iniciativas de grupos parlamentares para esclarecimento da situação.
Da Provedoria de Justiça: reforço de processo já aberto na sequência de 44 queixas entretanto apresentadas individualmente.
Com estas iniciativas, a FENPROF pretende "o apuramento da verdade, a reparação de danos causados aos professores, a responsabilização (disciplinar ou penal, dependendo do que for apurado, caso se confirmem os indícios existentes) de quem provocou problema e a assunção política do problema, se vier a fazer-se prova."
Ilegalidades na celebração de contratos
Esclarece a FENPROF que contratos correspondentes a horários anuais, incluindo os que foram identificados como tal (por exemplo, da BR01, que só tinha horários anuais), estão a ser propostos (e alguns já celebrados) como temporários de 30 dias, ou, desde logo, como a termo incerto.
Relativamente aos celebrados a termo certo por 30 dias, desconhece-se o que acontecerá ao fim desse tempo. A renovação sucessiva por períodos iguais é ilegal, a renovação ou transformação em contrato a termo incerto também é ilegal. Será ainda ilegal que estes contratos sejam considerados a termo incerto, pois sabe-se qual o seu termo: o final do ano escolar. "Estamos a alertar os professores para esta situação", como sublinhou Mário Nogueira nesta conferência de imprensa de 13 de Outubro.
A FENPROF recorda e esclarece também quais são os tipos de contrato possíveis:
- Termo certo: pelo período de ausência (substituição) ou até 31 de agosto (aposentações, novas turmas, mobilidade…)
- Termo incerto: quando não se conhece tempo da ausência, mas se presume que haverá regresso do titular do docente substituído.
Ofertas de escola:
vale (quase) tudo...
Como referiu o Secretáruo Geral da FENPROF, nas ofertas de escola surgem muitas situações em que vale (quase) tudo... Vejamos algumas das mais frequentes:
a) Horário cuja origem leva a que se prolongue até final do ano, dá origem a contrato mensal. Mas, ainda assim, há incoerências, com a mesma escola a fazer opções diferentes;
b) Falta de rigor nas habilitações exigidas (habilitação própria em igualdade com habilitação profissional).
c) Critérios orientados para candidato (alguns assemelham-se a uma fotografia de alta resolução).
d) Anulação, na prática, de critérios com a introdução de parecer favorável do diretor ou o recurso a entrevista. Nesses casos, a escolha, na verdade, será do diretor.
"Todas estas situações serão facultados à Provedoria de Justiça e à Inspeção Geral de Educação com pedido de intervenção. Será também exigido ao MEC que intervenha neste processo corrigindo situações",garantiu Mário Nogueira, acompanhado por dirigentes dos vários Sindicatos da FENPROF.
"Entre outras dimensões do problema, importa lembrar que estamos a falar de acesso a emprego público, neste caso, emprego docente. É imperioso que haja regras, imparcialidade, transparência, ainda para mais numa altura em que o desemprego atingiu enormes proporções", concluiu.
Reivindicações da FENPROF
Além da exigência de concurso, com regras de transparência e competência e com as características já sublinhadas no início dersta peça, a FENPROF exige, para efeitos de contratação, a constituição de uma “bolsa” nacional de candidatos que, depois de uma primeira fase de colocação, no final de agosto, funcionará ciclicamente, tendo em conta as necessidades transitórias, a graduação dos candidatos e as suas preferências, devendo ser retomadas regras que a atual legislação revogou.
Ou seja, não são os horários que “escolhem” os candidatos, mas estes que são colocados de acordo com as suas preferências, tendo em conta o conjunto de horários disponíveis em cada momento de colocação. De cada “ciclo” de colocações é publicamente divulgada uma lista. Os docentes com habilitação própria que, como se sabe, continuam a ser imprescindíveis em muitas áreas, poderão candidatar-se ao concurso nacional, sendo ordenados em prioridade após os que apresentam habilitação profissional.
O recurso a “oferta de escola” tem um carácter verdadeiramente excecional: ter esgotado a lista nacional, seja em que momento do ano for. Nesse caso, os critérios deverão ser estabelecidos em termos nacionais, respeitando os que foram adotados nessa fase.
Está provado que os concursos efetuados localmente apresentaram sempre mais problemas e nunca foram mais céleres as colocações daí resultantes. Já os concurso nacionais só correram mal quando neles se refletiu incompetência técnica ou outros fatores que interferiram no seu normal desenvolvimento, conclui a Federação. / JPO
Rankings - A desonestidade ao serviço da promoção do ensino privado
É legítimo classificar escolas como “boas” e “más” ignorando as diferentes realidades educativas que as caracterizam e tendo apenas em conta os resultados dos alunos em exames nacionais?
Independentemente de serem escolas privadas que seleccionam os seus alunos ou escolas de todos e para todos, com populações escolares heterogéneas?
Independentemente do número de alunos que levam a exame?
[Hoje, uma escola do Porto foi exposta publicamente como “a pior do país” em função dos resultados nos exames de UM ÚNICO ALUNO. Como é possível???]
Na Austrália, os professores e os directores das escolas públicas bateram-de, de forma determinada, contra a publicação deste tipo de rankings. Em Portugal, vamos continuar a permiti-lo até quando e em nome de quê?
AUSTRÁLIA CONTRA OS RANKINGS
(texto disponível no Jornal da FENPROF de Janeiro de 2011, p.19)
Nos últimos anos a Austrália teve um regime de exames nacionais, conhecido como NAPLAN, para alunos dos graus 3, 5, 7 e 9 apesar de não haver um currículo nacional. Em 2009, o Governo Australiano criou um novo sítio na internet chamado “My School” onde eram publicados os resultados dos exames, escola a escola.
Durante os meses que precederam esta divulgação, o Sindicato da Educação Australiano (AEU) que representa 180,000 professores das escolas públicas por toda a Austrália desenvolveu uma campanha contra a divulgação pública dos resultados dos exames. O principal receio do sindicato foi que isso pudesse levar à criação de “rankings” e à exposição pública (“naming and shaming”) das escolas que tanto prejuízo causou em países como a Inglaterra e os Estados Unidos da América.
Mal os resultados dos exames foram divulgados, muitos jornais começaram a elaborar “rankings” e os piores receios dos professores foram confirmados. Os meios de comunicação social usaram a informação sobre os resultados dos exames para atacarem as escolas, particularmente as escolas públicas e os seus professores.
No início de 2010, o AEU intensificou a campanha exigindo que o governo tomasse medidas para impedir que os resultados dos exames fossem usados para criar “rankings”. A ronda seguinte de exames estava prevista para Maio de 2010 e o sindicato fez um ultimato ao Governo Australiano. A menos que fossem postas em prática medidas de protecção desses dados, os professores em toda a Austrália recusar-se-iam a aplicar os exames de literacia e numeracia (NAPLAN). Nos meses que precederam os exames de Maio, o sindicato organizou-se por todo o país para obter apoio para esse boicote.
A campanha intensificou-se e foi bem apoiada por directores de escola e professores, muitos dos quais foram ameaçados com o despedimento e pesadas multas. Finalmente, apenas alguns dias antes da data prevista para a realização dos testes, o Governo apresentou uma proposta ao sindicato. Comprometeu-se a constituir um Grupo de Trabalho para aprofundar mecanismos de protecção para o uso dos dados dos exames. Consequentemente, o boicote foi levantado.
Na semana passada o Grupo de Trabalho divulgou as suas recomendações. Numa vitória histórica para o AEU, a principal recomendação do Grupo de Trabalho foi que os dados dos exames seriam protegidos usando as leis de copyright existentes. O grande desafio agora é assegurar que o Governo honra as conclusões do Grupo de Trabalho e está pronto a agir contra qualquer meio de comunicação social que viole a lei publicando “rankings”.
Maurie Mulheron
Principal
Keira High School
Australia
Independentemente de serem escolas privadas que seleccionam os seus alunos ou escolas de todos e para todos, com populações escolares heterogéneas?
Independentemente do número de alunos que levam a exame?
[Hoje, uma escola do Porto foi exposta publicamente como “a pior do país” em função dos resultados nos exames de UM ÚNICO ALUNO. Como é possível???]
Na Austrália, os professores e os directores das escolas públicas bateram-de, de forma determinada, contra a publicação deste tipo de rankings. Em Portugal, vamos continuar a permiti-lo até quando e em nome de quê?
AUSTRÁLIA CONTRA OS RANKINGS
(texto disponível no Jornal da FENPROF de Janeiro de 2011, p.19)
Nos últimos anos a Austrália teve um regime de exames nacionais, conhecido como NAPLAN, para alunos dos graus 3, 5, 7 e 9 apesar de não haver um currículo nacional. Em 2009, o Governo Australiano criou um novo sítio na internet chamado “My School” onde eram publicados os resultados dos exames, escola a escola.
Durante os meses que precederam esta divulgação, o Sindicato da Educação Australiano (AEU) que representa 180,000 professores das escolas públicas por toda a Austrália desenvolveu uma campanha contra a divulgação pública dos resultados dos exames. O principal receio do sindicato foi que isso pudesse levar à criação de “rankings” e à exposição pública (“naming and shaming”) das escolas que tanto prejuízo causou em países como a Inglaterra e os Estados Unidos da América.
Mal os resultados dos exames foram divulgados, muitos jornais começaram a elaborar “rankings” e os piores receios dos professores foram confirmados. Os meios de comunicação social usaram a informação sobre os resultados dos exames para atacarem as escolas, particularmente as escolas públicas e os seus professores.
No início de 2010, o AEU intensificou a campanha exigindo que o governo tomasse medidas para impedir que os resultados dos exames fossem usados para criar “rankings”. A ronda seguinte de exames estava prevista para Maio de 2010 e o sindicato fez um ultimato ao Governo Australiano. A menos que fossem postas em prática medidas de protecção desses dados, os professores em toda a Austrália recusar-se-iam a aplicar os exames de literacia e numeracia (NAPLAN). Nos meses que precederam os exames de Maio, o sindicato organizou-se por todo o país para obter apoio para esse boicote.
A campanha intensificou-se e foi bem apoiada por directores de escola e professores, muitos dos quais foram ameaçados com o despedimento e pesadas multas. Finalmente, apenas alguns dias antes da data prevista para a realização dos testes, o Governo apresentou uma proposta ao sindicato. Comprometeu-se a constituir um Grupo de Trabalho para aprofundar mecanismos de protecção para o uso dos dados dos exames. Consequentemente, o boicote foi levantado.
Na semana passada o Grupo de Trabalho divulgou as suas recomendações. Numa vitória histórica para o AEU, a principal recomendação do Grupo de Trabalho foi que os dados dos exames seriam protegidos usando as leis de copyright existentes. O grande desafio agora é assegurar que o Governo honra as conclusões do Grupo de Trabalho e está pronto a agir contra qualquer meio de comunicação social que viole a lei publicando “rankings”.
Maurie Mulheron
Principal
Keira High School
Australia
"Ligar os pontos", artigo sobre Steve Jobs
Pe. Tolentino Mendonça
Agência Ecclesia 2011-10-11
Numa cultura que se recusa a encarar [a doença e a morte] … Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade
É estranho dizer-se de um homem que morre aos 56 anos que tenha tido três vidas. Mas é isso que apetece dizer quando se escuta o inspirador discurso que Steve Jobs fez em 2005, na entrega de diplomas da universidade de Stanford, e que hoje podemos perceber claramente como uma espécie de testamento. Jobs conta, então, três histórias, que correspondem a momentos-chave do seu percurso. A primeira descreve os seus difíceis começos e ele chama-lhe “ligar os pontos”. O arranque da vida não podia ser mais áspero. Entregue para a adoção assim que nasceu, uma adolescência hesitante, a entrada numa universidade que os pais não conseguiam pagar nem ele verdadeiramente suportava, a dureza de uma juventude feita de biscates, meio à deriva…Mas no meio disso, a aprendizagem pessoal do valor das coisas, a busca exigente daquilo que realmente gostava e aceitar pagar o preço, em dedicação e esforço. Ele conta, por exemplo, que escolheu frequentar minuciosamente um bizarro curso de caligrafia. Só dez anos mais tarde, quando inventou o revolucionário Macintosh, percebeu que esse conhecimento viria a ter uma aplicação preciosa. Como diz Steve Jobs, precisamos confiar que os pontos dispersos do nosso percurso se vão ligar e receber daí confiança para seguir um caminho diferente do previsto.
A segunda história é sobre o amor e a perda. Ele inventou com um amigo, na garagem da sua casa, um negócio que, em apenas uma década, passou a mover 2 biliões de dólares e 4000 empregados. E, precisamente, quando julgava ter alcançado o auge despedem-no. Impressionante é o modo como integra este golpe, depois de um primeiro atordoamento: «Decidi começar de novo. E isso deu-me liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida». A verdade é que ele se reinventa e volta à liderança da empresa da qual havia sido dispensado.
A terceira história é acerca da doença e da morte. E numa cultura que se recusa a encarar qualquer uma delas, Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade: «A morte é muito provavelmente a melhor invenção da Vida…O nosso tempo é limitado então não o desperdicemos… Tenhamos a coragem de seguir o nosso coração». Por isso, a sua morte recente não nos obriga apenas a lembrar a revolução tecnológica que ele aproximou dos nossos quotidianos. Ela obriga-nos a arriscar “ligar os pontos” dentro de nós.
José Tolentino Mendonça
Agência Ecclesia 2011-10-11
Numa cultura que se recusa a encarar [a doença e a morte] … Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade
É estranho dizer-se de um homem que morre aos 56 anos que tenha tido três vidas. Mas é isso que apetece dizer quando se escuta o inspirador discurso que Steve Jobs fez em 2005, na entrega de diplomas da universidade de Stanford, e que hoje podemos perceber claramente como uma espécie de testamento. Jobs conta, então, três histórias, que correspondem a momentos-chave do seu percurso. A primeira descreve os seus difíceis começos e ele chama-lhe “ligar os pontos”. O arranque da vida não podia ser mais áspero. Entregue para a adoção assim que nasceu, uma adolescência hesitante, a entrada numa universidade que os pais não conseguiam pagar nem ele verdadeiramente suportava, a dureza de uma juventude feita de biscates, meio à deriva…Mas no meio disso, a aprendizagem pessoal do valor das coisas, a busca exigente daquilo que realmente gostava e aceitar pagar o preço, em dedicação e esforço. Ele conta, por exemplo, que escolheu frequentar minuciosamente um bizarro curso de caligrafia. Só dez anos mais tarde, quando inventou o revolucionário Macintosh, percebeu que esse conhecimento viria a ter uma aplicação preciosa. Como diz Steve Jobs, precisamos confiar que os pontos dispersos do nosso percurso se vão ligar e receber daí confiança para seguir um caminho diferente do previsto.
A segunda história é sobre o amor e a perda. Ele inventou com um amigo, na garagem da sua casa, um negócio que, em apenas uma década, passou a mover 2 biliões de dólares e 4000 empregados. E, precisamente, quando julgava ter alcançado o auge despedem-no. Impressionante é o modo como integra este golpe, depois de um primeiro atordoamento: «Decidi começar de novo. E isso deu-me liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida». A verdade é que ele se reinventa e volta à liderança da empresa da qual havia sido dispensado.
A terceira história é acerca da doença e da morte. E numa cultura que se recusa a encarar qualquer uma delas, Steve Jobs deixa um testemunho exemplar de sabedoria e humanidade: «A morte é muito provavelmente a melhor invenção da Vida…O nosso tempo é limitado então não o desperdicemos… Tenhamos a coragem de seguir o nosso coração». Por isso, a sua morte recente não nos obriga apenas a lembrar a revolução tecnológica que ele aproximou dos nossos quotidianos. Ela obriga-nos a arriscar “ligar os pontos” dentro de nós.
José Tolentino Mendonça
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Escola para professores no CERN 2011
Foi espetacular! Cansativo mas valeu a pena.
http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=27640&e_id&c_id=7&dif=tv#.Tm0lAysdz00.facebook
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domingo, 31 de julho de 2011
O tempo da liberdade
Notas de um diálogo durante um aperitivo com don Luigi Giussani, antes de partir para as férias.
Milão, 5 de junho de 1964
Desde os primeiríssimos dias do Movimento tivemos um conceito claro e simples: tempo livre é o tempo em que a pessoa não é obrigada a fazer nada, não há coisa alguma que se seja obrigado a fazer, o tempo livre é tempo livre.
Como nós discutíamos com frequência com os pais e com os professores, que diziam que GS[1] ocupava demais o tempo livre dos jovens, enquanto os jovens deveriam estudar ou trabalhar na cozinha, em casa, eu dizia: “O tempo livre é muito bom para os jovens!”. “Mas um jovem, uma pessoa adulta”, retrucavam, “é julgado pelo trabalho, pela seriedade do trabalho, pela tenacidade e pela fidelidade ao trabalho”. “Não”, eu respondia, “de jeito nenhum! Um jovem é julgado pela maneira como usa o tempo livre”. Oh, todos se escandalizavam. Mas... se é tempo livre, significa que a pessoa é livre para fazer o que quiser. Portanto, se entende o que a pessoa quer pela maneira como utiliza o seu tempo livre.
Eu entendo o que uma pessoa - jovem ou adulta - realmente quer não pelo trabalho, pelo estudo, ou seja, por aquilo que é obrigada a fazer, pelas conveniências ou pelas necessidades sociais, mas pela maneira como usa o seu tempo livre. Se um jovem ou uma pessoa madura desperdiça o tempo livre, não ama a vida: é tolo. As férias, com efeito, são o tempo clássico em que quase todos se tornam fúteis. Ao contrário, as férias são o tempo mais nobre do ano, pois são o momento em que a pessoa se empenha como quiser com o valor que reconhece prevalecer na sua vida, ou então não se empenha de modo nenhum com nada e então, justamente, é fútil.
A resposta que dávamos aos pais e professores há mais de quarenta anos tem uma profundidade à qual eles nunca tinham chegado: o valor maior do homem, a virtude, a coragem, a energia do homem, aquilo pelo qual vale a pena viver, está na gratuidade, na capacidade da gratuidade. E a gratuidade está justamente no tempo livre que vem à tona e se afirma de forma surpreendente.
* * *
A maneira de rezar, a fidelidade à oração, a verdade dos relacionamentos, a dedicação de si, o gosto pelas coisas, a modéstia na forma de usar a realidade, a comoção e a compaixão para com as coisas, tudo isto se vê muito mais nas férias do que durante o ano. De férias, a pessoa é livre e, se é livre, faz o que quer.
Isto quer dizer que as férias são uma coisa importante. Em primeiro lugar, isto implica atenção na escolha da companhia e do lugar, mas sobretudo tem a ver com a maneira como se vive: se as férias não nos fazem nunca recordar o que mais gostaríamos de recordar, se não nos tornam melhor para com os outros, mas nos tornam mais instintivos, se não nos fazem aprender a olhar a natureza com intenção profunda, se não nos fazem fazer um sacrifício com alegria, o tempo do repouso não cumpre o seu objectivo.
* * *
As férias devem ser o mais livres possíveis. O critério das férias é respirar, se possível a plenos pulmões.
Deste ponto de vista, fixar a priori como princípio que um grupo tenha de passar as férias junto é antes de mais nada contrário ao que foi dito, pois os mais frágeis da companhia, por exemplo, podem não ousar dizer não. Em segundo lugar, é contra o princípio missionário: ir em férias juntos tem de responder a este critério. Seja como for, em primeiro lugar a liberdade acima de tudo. Liberdade de fazer o que se quer... segundo o ideal!
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O que você ganha, vivendo assim? A gratuidade, a pureza do relacionamento humano.
Em tudo isto, a última coisa de que podemos ser acusados é de convidar a uma vida triste ou obrigar a uma vida pesada: seria o sinal de que justamente quem faz as objecções é que é triste, pesado ou macilento. Onde macilento indica uma pessoa que não come e não bebe, por isso não goza da vida. E dizer que Jesus identificou o instrumento, o nexo supremo entre o homem que caminha na terra e o Deus vivo, o Infinito, o Mistério infinito, com o comer e com o beber: a eucaristia é comer e beber - ainda que hoje tão frequentemente seja reduzida a um esquema do qual já não se compreende o significado -. É um comer e um beber: o ágape é um comer e beber. A expressão maior do relacionamento entre mim e esta presença que é Deus feito homem em ti, ó Cristo, é comer e beber contigo. Onde tu te identificas com o que comes e bebes, de modo tal que “mesmo vivendo na carne eu vivo na fé do Filho de Deus” (“fé” quer dizer reconhecer uma Presença).
(traduzido por Durval Cordas)
Milão, 5 de junho de 1964
Desde os primeiríssimos dias do Movimento tivemos um conceito claro e simples: tempo livre é o tempo em que a pessoa não é obrigada a fazer nada, não há coisa alguma que se seja obrigado a fazer, o tempo livre é tempo livre.
Como nós discutíamos com frequência com os pais e com os professores, que diziam que GS[1] ocupava demais o tempo livre dos jovens, enquanto os jovens deveriam estudar ou trabalhar na cozinha, em casa, eu dizia: “O tempo livre é muito bom para os jovens!”. “Mas um jovem, uma pessoa adulta”, retrucavam, “é julgado pelo trabalho, pela seriedade do trabalho, pela tenacidade e pela fidelidade ao trabalho”. “Não”, eu respondia, “de jeito nenhum! Um jovem é julgado pela maneira como usa o tempo livre”. Oh, todos se escandalizavam. Mas... se é tempo livre, significa que a pessoa é livre para fazer o que quiser. Portanto, se entende o que a pessoa quer pela maneira como utiliza o seu tempo livre.
Eu entendo o que uma pessoa - jovem ou adulta - realmente quer não pelo trabalho, pelo estudo, ou seja, por aquilo que é obrigada a fazer, pelas conveniências ou pelas necessidades sociais, mas pela maneira como usa o seu tempo livre. Se um jovem ou uma pessoa madura desperdiça o tempo livre, não ama a vida: é tolo. As férias, com efeito, são o tempo clássico em que quase todos se tornam fúteis. Ao contrário, as férias são o tempo mais nobre do ano, pois são o momento em que a pessoa se empenha como quiser com o valor que reconhece prevalecer na sua vida, ou então não se empenha de modo nenhum com nada e então, justamente, é fútil.
A resposta que dávamos aos pais e professores há mais de quarenta anos tem uma profundidade à qual eles nunca tinham chegado: o valor maior do homem, a virtude, a coragem, a energia do homem, aquilo pelo qual vale a pena viver, está na gratuidade, na capacidade da gratuidade. E a gratuidade está justamente no tempo livre que vem à tona e se afirma de forma surpreendente.
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A maneira de rezar, a fidelidade à oração, a verdade dos relacionamentos, a dedicação de si, o gosto pelas coisas, a modéstia na forma de usar a realidade, a comoção e a compaixão para com as coisas, tudo isto se vê muito mais nas férias do que durante o ano. De férias, a pessoa é livre e, se é livre, faz o que quer.
Isto quer dizer que as férias são uma coisa importante. Em primeiro lugar, isto implica atenção na escolha da companhia e do lugar, mas sobretudo tem a ver com a maneira como se vive: se as férias não nos fazem nunca recordar o que mais gostaríamos de recordar, se não nos tornam melhor para com os outros, mas nos tornam mais instintivos, se não nos fazem aprender a olhar a natureza com intenção profunda, se não nos fazem fazer um sacrifício com alegria, o tempo do repouso não cumpre o seu objectivo.
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As férias devem ser o mais livres possíveis. O critério das férias é respirar, se possível a plenos pulmões.
Deste ponto de vista, fixar a priori como princípio que um grupo tenha de passar as férias junto é antes de mais nada contrário ao que foi dito, pois os mais frágeis da companhia, por exemplo, podem não ousar dizer não. Em segundo lugar, é contra o princípio missionário: ir em férias juntos tem de responder a este critério. Seja como for, em primeiro lugar a liberdade acima de tudo. Liberdade de fazer o que se quer... segundo o ideal!
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O que você ganha, vivendo assim? A gratuidade, a pureza do relacionamento humano.
Em tudo isto, a última coisa de que podemos ser acusados é de convidar a uma vida triste ou obrigar a uma vida pesada: seria o sinal de que justamente quem faz as objecções é que é triste, pesado ou macilento. Onde macilento indica uma pessoa que não come e não bebe, por isso não goza da vida. E dizer que Jesus identificou o instrumento, o nexo supremo entre o homem que caminha na terra e o Deus vivo, o Infinito, o Mistério infinito, com o comer e com o beber: a eucaristia é comer e beber - ainda que hoje tão frequentemente seja reduzida a um esquema do qual já não se compreende o significado -. É um comer e um beber: o ágape é um comer e beber. A expressão maior do relacionamento entre mim e esta presença que é Deus feito homem em ti, ó Cristo, é comer e beber contigo. Onde tu te identificas com o que comes e bebes, de modo tal que “mesmo vivendo na carne eu vivo na fé do Filho de Deus” (“fé” quer dizer reconhecer uma Presença).
(traduzido por Durval Cordas)
Amar do lado de cá...
«Realidade paralela: Amar do lado de cá...
No exato momento em que os nossos sentidos experimentam, os nossos pensamentos voam e constroem uma Realidade Paralela...Para isso, necessitahttp://www.blogger.com/img/blank.gifmos abrir mais que os olhos...temos que abrir também o coração...»
Excelente blogue da voluntária Vanessa Almeida, que partiu para ficar ao lado de quem precisa.
Mais um grupo de jovens partiu para Moçambique.
Vão partilhar o seu tempo, o seu amor, os seus conhecimentos,... com outros povos.
Vamos acompanhar com a oração e com mensagens este novo grupo em terras de Boa Nova.
Blogue da voluntária Vanessa Almeida: http://amardoladodeca.blogspot.com/
Página dos Leigos Boa Nova: http://leigos.boanova.pt/
Um bem haja e que Nossa Senhora vos acompanhe.
No exato momento em que os nossos sentidos experimentam, os nossos pensamentos voam e constroem uma Realidade Paralela...Para isso, necessitahttp://www.blogger.com/img/blank.gifmos abrir mais que os olhos...temos que abrir também o coração...»
Excelente blogue da voluntária Vanessa Almeida, que partiu para ficar ao lado de quem precisa.
Mais um grupo de jovens partiu para Moçambique.
Vão partilhar o seu tempo, o seu amor, os seus conhecimentos,... com outros povos.
Vamos acompanhar com a oração e com mensagens este novo grupo em terras de Boa Nova.
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