quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Objectivos Gerais... He he he

Caros colegas, de acordo com o modelo de avaliação 'burrocrática' que este (des)governo (só)cretino criou para nós, copiando-o de um país, civilizadíssimo, como o Chile, temos, para além de uma panóplia de fichas e grelhas, de criar os nossos objectivos individuais.
Assim, gostaria de compartilhar convosco os meus objectivos gerais, em forma de desejos, para este ano lectivo.
Aguardo contributos vossos para que possa enriquecer o meu projecto, para ver se chego a excelente, que é para depois me dizerem que na minha escola (tal como na maioria delas) não há quotas suficientes para SEQUER um único excelente no departamento.

1. Não tropeçar no duche, de modo a ficar incapacitado para me deslocar à escola uns dias, o que afectará irremediavelmente a minha avaliação.
2. Fazer cuidada manutenção do meu carrinho, não vá ele falhar-me e, na ausência de transportes públicos entre casa e a escola, ficar tramado pelas razões descritas em 1.
3. Procurar não adoecer de forma alguma, se necessário vacinando-me duas e três vezes contra toda e qualquer ameaça imaginária na forma de vírus, fungo, bactéria, portaria, despacho ou circular.
4. Envolver a minha descendência numa bolha hiperbárica estanque pois, caso ela adoeça, não posso faltar sem que isso provoque os efeitos acima descritos em 1.
5. Proibir qualquer parente de falecer ou, em alternativa, pedir desde já a todos que me desculpem se falhar o respectivo funeral (a menos que seja ao fim de semana).
6. Praticar o sexo mais seguro possível pois se houver descuido lá fica suspensa a minha avaliação.
7. Zelar pela boa saúde do meu Coordenador-Avaliador e mantê-lo feliz com ofertas semanais de doces regionais (a menos que esteja de dieta). Como tem carro, vou-lhe oferecer talões de desconto da BP e da Galp, apesar de eu morar mais longe da escola.
8. O mesmo para o meu presidente de CE.
9. O mesmo para todas as mães dos meus alunos, acrescentando uma assinatura de uma publicação periódica à escolha para os pais (apostava na Maria...).
10. O mesmo para os prospectivos autarcas presentes no Conselho Geral (se é que ele vai existir) e para o futuro Director que segundo consta surgirá no decurso deste ano lectivo, embora deva ser necessário elevar a fasquia para uns jantares em casas de restauração afamadas na região (umas sarrabulhadas, talvez).
11. Poupar na alimentação e vestuário para suportar os gastos acima.
12. Tentar manter a sanidade mental, para não passar à situação de mobilidade especial.

Sr. Coordenador (sei que ele não levará a mal este mail), por favor indique-me os doces da sua preferência e seja benévolo na minha avaliação pois cumpri o prazo de 15 de Novembro para a apresentação dos objectivos.

Charles Darwin

No âmbito das comemorações do bicentenário do aniversário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos do aniversário da publicação da sua obra mais importante A origem das espécies, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra lança o desafio aos artistas de Mail-Art de todo o mundo, no sentido de nos enviarem trabalhos inspirados na figura de Darwin ou na teoria da origem e evolução das espécies.

Darwin foi um cientista e pensador que marcou profundamente as ciências naturais e a nossa perspectiva sobre a história da Humanidade.
Esta iniciativa pretende ser mais uma maneira de assinalar e celebrar a vida e obra deste grande cientista.

Saiba mais em http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=17&iId=55&iAreaFirstAccess=1#iItem_55

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DIVULGAÇÃO
Museu da Ciência
Laboratorio Chimico
Largo Marquês de Pombal
3000-272 Coimbra

E. divulgacao@museudaciencia.pt
T. 239 85 43 50
F. 239 85 43 59

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal



Um Santo Natal e um excelente Ano Novo para todos!

Conto de Natal

Lá vai ser Natal outra vez! Este ano onde é que vocês celebram as festas? - Vai ser em casa da tia Maria, como de costume. - Como sabes? Já falaste com ela?

- Não, mas é sempre assim. Nem é preciso dizer.

- Pobre tia Maria! Como é tão boa, como está sempre disponível e pronta para todos, já nem se dão ao trabalho de lhe perguntar, de lhe pedir, de a envolver na decisão. Ela, precisamente porque é tão boa, é tomada como garantida, automática, com quem não é preciso perder tempo. Tu vais gastar mais esforços a convencer o primo Augusto a ir à Consoada, porque ele é um resmungão e gosta de se fazer caro, do que com a tia Maria, de quem realmente tudo depende, mas a quem ninguém liga, só porque é excelente.

- Tens razão. Mas é natural, não?

- Natural? Talvez. Mas é uma vergonha.

- Sabes, estava aqui a pensar que isso é exactamente o que nós fazemos com Deus. Nós contamos com o Natal todos os anos. Faz parte do calendário. Nem sequer nos damos ao trabalho de Lhe perguntar se este ano vai haver Natal. Nunca nos damos ao trabalho de inquirir se o Deus todo-poderoso, Senhor do Céu e da Terra, quer este ano voltar a nascer na nossa vida. Como Deus é tão bom, as pessoas tendem a dá-lO como garantido. Nem se lembram de Lhe perguntar, de Lhe pedir, de O envolver na decisão. Isso, tens razão, é uma coisa horrível.

- É verdade! A nossa falta de atenção nasce precisamente de o amor atento e disponível se tornar invisível. Invisível porque sempre presente. Está lá sempre e já não o vemos. Mas a nossa falta de atenção magoa imenso a tia Maria, que se esfalfa a trabalhar para nos ser agradável, e vê os seus esforços considerados como normais, banais, exigíveis. É um grande pecado esquecer--se de agradecer aquilo que é um dom tão indispensável que nem sequer damos por ele.

- Sim. Não há nada pior do que tratar Deus como se trata o sol ou a chuva. Deus faz "nascer o sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos" (cf. Mt 5, 45). Mas Ele não é como o sol ou a chuva. Tratar Deus como se fosse um relógio sempre certo, como o sol, ou uma força caprichosa e incontrolável, como a chuva, é o pior dos pecados. Deus, que é amor, supremo amor, não quer ser tomado, não pode ser tomado como o sol ou a chuva.

- Deus, porque nos ama infinitamente, dá-nos sempre o Natal, como nos dá o sol e a chuva. Mas não quer ser tratado como se fosse uma força da natureza ou um mecanismo cego e automático. Deus não pode ser tratado como um engenho que se repete sucessivamente. Porque tudo o que faz é por amor. Ele é amor perfeito, e por isso podemos contar sempre com Ele. Mas, por isso mesmo, nunca o devemos dar por adquirido, nunca o podemos assumir como garantido. Não o podemos desprezar precisamente porque é perfeito.

- Se ao menos nós O víssemos! Com Deus é ainda pior do que com a tia Maria, porque a ela a gente vê. Mas no caso de Deus só vemos o sol e a chuva. Por isso tantos O esquecem.

- Mas não é isso o Natal? Deus, o Deus sublime e transcendente acima da nossa capacidade de compreensão, faz-se um de nós. Desce ao nosso nível para se fazer visível. Tinha anunciado pacientemente, através de uma longa linha de profetas e preparado o momento. Depois, quando veio, fez milagres espantosos, curou, ressuscitou, multiplicou os pães, andou nas águas. Que mais poderia Ele fazer para ser visto?

- E que resposta terrível lhe deram aqueles que tinham sido preparados para a vinda d'Ele!

- Vês que afinal o problema não é que não O possamos ver, porque quando O vimos ainda fizemos pior. Mas, depois de condenado, crucificado, morto, Ele continua visível. Visível na Igreja, na caridade com os pobres, na oração, na Eucaristia. A dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza não querem ser mais visíveis do que são.

- Tens razão. O problema não é que não O vemos. O problema, como com a tia Maria, é que não O queremos ver.

- No entanto, como a tia Maria, Deus nunca é tão visível como no Natal. Porque é aí que se vê plenamente a dedicação atenta, o carinho silencioso, a suprema delicadeza.

O espanto do Natal

Nós que todos os anos vivemos o Natal perdemos o espanto perante o Natal. Essa é uma das piores coisas que pode acontecer a quem vive todos os anos o Natal. De facto, aqueles que participam com fervor na celebração anual do Natal sentem muitas emoções acerca dele, desde a elevação espiritual à indignação perante o consumismo e o desinteresse da sociedade. Mas raramente sentem aquilo que é o mais adequado perante o mistério natalício: o espanto.
O espanto principal vem, naturalmente, do próprio acontecimento que se celebra: que Deus omnipotente, que não cabe nos Céus, tenha decidido descer até nós e nascer como um menino, é algo de inaudito, inconcebível, quase inacreditável. Este é o mistério central da nossa fé cristã, mas dificilmente o conseguimos entender, quanto mais descrever, de tal forma ele ultrapassa tudo o que podemos imaginar. Vivemos todos os dias com ele, mas não somos capazes de compreender aquilo em que baseamos a nossa própria vida. O nosso Deus é, sem dúvida, espantoso!
Mas, mesmo se olharmos o Natal de fora, ele é uma festa absolutamente assombrosa. Se virmos o Natal como alguém que nada sabe sobre ele, se o considerarmos sem referência ao seu significado espiritual, temos de admitir que se trata de um fenómeno impressionante.
Ele é a única festa verdadeiramente global que o mundo alguma vez viu. O Natal atravessa todas as fronteiras e culturas. Existem, sem dúvida, muitas pessoas a quem o Natal nada diz, mas é difícil encontrar alguém que não saiba que ele existe.
Por outro lado, todos falam do "espírito natalício" mesmo quando ignoram o tal significado espiritual. De múltiplas maneiras e formas, os meios agnósticos, pagãos e até ateus se sentem tocados por uma mística que não sabem de onde vem. "Festa da família", "tradição popular", "quadra da solidariedade", "reino do Pai Natal" são maneiras comuns de descrever aquilo que ninguém consegue explicar, mas que todos sentem palpavelmente nesta quadra.
Os fenómenos espantosos que rodeiam o Natal são muitos mais. Por exemplo, trata-se da única celebração de aniversário que se verifica há mais de 2000 anos. Mas vale a pena pensar um pouco de onde vem esta surpreendente realidade. Se aquele que nada sabe sobre o Natal quiser entender a origem daquilo que tanto o surpreende, onde deve ele procurar a resposta? Que lhe podemos dizer nós, aqueles que todos os anos vivemos o Natal e participamos com fervor na sua celebração?
Bem, esta questão levar-nos-ia muito longe. Alguns refeririam dados sociológicos, históricos e etnográficos. Falariam da influência planetária da civilização ocidental, do gosto das culturas pelos presentes e pelas festas e de muitas outras coisas. Mas não existem muitas dúvidas que a razão última do fenómeno vem, simplesmente, do facto indiscutível que o nosso Deus é espantoso. O Deus que fez as girafas e os cometas, que concebeu a aurora e as trovoadas, que imaginou as galáxias e os seres humanos, só Ele poderia inventar uma coisa como o Natal.

João César das Neves
Agência Ecclesia, 081223

domingo, 14 de dezembro de 2008

Querem-nos roubar o Natal...

«Bom dia»

9 de Dezembro de 2008



Querem roubar-Te o Natal, Senhor.

Querem ficar com a festa,

mas não querem convidar o festejado.



Querem a árvore de Natal, mas esquecem a sua origem;

querem dar e receber presentes,

mas esquecem os que os Magos Te levaram a Belém;

querem cantos de Natal,

mas esquecem os que os Anjos Te cantaram naquela noite abençoada.

Até a São Nicolau o disfarçaram de "pai Natal".



Querem as luzes e o feriado, o peru e as rabanadas;

Querem a Ceia de Natal

mas já não vão à Missa do Galo,

nem Te adoram feito Menino nas palhinhas do Presépio.



Quando se lembram estas coisas e o facto que lhes deu origem

diz-se que "o Natal é todos os dias",

mas não se dispensa esta quadra de consumo e folguedos.



No meio de toda esta confusão deseja-se a paz e a fraternidade,

mas esquecem que só Tu lhes podes dar.



E a culpa de tudo isto ser assim… é também minha

que alinho nesta maneira pouco cristã de celebrar o teu nascimento.



Se desta vez eu der mais a quem tem menos

e comprar menos para quem já tem quase tudo…

se em vez de me cansar a correr de loja em loja

guardar esse tempo para parar diante de Ti…



Se neste Natal fores mesmo Tu a razão da minha festa…

as luzes e os cantos, o peru e as rabanadas, os presentes e a até o Pai Natal

me falarão de Ti e desse gesto infinito do Teu Amor

de teres viindo ao meu encontro nessa noite santa do teu Natal.



Rui Corrêa d'Oliveira – "Bom dia" – Canal Sim RR –08.12.2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cara Mãe e Caro Pai...

EM CONSCIÊNCIA E COM AMOR PELOS SEUS FILHOS DECIDA O QUE DEVE EXIGIR AOS NOSSOS GOVERNANTES:

• UMA ESCOLA ONDE OS PAIS DEPOSITEM OS SEUS FILHOS ÀS 08H00 E OS RECOLHAM ÀS 18H30
• UMA ESCOLA QUE TEM COMO FUNÇÃO ALIVIAR OS PAIS DO FARDO DE EDUCAREM OS SEUS FILHOS PORQUE ESTE GOVERNO OS OBRIGA A TRABALHAR DAS 08H00 ÀS 18H00
• UMA ESCOLA ONDE OS ALUNOS QUE NÃO QUEREM APRENDER NÃO DEIXEM OS QUE QUEREM APRENDER
• UMA ESCOLA EM QUE O FACILITISMO E IMPUNIDADE AUMENTEM A CADA DIA
• UMA ESCOLA QUE TENHA COMO FUNÇÃO FORMAR CIDADÃOS COM DIPLOMAS QUE MAIS NÃO SERVEM DO QUE MOSTRAR ESTATISTICAMENTE QUE SOMOS UM PAÍS DE “CHICOS” ESPERTOS

OU

• UMA ESCOLA DE EXCELÊNCIA ONDE OS ALUNOS QUE QUEIRAM APRENDER POSSAM APRENDER SEM SEREM PREJUDICADOS PELOS QUE NÃO QUEREM APRENDER
• UMA ESCOLA QUE TENHA COMO FUNÇÃO FORMAR CIDADÃOS SÉRIOS, RESPONSÁVEIS E COMPETENTES
• UMA ESCOLA QUE NÃO SUBSTITUA A FUNÇÃO EDUCATIVA DOS PAIS E QUE, COMO NA FINLÂNDIA, PERMITA OS PAIS ASSUMIREM O SEU PAPEL E AS CRIANÇAS/JOVENS TEREM TEMPO PARA A FAMÍLIA E SOCIEDADE.

EU SOU PAI, E TAMBÉM PROFESSOR, E EXIJO AOS GOVERNANTES DO MEU PAÍS:

• TEMPO PARA SER PAI
• TEMPO PARA BRINCAR E ESTUDAR COM AS MINHAS 4 FILHAS
• TEMPO PARA PASSEAR COM A MINHA FAMÍLIA
• TEMPO PARA QUANDO CHEGAR A CASA AINDA PODER VER AS MINHAS FILHAS ACORDADAS
• TEMPO PARA AOS FINS-DE-SEMANA NÃO TER QUE FICAR EM CASA A CORRIGIR TESTES E PREPARAR AULAS, PORQUE AS MINHAS FILHAS TÊM DIREITO A TER PAIS COMO AS OUTRAS CRIANÇAS

POR ISTO TUDO, CARA MÃE E CARO PAI, PRECISO DA VOSSA AJUDA PARA JUNTOS EXIGIRMOS UMA SOCIEDADE JUSTA, EQUILIBRADA, SEM MENTIRA POLÍTICAS E COM VERDADEIRO DIREITO A VIVER EM FAMÍLIA.

PORQUE A FAMÍLIA É A BASE (DEVERIA SER) DE UMA SOCIEDADE PRÓSPERA E DESENVOLVIDA!!!

MUITO OBRIGADO.
EDUARDO CUNHA
PROFESSOR DE MATEMÁTICA DA ES BARCELOS

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

80º aniversário da fundação do Opus Dei - 2 de Outubro de 2008

O Opus Dei é uma instituição da Igreja Católica, fundada por São Josemaria Escrivá de Balaguer.

A sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade. O Opus Dei colabora com as igrejas locais, organizando encontros de formação cristã (aulas, retiros, atendimento sacerdotal) destinados a quem tenha o desejo de renovar a sua vida espiritual e o seu apostolado.

Algumas Actividades:

Direcção espiritual, retiros, palestras doutrinais e aulas de catecismo são algumas das actividades que o Opus Dei organiza para ajudar as pessoas que desejam melhorar a vida espiritual e o compromisso evangelizador. Realizam-se em centros do Opus Dei, em igrejas e paróquias, no domicílio de algum dos participantes, e estão abertas a qualquer pessoa.

São postos à disposição dos cooperadores meios de formação análogos, bem como dos jovens que participam no trabalho apostólico, e de qualquer pessoa que desejar recebê-los.

«A actividade principal do Opus Dei consiste em dar aos seus membros e a quem o desejar os meios espirituais necessários para viverem como bons cristãos no meio do mundo», explicava o fundador.