sábado, 11 de fevereiro de 2012

Audição Pública Parlamentar - 18 Janeiro 2012 - Intervenção de Mª Fátima Vieira

E falam de revisão da estrutura curricular?... Um dia cinzento... professor


Antes da revisão da estrutura curricular... acabem com a indisciplina nas Escolas por favor


Hoje o dia amanheceu cinzento e chuvoso…Para muitos mais um dia de
inverno! Para mim um dia triste, coberto de indignação, revolta, medo,
impotência e desolação.

Ontem, em frente à Escola EB 2/3 Padre António Luís Moreira, nos
Carvalhos – Vila Nova de Gaia, um Professor de Matemática, de 63 anos,
foi violentamente agredido por três indivíduos de etnia cigana. Não.
Não agrediu nenhum aluno. Não foi incorreto com ninguém, nem tão pouco
falou mais alto. O exemplo de civismo, educação, correcção e
profissionalismo é a descrição deste nosso colega. Apenas mandou que
uma aluna de etnia cigana se retirasse da sala onde entrou sem
autorização e sem educação. Motivo este bastante para que a aluna
comunicasse com os familiares que de forma selvagem se encarregaram do
“ajuste de contas”.

Sou professora e tenho também alunos de etnia cigana. Terei
provavelmente princípios de educação e civismo semelhantes aos da
maior parte dos professores, como este colega. Corrijo todos os dias
os comportamentos e atitudes que considero despropositados. Trato
todos os alunos de igual forma tendo como principio a igualdade de que
todos falam com a “boca cheia”. Igualdade essa de direitos, mas também
de deveres. Sim, porque não pensem que a igualdade só serve para ter
direitos! O cumprimento das regras de civismo e respeito também fazem
parte. E se um dos meus alunos achar que “cuspir em cima das
secretárias” é um direito que ele tem? Isso vai contra o meu
entendimento de respeito e educação e, como tal terei de informá-lo da
necessidade de limpar a secretária que é de todos. Se a moda pega,
terei com toda a certeza de pedir proteção policial para sair da
escola.

Cada vez que tento visualizar a situação de agressão a que foi sujeito
este professor, fico completamente de rastos, desmoralizada e sem
motivação alguma para continuar a fazer aquilo que escolhi há muitos
anos.

E FALAM-ME EM REVISãO CURRICULAR??

Podem fazê-las todas e todos os anos! Não é aí que se encontra o
“cancro” da Escola/Educação. Podem aumentar as cargas horárias todas
que quiserem! Os alunos não vão saber mais por isso. É o mesmo que
tentar tratar o doente com a medicação errada.

A indisciplina grassa em grande escala e em percurso crescente na
maior parte dos estabelecimentos de ensino do nosso país. É mais ou
menos camuflada, numas ou noutras escolas, por interesses vários,
desde directores a ministros.

Mas está instaurada e cada vez com maior número de aderentes. A nós
pouco nos resta fazer. Tentamos de todas as formas, nunca infringindo
a lei ou ferindo os tão apregoados direitos do aluno, proteger os
poucos que sabem para que serve a Escola, o Professor e a Educação.
Mesmo correndo algum risco de, segundo os entendidos, traumatizar as
crianças, ainda elevamos o tom de voz ou castigamos um ou outro aluno,
na tentativa, quase inglória, de “salvar” mais um.

Sabendo que a missão primeira de educar compete aos pais e sabendo que
poderemos ser verbalmente e fisicamente agredidos, arriscamos e
transmitimos sempre que achamos premente, os valores e princípios que
os nossos alunos não trazem de casa, corrigimos atitudes, somos pai e
mãe sempre que necessário. Recebemos mensagens escritas dos
encarregados de educação, revelando uma falta de respeito, educação e
desconhecimento atroz, porque cansamos o seu educando com os trabalhos
de casa. Somos ameaçados pelos pais e familiares dos alunos a quem
dizemos que é necessário um caderno e uma caneta para escrever e que
esse material é muito mais importante numa sala de aula, do que um
telemóvel…

E FALAM-ME EM REVISãO CURRICULAR??…

Não aguento mais medidas sem sentido e de nenhum efeito. Um médico não
receita sem saber qual é o mal de um doente, ou não deveria fazê-lo.

Então como se quer tratar a Escola/Educação sem antes perceber,
analisar, verificar onde está realmente o grande, imenso problema?

É urgente e inadiável impor a disciplina nas escolas portuguesas.

É urgente e inadiável que se percebam as diferenças de direitos e
deveres entre um adulto e uma criança.

É urgente e inadiável que um professor possa ensinar quem quer
realmente aprender.

É urgente e inadiável que o medo deixe de ser uma sombra permanente
sobre as cabeças dos docentes do nosso país.

É urgente e inadiável que possamos intervir assertivamente e no
imediato em situações que estão no limiar do humanamente suportável.

É urgente e inadiável que o respeito e educação que exijo aos meus
filhos, possa exigir da mesma forma aos meus alunos.

E FALAM-ME DE REVISãO CURRICULAR??

É inadmissível que o professor seja obrigado a engolir os insultos de
um aluno que tem mais ou menos a idade dos seus filhos quando em sua
casa isso não é minimamente tolerável.

Não pensem que quero “a menina dos cinco olhinhos”. Não. Apenas penso
que fomos exactamente para o outro extremo. Quase que me apetece dizer
que se vive uma anarquia nas escolas. Gritar fere a sensibilidade das
crianças, mas falar baixo não resulta pois estas não sabem estar
caladas. Uma bofetada ou puxão de orelhas? Completamente desadequado.
Isso só com os nossos filhos surte efeito. Aos nossos alunos
traumatiza e marca para toda a vida. Talvez seja por isso, por tantos
traumas destes, que a nossa geração cresceu, formou-se, trabalha e não
espera que nenhum subsídio seja criado e nenhuma casa lhe seja
oferecida.

Os meus vinte e cinco anos de serviço não me ensinaram a viver uma
escola em que importa apenas que as crianças sejam muito felizes e
acreditem que a vida é super fácil; que o trabalhar é apenas para os
“totós”, pois a preguiça compensa e de uma forma ou de outra todos
conseguirão fazer a escola; que independentemente de cumprirmos as
regras teremos sempre direitos; que pudemos ofender de todas as formas
possíveis e agredir sempre, pois o pior que poderá acontecer são uns
dias de “férias” em casa; que de uma forma ou de outra, a culpa é
sempre do professor.

O nosso colega está em casa, depois de uma tarde nas urgências do
hospital, com cortes no rosto e muitos hematomas. Tenho o estômago
embrulhado e um nó na garganta. Uma vida inteira dedicada a ensinar e
a formar um futuro melhor para o nosso país é desta forma agraciada
quase no fim da sua carreira. E quem está a ler e a sentir-se da mesma
forma que eu perguntará: “ E a escola não age?” E eu digo-vos qual é a
resposta: “Foi fora do recinto escolar.” Gostaram? Conseguem imaginar
como será o estado de espírito deste professor de matemática? Já não
falo das marcas físicas e das dores que deve ter, pois foram muitos
pontapés e murros covardemente dados por três homens na casa dos vinte
anos. Covardemente por serem três a agredirem um senhor de sessenta e
três anos. Falo na dor psicológica, uma dor que não passa com
analgésicos, que vai lá ficar muito tempo. Será a recordação mais viva
que terá da sua longa carreira que está quase no final. Aqui fica a
medalha de “cortiça” que recebe pela sua dedicação e entrega à escola
e aos alunos.

No final apenas fica o amargo de boca de quem tem consciência de que
fez o melhor trabalho que pode, que entregou a melhor parte da sua
vida e juventude aos seus alunos, que exerceu com toda a dignidade a
sua profissão, respeitando sempre todos, engrandecendo o conhecimento
de muitos.

Resta-me dizer que este dia cinzento tem toda a razão de ser e todos
os professores se sentirão exactamente neste cinzento que porventura
será a cor que melhor define os sentimentos de quem neste momento
consegue imaginar-se no lugar deste professor.

MARIA DO ROSáRIO MEIRELES CUNHA

Professora na Escola EB 2/3 de Olival

Um dia

Nos 5 anos da lei do aborto um belo poema sobre o maior crime: a mãe que manda matar o próprio filho com o aval da sociedade e do estado.

Do blogue do Prof. Pedro Pinto: O Povo

Um dia, hei-de saber,
alguém me vai dizer.
Um dia.

Porque é que não nasci.
Porque não fui de alguém.
Porque é que fui ninguém.
Um dia.

Era feio?
Fui diferente?
Não dei jeito?
Um dia.

Amargo seio,
Um peito rente.
Não sei quem foi.
Não sei quem viu.
Mas sou inocente.

Talvez me contem tudo.
Talvez me salvem ainda,
Um dia.

Do nada, que é tudo o que me resta.
Talvez haja uma festa.
Não houve nenhuma,
Quando não me quiseram,
nem me amaram.

E não sei porquê.

Um dia.


Miguel Alvim

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

The Christmas Story



Tão queridos e fofos...

Um Natal contado de forma simples por crianças.

Feliz Aniversário Jesus!

domingo, 13 de novembro de 2011

Steve Jobs e as maçãs

Dia de S. Martinho, Aura Miguel

Aura Miguel

RR on-line 11-11-2011 8:16

Hoje em dia, todos associam o Dia de S. Martinho a feiras e festas, castanhas e vinho novo. Afinal, acontece também o mesmo no mês de Junho, com os chamados santos populares.
Com tantos excessos praticados nestas ocasiões, não me parece que António de Lisboa, João Baptista, o próprio apóstolo Pedro e, no dia de hoje, Martinho fiquem satisfeitos que o seu nome surja apenas associado aos comes e bebes.
Por isso, é de justiça recordar que S. Martinho morreu no ano de 397. Foi militar, mas renunciou à sua carreira para se tornar monge. Mais tarde, veio a ser bispo de Tours, cidade francesa onde está sepultado. A sua generosidade e humildade fizeram dele um dos santos mais populares e famosos de toda a Europa Ocidental.
Frequentemente representado em cima de um cavalo a entregar metade do seu manto a um pobre que tiritava de frio, a sua fama levou mesmo o Conselho da Europa a declará-lo em 2005 “modelo europeu da partilha”.
Nem de propósito: nestes tempos tão necessitados de entre ajuda, que São Martinho nos inspire a todos!

As razões da dignidade da vida humana

No Blogue: http://o-povo.blogspot.com/

Público, 2011-11-10, Fátima Pinheiro

Debate Do embrião ao testamento vital

O Tribunal Europeu de Justiça decidiu recentemente que não podem ser patenteadas investigações científicas com células estaminais que envolvam a destruição de embriões humanos. Perguntamos nós: mas porquê? Responde o tribunal: qualquer óvulo humano deve, desde a fase da sua fecundação, ser considerado um "embrião humano" quando essa fecundação for susceptível de desencadear o processo de desenvolvimento de um ser humano. Mas, perguntamos nós: o que nos leva a respeitar esse "embrião", quando hoje tanto se fala de eventuais possibilidades terapêuticas das células estaminais embrionárias? Quais são afinal as razões da dignidade assim, mais uma vez, reconhecida?

Entre nós o Parlamento discute agora quatro projetos de lei sobre o testamento vital (PS, PSD, CDS, BE). Os temas estão de certo modo conexos, porque uma investigação séria não olha integralmente o fim da vida sem olhar, também de forma inteira, para o seu começo. A Bioética cai sempre na praça pública como roleta. Ora sai o aborto, ora a eutanásia, ora a investigação em embriões excedentários, ora o estatuto do embrião, ora a arquitetura genética. Porque na realidade tudo se interliga.

As leis, nacionais e internacionais, não cessam de afirmar, como princípio, que a dignidade da vida humana deve ser respeitada. Nem as discussões sobre estes temas a põem em causa. É - também por isso - necessário encontrar as razões que estão na base de tal reconhecimento. A vida humana não é digna "porque sim". A Filosofia tem a competência para contribuir para este esclarecimento.

É simples. Espermatozóide e óvulo encontram-se. Tudo o que de mais criativo se faça parte desta base vital "dada". Ninguém inventa do nada; o coelho sai da cartola porque estava por perto, o resto é ilusão.

A Ciência trata do que é mensurável. E os avanços têm sido fantásticos. No entanto, ela não sabe dizer todos os fatores deste fenómeno "vida". Einstein, o cientista, admite a dimensão misteriosa da realidade, e, por muito que avance, embate nesse "algo" que será sempre espanto e interrogação. Na sua origem e no seu fim.

Quem não está, portanto, na posse de todos os dados, com que legitimidade pode "mexer", isto é, interferir num processo vital, do qual, em última análise, desconhece os contornos? A dignidade desse "algo" que é "grão de areia" - e um dia uma pessoa, e um dia, se for o caso, pessoa em estado vegetativo - vem desse excesso de ser, desse caráter misterioso que o torna intocável, sagrado. O ontológico precede, como sempre, o ético. Não se deve tocar porque não nos pertence, é um dado.

No que diz respeito ao testamento vital, em nome do princípio da autonomia não se estará nalguns casos a ignorar a dignidade da vida como a entendemos, de "algo" que, em última análise, não nos pertence? Em relação ao momento em que se faz o testamento muito pode acontecer: a pessoa estava informada? E se a ciência avançou? E se a pessoa mudou de vontade?

A dignidade da pessoa humana vem da autonomia ou é o contrário? Que se argumente. Pois para uma boa lei há que ter em conta todos os fatores e todas as consequências do que está em jogo. Como lembrou em relação ao Direito o saudoso Luís Archer: "Aprovar antes de se saber todas as consequências que as coisas vão ter, não é bom." Argumentar não se reduz a "falar" melhor e/ou mais alto. É esgrimir razões, ou, como alguém já o disse, alargar o uso da razão. Foi o que fez o Tribunal Europeu de Justiça. (100mim.wordpress.com)
A pedido da autora, este texto respeita as regras do Acordo Ortográfico

Pensamento do dia

Não podemos procurar na gravitação a razão pela qual duas pessoas se apaixonam. Como é que se pode explicar no domínio da física ou da química este tão importante fenómeno do primeiro amor? Ponham a mão num fogão durante um minuto e parecerá uma hora. Sentem-se ao lado daquela rapariga especial uma hora e parecerá um minuto. Isto é relatividade.

Albert Einstein

domingo, 16 de outubro de 2011

Os professores querem concursos nacionais, anuais e com critérios universais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade

FENPROF exige concursos nacionais, anuais e com critérios universais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade

A FENPROF voltou a exigir a realização de "concursos nacionais, anuais, quer para contratação, quer para ingresso e mobilidade nos quadros, que tenham em conta as reais necessidades das escolas", com “critérios universais: graduação profissional; classificação profissional, tempo de serviço.”

O Secretário Geral da FENPROF falava aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada ao fundo das escadarias de São Bento, após a reunião que a delegação sindical manteve com a Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, a quem apresentou "as suas preocupações e os indícios que levam a crer que, na designada Bolsa de Recrutamento 2, para contratação de docentes, terá havido manipulação prévia de dados, daí resultando injustiças e ilegalidades diversas."

A FENPROF exige também a abertura de lugar de quadro nas escolas sempre que um lugar vago assim se mantenha por um período de 3 anos. Ao quarto ano dará origem a um lugar para ingresso de docente ou mobilidade;e o ingresso em quadro (vinculação) dos docentes profissionalizados quando completam três anos de serviço. Transitoriamente, a FENPROF admite negociar um regime transitório que, partindo de um patamar mais elevado, num determinado número de anos a definir, chegue aos três anos antes referidos.

A garantia de profissionalização dos docentes com habilitação própria com três anos ou mais anos de serviço, é outra reivindicação destacada pela Federação Nacional dos Professores, que exige a abertura, em 2012, de concurso nacional para ingresso e mobilidade nos quadros.

O problema de fundo

Numa tomada de posição divulgada aos profissionais da comunicaçâo social, a FENPROF sublinha que o problema de fundo é o desemprego e a instabilidade que, "deliberadamente, foi provocado para 2011/2012, estando a ser tomadas medidas, pelo Governo, que agravarão muito a situação no próximo ano."

A FENPROF chama também a atenção para a falta de competência técnica, a falta de rigor e isenção e a falta de vontade política para solucionar problemas.

A propósito da bolsa de recrutamento 2, recorde-se, já foram realizadas. por iniciativa da FENPROF, reuniões na Procuradoria Geral da República, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da AR, na Provedoria de Justiça e agora na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Aguarda-se para breve a reunião com Inspeção Geral de Educação (IGE).

Das diligências, até agora, resulta:

Da PGR: remetido processo para Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).
Da CECC da AR: iniciativas de grupos parlamentares para esclarecimento da situação.
Da Provedoria de Justiça: reforço de processo já aberto na sequência de 44 queixas entretanto apresentadas individualmente.

Com estas iniciativas, a FENPROF pretende "o apuramento da verdade, a reparação de danos causados aos professores, a responsabilização (disciplinar ou penal, dependendo do que for apurado, caso se confirmem os indícios existentes) de quem provocou problema e a assunção política do problema, se vier a fazer-se prova."

Ilegalidades na celebração de contratos


Esclarece a FENPROF que contratos correspondentes a horários anuais, incluindo os que foram identificados como tal (por exemplo, da BR01, que só tinha horários anuais), estão a ser propostos (e alguns já celebrados) como temporários de 30 dias, ou, desde logo, como a termo incerto.

Relativamente aos celebrados a termo certo por 30 dias, desconhece-se o que acontecerá ao fim desse tempo. A renovação sucessiva por períodos iguais é ilegal, a renovação ou transformação em contrato a termo incerto também é ilegal. Será ainda ilegal que estes contratos sejam considerados a termo incerto, pois sabe-se qual o seu termo: o final do ano escolar. "Estamos a alertar os professores para esta situação", como sublinhou Mário Nogueira nesta conferência de imprensa de 13 de Outubro.

A FENPROF recorda e esclarece também quais são os tipos de contrato possíveis:

- Termo certo: pelo período de ausência (substituição) ou até 31 de agosto (aposentações, novas turmas, mobilidade…)

- Termo incerto: quando não se conhece tempo da ausência, mas se presume que haverá regresso do titular do docente substituído.

Ofertas de escola:
vale (quase) tudo...


Como referiu o Secretáruo Geral da FENPROF, nas ofertas de escola surgem muitas situações em que vale (quase) tudo... Vejamos algumas das mais frequentes:

a) Horário cuja origem leva a que se prolongue até final do ano, dá origem a contrato mensal. Mas, ainda assim, há incoerências, com a mesma escola a fazer opções diferentes;

b) Falta de rigor nas habilitações exigidas (habilitação própria em igualdade com habilitação profissional).

c) Critérios orientados para candidato (alguns assemelham-se a uma fotografia de alta resolução).

d) Anulação, na prática, de critérios com a introdução de parecer favorável do diretor ou o recurso a entrevista. Nesses casos, a escolha, na verdade, será do diretor.

"Todas estas situações serão facultados à Provedoria de Justiça e à Inspeção Geral de Educação com pedido de intervenção. Será também exigido ao MEC que intervenha neste processo corrigindo situações",garantiu Mário Nogueira, acompanhado por dirigentes dos vários Sindicatos da FENPROF.

"Entre outras dimensões do problema, importa lembrar que estamos a falar de acesso a emprego público, neste caso, emprego docente. É imperioso que haja regras, imparcialidade, transparência, ainda para mais numa altura em que o desemprego atingiu enormes proporções", concluiu.

Reivindicações da FENPROF

Além da exigência de concurso, com regras de transparência e competência e com as características já sublinhadas no início dersta peça, a FENPROF exige, para efeitos de contratação, a constituição de uma “bolsa” nacional de candidatos que, depois de uma primeira fase de colocação, no final de agosto, funcionará ciclicamente, tendo em conta as necessidades transitórias, a graduação dos candidatos e as suas preferências, devendo ser retomadas regras que a atual legislação revogou.

Ou seja, não são os horários que “escolhem” os candidatos, mas estes que são colocados de acordo com as suas preferências, tendo em conta o conjunto de horários disponíveis em cada momento de colocação. De cada “ciclo” de colocações é publicamente divulgada uma lista. Os docentes com habilitação própria que, como se sabe, continuam a ser imprescindíveis em muitas áreas, poderão candidatar-se ao concurso nacional, sendo ordenados em prioridade após os que apresentam habilitação profissional.

O recurso a “oferta de escola” tem um carácter verdadeiramente excecional: ter esgotado a lista nacional, seja em que momento do ano for. Nesse caso, os critérios deverão ser estabelecidos em termos nacionais, respeitando os que foram adotados nessa fase.

Está provado que os concursos efetuados localmente apresentaram sempre mais problemas e nunca foram mais céleres as colocações daí resultantes. Já os concurso nacionais só correram mal quando neles se refletiu incompetência técnica ou outros fatores que interferiram no seu normal desenvolvimento, conclui a Federação. / JPO

Rankings - A desonestidade ao serviço da promoção do ensino privado

É legítimo classificar escolas como “boas” e “más” ignorando as diferentes realidades educativas que as caracterizam e tendo apenas em conta os resultados dos alunos em exames nacionais?

Independentemente de serem escolas privadas que seleccionam os seus alunos ou escolas de todos e para todos, com populações escolares heterogéneas?

Independentemente do número de alunos que levam a exame?

[Hoje, uma escola do Porto foi exposta publicamente como “a pior do país” em função dos resultados nos exames de UM ÚNICO ALUNO. Como é possível???]

Na Austrália, os professores e os directores das escolas públicas bateram-de, de forma determinada, contra a publicação deste tipo de rankings. Em Portugal, vamos continuar a permiti-lo até quando e em nome de quê?

AUSTRÁLIA CONTRA OS RANKINGS


(texto disponível no Jornal da FENPROF de Janeiro de 2011, p.19)

Nos últimos anos a Austrália teve um regime de exames nacionais, conhecido como NAPLAN, para alunos dos graus 3, 5, 7 e 9 apesar de não haver um currículo nacional. Em 2009, o Governo Australiano criou um novo sítio na internet chamado “My School” onde eram publicados os resultados dos exames, escola a escola.

Durante os meses que precederam esta divulgação, o Sindicato da Educação Australiano (AEU) que representa 180,000 professores das escolas públicas por toda a Austrália desenvolveu uma campanha contra a divulgação pública dos resultados dos exames. O principal receio do sindicato foi que isso pudesse levar à criação de “rankings” e à exposição pública (“naming and shaming”) das escolas que tanto prejuízo causou em países como a Inglaterra e os Estados Unidos da América.

Mal os resultados dos exames foram divulgados, muitos jornais começaram a elaborar “rankings” e os piores receios dos professores foram confirmados. Os meios de comunicação social usaram a informação sobre os resultados dos exames para atacarem as escolas, particularmente as escolas públicas e os seus professores.

No início de 2010, o AEU intensificou a campanha exigindo que o governo tomasse medidas para impedir que os resultados dos exames fossem usados para criar “rankings”. A ronda seguinte de exames estava prevista para Maio de 2010 e o sindicato fez um ultimato ao Governo Australiano. A menos que fossem postas em prática medidas de protecção desses dados, os professores em toda a Austrália recusar-se-iam a aplicar os exames de literacia e numeracia (NAPLAN). Nos meses que precederam os exames de Maio, o sindicato organizou-se por todo o país para obter apoio para esse boicote.

A campanha intensificou-se e foi bem apoiada por directores de escola e professores, muitos dos quais foram ameaçados com o despedimento e pesadas multas. Finalmente, apenas alguns dias antes da data prevista para a realização dos testes, o Governo apresentou uma proposta ao sindicato. Comprometeu-se a constituir um Grupo de Trabalho para aprofundar mecanismos de protecção para o uso dos dados dos exames. Consequentemente, o boicote foi levantado.

Na semana passada o Grupo de Trabalho divulgou as suas recomendações. Numa vitória histórica para o AEU, a principal recomendação do Grupo de Trabalho foi que os dados dos exames seriam protegidos usando as leis de copyright existentes. O grande desafio agora é assegurar que o Governo honra as conclusões do Grupo de Trabalho e está pronto a agir contra qualquer meio de comunicação social que viole a lei publicando “rankings”.

Maurie Mulheron

Principal

Keira High School

Australia